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O Meio e a Luz

Por Vialogue

Introdução

*Luz é metáfora para Religião

Por muitas centenas de anos cobertos em suas investigações, os antagonistas eram o clero. E seus debates diziam respeito não apenas a esta ou aquela ideia ou doutrina, mas sim às próprias ferramentas do esforço intelectual, a natureza e a seriedade da filosofia e da literatura, e as técnicas de interpretação e suas esferas de aplicação. (XI)
O trivium comprimia todo o conhecimento em três correntes: retórica (comunicação), dialética (filosofia e lógica) e gramática (literatura, tanto sagrada quanto profana, incluindo modos de interpretação). A gramática incluía textos escritos de todo tipo, além do mundo e do universo conhecido, que eram considerados como um livro a ser lido e interpretado, o famoso “Livro da Natureza”. (xi-xii)

 …a Igreja – o que Chesterton chamou (outro título de livro) A Coisa. Estava em todo lugar. A certa altura, ele me disse mais tarde (e ele nunca foi muito específico quando esse ponto ocorreu), ele decidiu que a coisa tinha que ser resolvida ou ele não poderia descansar. Ou era verdade, ou não era. Ou a questão toda era verdade, toda ela, exatamente como a Igreja alegava, ou era a maior farsa já perpetuada em uma humanidade crédula. Com essa escolha claramente delineada, ele partiu para descobrir qual era o caso. O que veio a seguir não foi mais estudo, mas testes. (xiv)

G K Chesterton

Para um católico, a fé não é simplesmente um ato da mente, ou seja, uma questão de ideologia ou pensamento (conceitos) ou crença ou confiança, embora geralmente seja confundida com essas coisas. A fé é um modo de percepção, um sentido, uma visão, uma audição ou um toque tão real e real quanto estes, mas um sentido espiritual e não corporal. (xv)
… uma coisa tem que ser testada em seus termos. Você não pode testar nada na ciência ou em qualquer idiota do mundo, exceto em seus próprios termos ou você obterá as respostas erradas. (xvii)
A Igreja é tão inteiramente uma questão de comunicação que, como os peixes que nada sabem da água, os cristãos não têm consciência adequada da comunicação. Talvez o mundo nos tenha sido dado como um anti-ambiente para nos conscientizar da palavra.
O estudo dos efeitos ultimamente me levou ao estudo da causalidade, onde fui forçado a observar que a maioria dos efeitos de qualquer inovação ocorre antes da própria inovação propriamente dita. Numa palavra, um vórtice de efeitos tende, com o tempo, a tornar-se a inovação. É porque os assuntos humanos foram empurrados para um processo puro pela tecnologia eletrônica que os efeitos podem preceder as causas.
O público do escritor ou do performer é a causa formal de sua arte ou entretenimento ou de sua filosofia.
Há, por assim dizer, uma relação sexual entre performer e público,
É, portanto, esse aspecto sexual inerente ao sacerdócio que torna a ordenação de mulheres impraticável e inaceitável para uma congregação em seu papel feminino.
Não são cérebros ou inteligência que são necessários para lidar com os problemas que Platão e Aristóteles e todos os seus sucessores até o presente não conseguiram enfrentar. O que é necessário é uma prontidão para subestimar o mundo completamente… Não há mal nenhum em nos lembrarmos de vez em quando que o “Príncipe deste Mundo” é um grande homem de relações públicas, um grande vendedor de novos hardwares e softwares, um grande engenheiro elétrico e um grande mestre da mídia. É seu golpe de mestre ser não apenas ambiental, mas invisível, pois o ambiente é invencivelmente persuasivo quando ignorado.
Ele ficava continuamente surpreso com a relutância, muitas vezes a recusa direta, das pessoas em prestar atenção aos efeitos da mídia, e com sua hostilidade para com ele pelo que ele revelava. Eles incluíam aqueles, clérigos e leigos, que abraçam entusiasticamente as mais recentes tecnologias sem levar em conta seus efeitos. (xxiii)
Continuo perplexo com o pânico e a raiva que as pessoas sentem quando os efeitos de qualquer tecnologia ou busca são revelados a elas. É quase como a raiva de um chefe de família cujo jantar é interrompido por um vizinho que lhe diz que sua casa está pegando fogo. Essa irritação por lidar com os efeitos de qualquer coisa parece ser uma especialidade do homem ocidental.
O próprio Cristo é o exemplo arquetípico do meio como mensagem… (xxvii)

Parte I Conversão

  1. G. K. Chesterton: Um Místico Prático
    …há dois lados principais em tudo, um prático e um místico. (3)

Os verdadeiros místicos não escondem mistérios, eles os revelam. Eles montam uma coisa em plena luz do dia e, quando você a vê, ainda é um mistério. – G. K. Chesterton
Pois o mundo real não é claro ou simples. O mundo real está cheio de perplexidades estimulantes e surpresas brutais. O conforto é a bênção e a maldição dos ingleses… Pois há apenas uma polegada de diferença entre a câmara acolchoada e a cela acolchoada.
Toda verdade profunda, filosófica e espiritual, faz jogo com as aparências, mas sem realmente contradizer o bom senso. (5)
…quando o objetivo do Progresso não é mais claro, a palavra é simplesmente uma desculpa para a procrastinação. (6)
Não existe uma história hegeliana, ou uma história monista, ou uma história determinista… Todo conto realmente começa com a criação e termina com o último julgamento.
O romance da força policial é, portanto, todo o romance do homem. Baseia-se no fato de que a moralidade é a mais obscura e ousada das conspirações.
2 “A grande dificuldade sobre a verdade”: duas cartas para Elsie McLuhan
Agora, a caça à religião, mesmo em suas piores fases, ainda é um testemunho do maior fato sobre o homem, a saber, que ele é uma criatura e uma imagem, e não é suficiente para si mesmo. É todo o viés da mente que busca a verdade, e da alma que inspira nossa própria vida, que busca aquilo que a deu. A grande dificuldade sobre a Verdade é que ela não é simples, exceto para aqueles que conseguem vê-la inteira. (14)
A paixão mais profunda no homem é seu desejo de significância. … É a paixão mais frustrada onde os homens são amontoados e ensinados a admirar o luxo. (17)
Eu nunca poderia ter respeitado uma ‘religião’ que desprezasse essa razão e aprendizado – testemunhe a ‘educação’ de nossos pregadores. Gosto mais do cultivo intenso do jesuíta do que das orgias emocionais de um evangelista… (22)

3-“Atos Espirituais”: Carta a Corinne Lewis
O primeiro pensamento que um católico tem de Deus é aquele que um homem tem por um verdadeiro amigo. (25)
Não há nada próprio da natureza humana que não seja aperfeiçoado e assistido pela Igreja. Cada faculdade humana encontra sua verdade, uso e função somente dentro da Igreja. Isso é difícil para os protestantes perceberem, porque a religião para eles é tão comumente uma questão de restrições e proibições. A Igreja, por outro lado, está principalmente preocupada com a ação. Já que a potência só pode se tornar real através do ato. O protestante tem, ou teve, uma meia verdade. ele passa fome em meio pão, renunciando à sua herança legítima, assim como o paranóico imagina que seu jantar está envenenado. (25-26)
Ortodoxia é honestidade intelectual em relação às coisas divinas. Heresia é mentira intelectual e espiritual – mentir para o próprio Deus. (26)
…já que nosso livre-arbítrio é o caráter mais fundamental que possuímos, sinto a maior repugnância em influenciar outra pessoa, exceto onde a prontidão para indagar, examinar ou considerar é óbvia. (28)

Parte II O Entendimento da Igreja sobre a Mídia

4 – Meios de Comunicação: Criadores do Mundo Moderno

Quer você o conceitualize ou o verbalize, você vive em uma situação global na qual cada evento modifica e afeta todos os outros eventos. (34)
…este nosso mundo de aldeia global é inteiramente o resultado da força da comunicação telegráfica, teletipificada – informação que se move a uma velocidade relativamente instantânea. (34)
O conceito de relevância é um conceito do século XX. (34)
Qualquer forma substancial se imprime em você sem o benefício da percepção ou atenção consciente de sua parte. (37)
O significado de uma obra de arte… não tem nada a ver com o que você pensa sobre ela. Tem a ver com sua ação sobre você. É uma forma: age sobre você. Invade seus sentidos. Ele reestrutura sua visão. muda completamente suas atitudes, seus comprimentos de onda. Assim, nossas atitudes, nossas sensibilidades são completamente alteradas por novas formas, independentemente do que pensamos sobre elas. Esta não é uma afirmação irracional, ou uma noção filosófica. é um simples fato da experiência. | Estou preparado para dizer que os novos meios de comunicação são formas – não simples, mas complexas. (38)
A aldeia global não é um lugar onde uma coisa acontece de cada vez. Tudo acontece de uma vez. O que devemos ter, portanto, é um meio de lidar com um mundo de uma só vez. O artista e filósofo talvez possa ajudar aqui. (38)

Até que você aprenda a ler e escrever e observe as letras em uma linha com o lado certo para cima, não há eixo horizontal ou vertical no mundo visível. Os pintores das cavernas não usavam eixo horizontal ou visual. Eles pintaram. (41)
Tudo penetra todo o resto. Tudo é ao mesmo tempo. [Homem pré-alfabetizado] não arruma as coisas e as coloca nos lugares; ele vive em um mundo de uma só vez porque vive de ouvido. É somente após longos períodos de alfabetização que as pessoas começam a confiar em seus olhos e começam a seguir a estrutura de planos e linhas de força que os olhos experimentam. O olho é para o homem pré-alfabetizado um órgão muito inferior. (41)
… a mídia eletrônica de uma só vez nos obriga de volta à forma de diálogo. Em termos de causalidade formal, o diálogo é uma necessidade da educação hoje. a velha ideia de apresentar informações empacotadas uma coisa de cada vez, visualmente ordenada, está completamente em desacordo com nossa mídia eletrônica. Estou falando de sua estrutura formal. (42)
A palavra escrita (impressão à parte) é uma força destribalizante. … As linhas das famosas estradas que fizeram os impérios eram literalmente rotas de papel; quando o papiro acabou, eles acabaram. (42)
O fato é que você presta atenção às palavras escritas de uma nova maneira. você os inspeciona estaticamente e desenvolve o hábito de segmentar ou deter os movimentos da mente. Isso dá ao homem o poder de se retirar dessa estrutura auditiva que é a tribo. Ele simplesmente se interrompe. Ele se retira para um mundo privado criado por sua capacidade de inspecionar aspectos estáticos do pensamento e da informação. (43)
…porque de seu aspecto estático, a palavra escrita inspira dúvidas na mente humana. … O ceticismo é a própria forma de cultura escrita. (43)
Contanto que você adote uma posição moral firme no mundo ocidental, você reunirá um grande número de pessoas para sua causa, independentemente de quão deficiente você seja em entender a situação. (44)

5 Elementos Chave para a revolução eletrônica: primeira conversa com Pierre Babin

Eu não acho que as forças poderosas impostas a nós pela eletricidade tenham sido consideradas por teólogos e liturgistas. … Os teólogos têm a impressão, imagino, de que tudo voltará ao normal em muito pouco tempo. Bem não! (45-46)
Nessa velocidade, não podemos nos adaptar a nada. Todo o nosso modo de pensar é baseado no equilíbrio: “As coisas vão voltar ao normal”, pensamos. Mas o equilíbrio é um princípio herdado de Newton. Nenhum equilíbrio é possível na velocidade da luz, na economia, na física, na Igreja ou em qualquer outro lugar. (46)
Até me tornei católico enquanto estudava quase exclusivamente o Renascimento. Tomei conhecimento do fato de que a Igreja foi destruída ou desmembrada naquela época por um estúpido erro histórico, por uma tecnologia. A cultura medieval baseada no manuscrito permitia um estilo de vida comunal muito diferente da comunidade de massa que aparecia impressa. A revolução de Gutenberg fez de todos leitores. (46)
Na era manuscrita, os textos eram raros, o que explica o pequeno número de leitores. … O livro impresso acelerou toda a operação e, ao fazê-lo, modificou completamente a imagem da antiga comunidade humana. Da mesma forma, em nosso tempo, podemos dizer que o automóvel, por seu novo tipo de aceleração, destruiu a comunidade humana tradicional – ainda mais do que a imprensa. Ninguém fica em um lugar o tempo suficiente para travar uma relação com alguém. (47)
A impressão provocou o desenvolvimento do nacionalismo, porque pela primeira vez todos podiam ver sua língua materna e não apenas ouvi-la. De fato, a consciência das pessoas de sua identidade nacional se enraizou em um terreno visual. O mundo da impressão é visual. (47)
Mas, o olho não é uma força unificadora. Tende à fragmentação. Permite que cada pessoa tenha seu próprio ponto de vista e se apegue a ele. Gutenberg acentua assim a separação no espaço e no tempo. Com o livro, pode-se retirar para dentro, no sentido egocêntrico e psicológico do termo, e não, de fato, no sentido espiritual. O alfabeto impresso cria, em grande medida, fragmentação. (47)
Lutero e os primeiros protestantes eram “escolares” treinados em alfabetização. Eles transpuseram o antigo método de discussão escolástica para a nova ordem visual: usaram assim a nova descoberta da impressão para cavar a trincheira que os separava da Igreja Romana. … Este escorregão em direção ao visual também explica o aparecimento das seitas. (48)
a Igreja surgiu quando o alfabeto fonético grego ainda estava em seus primeiros estágios. A cultura greco-romana ainda estava em sua infância quando a Igreja surgiu. (48)
Mas a cultura grega pré-platônica, ou seja, pré-alfabética, baseava-se no uso mágico da fala: também forneceu ao homem uma teoria particular da comunicação e da mudança psíquica. Os pré-socráticos, Heráclito em particular, eram pessoas acústicas. Eles viviam em um mundo repleto de vazios, lacunas e intervalos. Para eles, as coisas se agitavam, se cruzavam e reagiam umas às outras. (48)
Esta cultura greco-romana,… parece ter sido imposta à Igreja como uma carapaça a uma tartaruga. (49)
…a pessoa ortodoxa, no sentido etimológico do termo, limita-se a um só aspecto. (49)
…se é verdade que o primeiro efeito dos livros impressos a baixo custo foi criar a ilusão de auto-suficiência e autoridade privada, seu efeito final foi homogeneizar a percepção e a sensibilidade humanas, tornando possível a centralização em uma extensão até então desconhecida. (49)
Mas agora um mundo elétrico está se revelando, acústico por natureza porque é instantâneo e simultâneo. (49-50)
Quando tudo acontece na velocidade da luz – na velocidade elétrica – o mundo greco-romano cede. (50)
O homem elétrico não tem um ser corpóreo. Ele está literalmente desencarnado. Mas um mundo desencarnado, como aquele em que vivemos agora, é uma tremenda ameaça para uma Igreja encarnada, e seus teólogos nem sequer consideraram que vale a pena examinar o fato. (50)
O oriental se opõe à tecnologia e à inovação porque tem plena consciência de seu poder mágico de transformar o mundo. Ele se volta para dentro. Seu universo é do tipo oral e acústico. (50)
Aqui está como os cientistas agora caracterizam os dois lados do cérebro. O hemisfério esquerdo é especializado em análise; o hemisfério direito, no pensamento global ou holístico, com uma aptidão limitada para a linguagem. O hemisfério direito governa a sucessão de palavras não tanto como uma sequência lógica, mas como interfaces ressonantes. Este hemisfério é, antes de tudo, responsável por nossa orientação no espaço, nossos empreendimentos artísticos, nossas habilidades artísticas, a imagem que temos de nosso próprio corpo, a maneira como reconhecemos rostos. Diz respeito a tudo o que tomamos como um todo. Assim, reconhecemos um rosto não por um traço particular, mas pelo rosto tomado como um todo. O hemisfério direito trata a informação de forma muito mais difusa do que o hemisfério esquerdo: a informação é distribuída de forma mais vaga. A direita cobre o campo de percepção em sua totalidade, enquanto a esquerda se concentra em um aspecto de cada vez.

Gutenberg liga-se ao hemisfério esquerdo; o oral, o acústico e consequentemente o elétrico, para o hemisfério direito. … assim, todo o mundo ocidental – o que chamamos de civilização – da era greco-romana em diante vem do hemisfério cerebral esquerdo, se não inteiramente, pelo menos em sua maior parte. O evento de Gutenberg deu um impulso desproporcional à visualidade. Iniciou uma era de domínio do cérebro esquerdo, isto é, de controle lógico, sequencial e visual. (52)
Babin: Quando foi dito “Deus está morto”, isso não significa, pelo menos em parte, “Newton está morto”?
McLuhan: Sem dúvida. O mundo que fazia sentido de acordo com as categorias newtonianas estava desmoronando rapidamente. Mas o Deus que esta cultura tem adorado, não foi um pouco demais moldado à imagem de um tipo particular de homem? Ele não era muito racionalizado, uma espécie de divindade para os deístas? (53)
De fato, a solução está na natureza complementar dos dois hemisférios cerebrais. Pois, anatomicamente, esses dois hemisférios são complementares, e não exclusivos. Nenhum dos modos é mais importante, exceto nas formas transitórias de consciência. É a cultura que torna um ou outro dominante e exclusivo. Uma cultura se baseia na preferência por um ou outro hemisfério em vez de se basear em ambos. Nosso sistema escolar, como nossa hierarquia católica, é completamente dominado pelo lado esquerdo do cérebro. O resultado foi principalmente confusão. O ecumenismo também, suponho, tenta jogar os dois hemisférios igualmente, mas me deixa perplexo. (53)

6 A desromanização da Igreja Católica Americana

A desromanização é um fato desde o telégrafo. Qualquer aceleração de comunicação descentraliza. As formas lentas de comunicação centralizam: a informação é localizada e a tomada de decisão ocorre no centro. Tudo isso é revertido pela velocidade elétrica quando a informação se torna disponível ao mesmo tempo em todos os lugares. (54)
Somente os artistas são capazes de viver no presente. Santos também são artistas. você nunca ouviu falar de um santo que viveu no passado ou no futuro. Os santos querem viver no presente. Por isso são intoleráveis. (54)
Como surgiu a romanização? Roma era inteiramente um produto da tecnologia – uma burocracia, um sistema de classificação como um dicionário ou uma lista telefônica. Mas num mundo de eletricidade, a classificação dá lugar ao envolvimento e os homens vivem o apostolado da dor. Quando você está envolvido na vida de outras pessoas, você está envolvido em seu ser, em sua dor. (54)
A Roma Antiga caiu quando os egípcios deixaram de enviar papiros e a burocracia romana não tinha mais como se comunicar. Não foi até o Renascimento, quando os chineses enviaram papiros de volta à Europa, que a burocracia romana se tornou poderosa novamente. Depois havia uma vasta equipe clerical e administração centralizada. Gutenberg intensificou a centralização mil vezes e os burocratas puderam atingir dimensões de centralização e burocracia não sonhadas pelos romanos. (55)
Quando o homem adorava ídolos pagãos, isso significava adorar ferramentas. (55)
…no instante da Encarnação, a estrutura do universo foi alterada. Toda a criação foi refeita. Havia uma nova física, uma nova matéria, um novo mundo. … No momento em que Deus tocou a matéria, sua própria estrutura foi alterada, sua potência foi enormemente aumentada. Assim foi o do homem. A ciência moderna está ciente disso, não necessariamente como verdade revelada, mas simplesmente como verdade. | O primeiro Adão foi um esteta. Ele simplesmente olhava para as coisas e as rotulava. O segundo Adão não foi. Ele era um criador, um criador. O ser humano que participa do segundo Adão tem o papel obrigatório de ser criativo. A passividade não é para o homem; criatividade é obrigatória. (55)
Estar bem acordado é assustador, um pesadelo. (56)

7 “Nossa única esperança é o apocalipse”

O carro, numa palavra, remodelou bastante todos os espaços que unem e separam os homens… | O que McLuhan faz é “sondar” (sua palavra) e provocar (minha palavra) seus ouvintes e leitores a perceber o que eles tendem a ignorar: como nossas invenções nos moldam. (59)
McLuhan vê a humanidade retornando em uma era elétrica ao estágio pré-alfabético da vida tribal onde “ouvir é acreditar”. Quando o alfabeto entrou em cena, “ver para crer”, e quando a impressão inaugurou a Galáxia de Gutenberg de tipo móvel, o que dominou foi uma maneira linear, uniforme, conectada, contínua de abordar o mundo. (59)
…se houvesse apenas três católicos no mundo, um deles teria que ser papa. Caso contrário, não haveria igreja. Tem que haver uma autoridade de ensino ou então nenhuma igreja. (61)
Essa inovação única, o alfabeto fonético, libertou os gregos do feitiço acústico universal das sociedades tribais. O distanciamento visual através da página escrita também deu o poder do segundo olhar, o momento do reconhecimento. Isso liberou as pessoas da escravidão da vida acrítica e emocionalmente envolvida. Também fomentou o culto da competição privada e da emulação individual nos esportes e na política. A busca pelo poder privado veio rapidamente. | Hoje, o alfabeto está sendo exterminado. Está sendo eliminado eletricamente. A Igreja não sabe que seu destino está ligado à alfabetização; ela nunca soube disso. Ela tomou isso como certo porque nasceu no meio da alfabetização. (63)
A Igreja nunca reivindicou ser um lugar de segurança em qualquer sentido psicológico comum. Qualquer um que venha à Igreja com esse propósito está errado: nada desse tipo está disponível na Igreja. Nunca houve: não é esse tipo de instituição. Na velocidade da luz, não há nada além de violência possível, e a violência destrói todas as fronteiras. Até o território é violado na velocidade da luz. Não há mais lugar para se esconder. A Igreja torna-se uma Igreja da alma. (64)
A nova matriz é acústica, simultânea, elétrica — o que de certa forma é muito amigável para a Igreja. Ou seja, a união da humanidade agora é total. Todos estão agora simultaneamente no mesmo lugar e envolvidos em todos. A Igreja atual exige uma extrema não mundanidade. Mas isso é fácil agora. É fácil ser não-mundano. O que isso significa, porém, é que tudo a que estamos acostumados está obsoleto agora. (64-65)

8 “O Logos Atravessando Barreiras”: Cartas para Ong, Mole, Maritain e Culkin

Dela surgiu a ciência moderna, com a possibilidade que oferece de aumentar a sujeição da matéria e a impregnação da matéria por forças espirituais…
A imaginação diz respeito ao contato direto com os arquétipos divinos, enquanto a fantasia é meramente humana e cognitiva… a imaginação é um modo de união divina para a centelha divina incriada escondida em nosso barro corrupto…
Cada nova tecnologia é uma extensão evolutiva de nossos próprios corpos. O processo evolutivo mudou da biologia para a tecnologia em um grau eminente desde a eletricidade. Cada extensão de nós mesmos cria um novo ambiente humano e um conjunto inteiramente novo de relacionamentos interpessoais. Os ambientes de serviço ou desserviço (são complementares) criados por essas extensões de nossos corpos saturam nossa sensorialidade e são, portanto, invisíveis. Cada nova tecnologia altera assim o viés sensorial humano criando novas áreas de percepção e novas áreas de cegueira. Isso vale tanto para a roupa quanto para o alfabeto ou o rádio. (70)… os antigos atribuíam status divino a todos os inventores, uma vez que alteram a percepção humana e a autoconsciência. (71)
As consequências das imagens serão a imagem das consequências.
Quando a tecnologia Gutenberg atingiu a sensibilidade humana, a leitura silenciosa em alta velocidade tornou-se possível pela primeira vez. Uniformidade semântica definida, bem como ortografia “correta”. O leitor tinha a ilusão da individualidade separada e privada e da “luz interior” resultante de sua exposição a mares de tinta. (71)
A aceleração da impressão permitiu um desenvolvimento muito alto do centralismo burocrático na Igreja e no Estado, assim como a aceleração muito maior da eletricidade dissolve os escalões do organograma e cria um descentralismo total – mini-arte e mini-estado. Enquanto o indivíduo orientado para a impressão renascentista pensava em si mesmo como uma entidade fragmentada, a pessoa orientada para a eletricidade pensa em si mesmo como tribalmente inclusiva de toda a humanidade. Ambientes de informação elétrica sendo totalmente etéreos promovem a ilusão do mundo como uma substância espiritual. É agora um fac-símile razoável do corpo místico, uma manifestação flagrante do Anticristo. Afinal, o Príncipe deste Mundo é um grande engenheiro elétrico. (71-72)
Posso sugerir que, assim como o clero romano desertou na era Gutenberg na ilusão da luz interior, pode-se esperar que números ainda maiores desertem sob as atrações místicas da luz elétrica. Já que nossa razão nos foi dada para compreender os processos naturais, por que os homens nunca consideraram as consequências de seus próprios artefatos sobre seus modos de autoconsciência? … Há uma repugnância profunda no peito humano contra a compreensão dos processos em que estamos envolvidos. Tal entendimento envolve muita responsabilidade por nossas ações. (72)

9 Vestir-se de forma estranha e a vestimenta religiosa

Traje não é tanto “vestir-se para” as pessoas, mas “vestir” o público. (75)
Nudez não é nudez, pois o nu espera ser visto, enquanto a pessoa nua não. Na verdade, a nudez é o “despojamento” de todo poder e dignidade e ser social. Este fato chama a atenção para o vestuário como equipamento e tecnologia e potência. Vestuário, de fato, é armamento… (76)
…não se poderia dizer que os religiosos que abandonaram o traje corporativo para usar o traje privado do mero empregado estão abandonando sua função social tanto quanto qualquer agente de espionagem? … O simples fato de muitos sentirem a necessidade de abandonar o costume de serviço social e ministério corporativo em favor do anonimato da mera vestimenta, pode ser um sinal do tempo em que o ambiente oculto do Corpo Místico pode mais uma vez recorrer a um ministério invisível. (77)
O místico pode ter que assumir o meio-termo entre a ostentação e a pobreza que é, ou costumava ser, a respeitabilidade da classe média. É aqui que “international heterogêneo” pode ser de alguma ajuda para revelar uma estratégia de uma criança antimundana. (77)

10 Consciência Elétrica e a Igreja

Um senso de identidade substancial privada – um eu – é até hoje totalmente desconhecido para as sociedades tribais. (80)
Uma das coisas surpreendentes sobre a tecnologia elétrica é que ela recupera as formas mais primitivas, as mais antigas de consciência como contemporâneas. Não há mais “passado” na cultura elétrica: todo “passado” é agora. E não há futuro: já está aqui. Você não pode mais falar geograficamente ou ideologicamente em um simples tempo ou lugar. (80)
O efeito da TV sobre os jovens de hoje é esfregar suas identidades privadas. O problema da identidade privada versus envolvimento tribal tornou-se uma das cruzes do nosso tempo. (80-81)
Eu mesmo tenho plena consciência de que há um grande contraste entre a confrontação perceptiva e conceitual; e acho que a “morte do cristianismo” ou a “morte de Deus” ocorre no momento em que se tornam conceito. Enquanto permanecerem perceptíveis, envolvendo diretamente o observador, estarão vivos. (81)
Jó não estava trabalhando em uma teoria, mas em uma percepção direta. (…) Todo o entendimento estava contra ele; todo o conceito estava contra ele. Ele estava percebendo diretamente uma realidade, que lhe foi revelada. (81)
A teologia é um dos “jogos que as pessoas jogam”, no sentido de sua teorização. Mas usando percepção direta e envolvimento direto com a realidade de uma coisa revelada – não precisa haver teologia no sentido comum da palavra. (81)

Cristo é o meio e a menssagem.

Conceitos são maravilhosos amortecedores para evitar que as pessoas confrontem qualquer forma de percepção. A maioria das pessoas é incapaz de perceber os efeitos da mídia cultural comum ao seu redor porque suas teorias sobre mudança as impedem de perceber a própria mudança. (83)
A necessidade de participação em grupos e formas sociais sempre requer algum código, seja verbalizado ou na forma de trajes e vestimentas, como meio de envolvimento em uma ação comum. (83)
As coisas costumam mudar gradualmente o suficiente para serem imperceptíveis; hoje os padrões de mudança estão se declarando muito vívidos por causa da velocidade com que ocorrem. É daí que vem a poluição: a poluição é apenas a revelação de uma situação que muda em alta velocidade. (84)
…a participação hoje é um padrão universal no qual o público se torna ativo. Não há mais audiência em nosso mundo. Neste planeta, todo o público se tornou ativo e participante. (84)
O cristianismo definitivamente apóia a ideia de uma substância metafísica privada e independente do eu. Onde as tecnologias não fornecem nenhuma base cultural para este indivíduo, então o cristianismo está em apuros. Quando você tem uma nova cultura tribal confrontando uma religião individualista, há problemas. (85)
…a Igreja como instituição não tem futuro relevante. … O cristianismo – de forma centralizada, administrativa e burocrática – é certamente irrelevante. (85)
Mito é qualquer coisa vista em velocidades muito altas; qualquer processo visto em altíssima velocidade é mito. Eu vejo o mito como o super-real. O mito cristão não é ficção, mas algo mais do que ordinariamente real. (86)

11 “Uma guerra peculiar para lutar”: Carta a Robert J. Leuver, C.M.F.

Acompanhando a total e, talvez, motivada ignorância dos ambientes criados pelo homem, está o fracasso dos filósofos e psicólogos em geral em perceber que nossos sentidos não são receptores passivos da experiência. (91)
Quando um novo problema se torna maior do que a escala humana pode lidar, a mente instintivamente encolhe e dorme. (91)
Não há mal em nos lembrarmos de tempos em tempos que o “Príncipe deste Mundo” é um grande homem de relações públicas, um grande vendedor de novos hardwares e softwares, um grande engenheiro elétrico e um grande mestre da mídia. . É Seu golpe de mestre ser não apenas ambiental, mas invisível, pois o ambiente é invencivelmente persuasivo quando ignorado. (93)
…a riqueza cria pobreza, assim como o público cria privacidade… (93)
O princípio da complementaridade é indispensável para compreender os efeitos inconscientes das tecnologias sobre a sensibilidade humana, uma vez que a resposta nunca é igual à entrada. Este é o tema da Galáxia de Gutenberg, onde é explicado que a pessoa visualmente orientada enfatiza a correspondência em vez de fazer em toda a experiência. É essa correspondência que muitas vezes é confundida com a verdade em geral. (93)

12 Religião e Juventude: Segunda Conversa com Pierre Babin

…ensinamos o catecismo como se estivéssemos tentando fazer as pessoas engolirem uma noz sem antes quebrar a casca. (94)
Percebi que o real objetivo de quem vai a esses encontros não é óbvio; poderia ser sobre o isolamento de si mesmo, perdendo-se na multidão, tanto quanto sobre a satisfação de quaisquer necessidades comunitárias. | Outro paradoxo: enquanto nossa espiritualidade passada era composta de manifestações externas, como roupas individuais e locais de culto designados, a nova forma espiritual parece enfatizar a experiência interior e de grupo. (96)
O cristianismo trata de transformar a imagem que temos de nós mesmos. (97)
A verdadeira mensagem da Igreja não está nos efeitos secundários ou colaterais da Encarnação, isto é, na penetração de Cristo em toda a existência humana? Então a pergunta é: onde você está em relação a essa realidade? (102)
Em Jesus Cristo, não há distância ou separação entre o meio e a mensagem: é o único caso em que podemos dizer que o meio e a mensagem são totalmente um e o mesmo. (103)
Dizer que o Verbo se fez carne em Jesus Cristo é a afirmação teológica; é a figura (no sentido gestáltico). Mas dizer que Cristo toca todos os homens – mendigos, vagabundos, desajustados – é falar de fundamento, isto é, da multidão de efeitos secundários que temos tanta dificuldade em perceber. (104)

Pa

Parte III Vaticano II, Liturgia e Mídia
13 Liturgia e o microfone

O Cinturão da Bíblia é território oral e, portanto, desprezado pelos literatos.

…o espaço auditivo significa ouvir de todas as direções ao mesmo tempo… (107)

A TV tem o poder de processar o olho como se fosse um ouvido. (110)
Esta é a natureza do espaço acústico, que é constituído por seu centro estar em toda parte e sua margem estar em lugar nenhum. Sem o microfone o orador está em um único centro, enquanto com o microfone ele está em todos os lugares simultaneamente – um fato que “obsolece” a arquitetura de nossas igrejas existentes. (110)
Em uma palavra, o microfone faz com que os adoradores exijam um grupo íntimo e pequeno de participantes. Por outro lado, o microfone, que torna tão fácil para um orador ser ouvido por muitos, também o proíbe de exortar ou ser veemente. O microfone é realmente um meio legal. (112)
…o microfone é incompatível com exortação veemente ou admoestação severa. Para um público que participa eletricamente de uma situação completamente acústica, os alto-falantes trazem os sons do pregador de várias direções ao mesmo tempo. A estrutura de nossas igrejas está obsoleta pelo sistema multidirecional de alto-falantes da mídia, e a antiga distância entre o orador e o público se foi. A audiência está agora em relação imediata com o orador, fator que também faz com que o celebrante se volte para a congregação. Esses aspectos principais da mudança litúrgica foram imprevistos e não planejados e permanecem não reconhecidos pelos usuários do sistema de microfone em nossas igrejas. (114)
O homem eletrônico começa com o efeito desejado e depois procura os meios para esses efeitos, enquanto a velha cultura visual aceitava todos os meios disponíveis como uma espécie de destino ou destino irreversível que o impelia a padrões mutáveis, independentemente dos custo.
Sem tentar avaliar as vantagens e desvantagens do mundo visual cuja estrutura dominou os últimos séculos, é importante saber que a estrutura visual não é compatível com o livre jogo de informações e padrões simultâneos de experiência. Sob condições visuais, ter uma meta ou objetivo não é a mesma coisa que antecipar efeitos. O construtor de uma igreja ou universidade pode muito bem começar com alguma idéia dos efeitos que deseja criar, mas em velocidades muito altas de tráfego e de movimento populacional e de informação, as estruturas mais augustas podem deixar de ser ambientes de serviço dentro de uma única vida. período. Mesmo antes de tal obsolescência ocorrer, os responsáveis ​​por esses serviços podem inadvertidamente introduzir técnicas subsidiárias que perturbam toda a estrutura. Assim, neste século, o telefone tornou inoperante o organograma de muitas grandes empresas, e o microfone introduziu na liturgia efeitos que ninguém esperava ou planejava. (114-115)
Um dos maiores paradoxos do nosso tempo é a doença universal de ser indesejado. … Os mesmos meios elétricos que nos envolvem profundamente nos outros, quase eliminando o espaço e o tempo em nossas vidas – esses mesmos meios também nos privam da maior parte do que havia sido considerado identidade e individualidade privada nos últimos séculos. (115)…a perda da identidade privada significa a perda de metas e objetivos fortemente previstos, acompanhados por uma ânsia de desempenhar uma variedade de papéis na vida de outras pessoas. A necessidade de ser “querido” pelos outros vem com a perda da identidade privada e também da comunidade. Em um mundo de rápido movimento e mudança, todo mundo é um ninguém, … Em termos litúrgicos, a perda da identidade significa a perda das vocações clericais, e a permissividade moral significa a perda da necessidade de se confessar. (116)

14 Liturgia e mídia: os americanos vão à igreja para ficar sozinhos?

Existe um conflito insolúvel entre o papel da Igreja de mudar o homem e o poder da cultura racional greco-romana de inventá-lo e mantê-lo fixo? (118)
O lar é para privacidade em todo o mundo, exceto na América. … os jovens estão abandonando as formas estabelecidas de buscar privacidade fora e comunidade dentro de casa. (119)
A América está se tornando mais voltada para o produtor do que para o consumidor, e isso se relaciona à mídia por um lado e à liturgia por outro. (120)
A fala é a forma codificada da percepção coletiva e sabedoria de incontáveis ​​homens. A fala não é a área de teoria ou conceito, mas de performance e percepção. (123)
Os EUA são o único lugar no mundo onde o homem ocidental foi alfabetizado desde o início. (127)
Nenhum homem pré-letrado jamais experimentou o isolamento e a individualidade peculiares do homem letrado ocidental. Os hebreus pré-cristãos não a tinham. O oriental não tem agora. (128)
Além daqueles moldados pelo alfabeto fonético, a condição universal do homem tem sido corporativa, tribal e familiar. (128)
Pois comunicação é mudança, e o cristianismo se preocupa acima de tudo e em todos os momentos com a necessidade de mudança no homem. (128)
…assim que os homens identificaram Deus com Sua criação, eles também glorificaram sua própria obra como extensões de Deus. A fusão inicial de Deus e Suas criaturas pode ter começado com arte e tecnologia. (129)
Como os teólogos não parecem interessados, sinto-me impelido a perguntar se a Igreja tem algum vínculo inerente e inseparável com a tradição de civilização greco-romana. (129)
…enquanto a Igreja, ao longo dos séculos, lutou pelo centralismo e pelo consenso à distância dos fiéis, a situação elétrica acaba com toda distância e, ao mesmo tempo, acaba com os numerosos meios burocráticos do centralismo. … Ocorre um descentralismo completo que exige novas manifestações de autoridade de ensino, como a Igreja nunca antes expressou ou encontrou. (134)

15 “Alcançando Relevância”: Cartas para Toupeira e Sheed

A transformação elétrica nos faz resistir e rejeitar a velha cultura visual, independentemente de seu valor ou relevância. (137)
A obsolescência nunca significou o fim de nada – é apenas o começo. (139)
As formas eletrotécnicas não fomentam a civilização, mas a cultura tribal. (139)

16 Liturgia e Mídia: Terceira Conversa com Pierre Babin

Os vários oradores simplesmente contornaram a distância tradicional entre o pregador e o público. Os dois estavam subitamente em relação imediata um com o outro, o que obrigou o padre a enfrentar a congregação. (144)
Uma linguagem é a forma codificada das percepções coletivas e da sabedoria de muitas pessoas. E, a poesia e a canção são os principais meios pelos quais uma língua se purifica e se revigora. (144)
A linguagem é, por assim dizer, o grande meio orgânico e coletivo que assimila e organiza o caos da experiência cotidiana. A linguagem é o órgão consciente da imaginação auditiva onde ocorrem inúmeras mudanças e ajustes, assim como os sonhos na noite purgam a experiência diária. (145)
Sempre considerei que, uma vez que as pessoas conhecessem a Verdade, poderiam produzir coisas bonitas, pelo menos se quisessem. (148)

Parte IV A Igreja do Amanhã

17 Humanismo Católico e Letras Modernas

Quando olhamos para qualquer situação através de outra situação, estamos usando metáforas. (154)
… do século XIX que sua distinção não estava tanto na chegada a qualquer descoberta particular, mas na descoberta da própria técnica de descoberta. (156)
A impressão foi um golpe tão selvagem para uma cultura estabelecida há muito tempo quanto o rádio, o cinema e a TV foram para a cultura baseada no livro impresso. (161)
…as sociedades pré-alfabetizadas baseadas no monopólio da palavra falada são estáticas, repetitivas, imutáveis. … a escrita é a tradução do vocal ou audível em forma espacial. A escrita dá controle sobre o espaço. A escrita produz ao mesmo tempo a cidade. O poder de moldar o espaço na escrita traz o poder de organizar o espaço arquitetonicamente. (161-162)
Os impérios de Alexandre e dos césares foram construídos essencialmente por rotas de papel. Mas hoje, com as comunicações globais instantâneas, todo o planeta é, para fins de intercomunicação, uma aldeia e não uma vasta rede imperial. É óbvio que a escrita não pode ter para nós o mesmo significado ou função que teve para as culturas anteriores. (162)
…qualquer canal de comunicação tem um efeito distorcido nos hábitos de atenção; constrói uma forma distinta de cultura. A página impressa, por exemplo, é extremamente abstrata em comparação com a palavra falada ou com a comunicação pictórica. A página impressa criou o estudioso solitário e a separação entre literatura e vida que era praticamente inédita antes dos livros impressos. A página impressa promove o individualismo extremo em comparação com as sociedades manuscritas. (163)
…o protestante não pode deixar de ter uma visão diferente da passagem da preeminência do livro impresso, porque o protestantismo nasceu com a impressão e parece estar passando com ela. Lá, novamente, o católico sozinho não tem nada a temer da rapidez das mudanças nos meios de comunicação. Mas as culturas nacionais têm muito a temer. Na verdade, é difícil ver como qualquer cultura nacional como tal pode resistir por muito tempo aos novos meios de comunicação. (163)
É popular ou impopular atacar a publicidade. Mas é inédito levá-lo a sério como uma forma de arte. Pessoalmente, vejo isso como uma forma de arte. E, como a arte simbolista, é criada para produzir um efeito em vez de argumentar ou discutir os méritos de um produto. (163)
O que os anunciantes descobriram é simplesmente que os novos meios de comunicação são eles próprios formas de arte mágicas. Toda arte é, em certo sentido, mágica na medida em que produz uma mudança ou metamorfose no espectador. Isso remodela sua experiência. Em nossa maneira feliz de tapa, liberamos grande parte dessa magia em nós mesmos hoje. Estamos mudando a nós mesmos em um grande ritmo como Alley Oop. Alguns de nós foram deixados pendurados pelas orelhas nos candelabros. (164)
É interessante que poetas e artistas não tenham nenhuma das objeções à inovação técnica que a maioria dos homens experimenta. (164)
O filme reconstrói o mundo externo da luz do dia e, ao fazê-lo, fornece um mundo interior de sonhos. Hollywood significa “bosque sagrado”, e desse bosque moderno surgiu um novo panteão de deuses e deusas para moldar e perturbar os sonhos do homem moderno. (165)
Não se deve surpreender que o cinema sempre tenha sentido a necessidade natural e inevitável de inserir uma “história” na realidade para torná-la emocionante e “espetacular”.
(…) o neorrealismo, parece-me, é ter percebido que a necessidade da “história” era apenas uma maneira inconsciente de disfarçar uma derrota humana, e que o tipo de imaginação que ela envolvia era simplesmente uma técnica de sobreposição de fórmulas mortas sobre fatos sociais vivos. Agora percebeu-se que a realidade é imensamente rica, que basta olhar diretamente para ela; e que a tarefa do artista não é deixar as pessoas comovidas ou indignadas com situações metafóricas, mas fazê-las refletir (e, se preferir, emocionar e indignar também) sobre o que elas e outros estão fazendo, sobre as coisas reais, exatamente como são. (166)
O desejo avassalador do cinema de ver, de analisar, sua fome de realidade, é um ato de homenagem concreta a outras pessoas, ao que está acontecendo e existindo no mundo. E, aliás, é o que distingue o “neo-realismo” do cinema americano. (167)
…a percepção humana é literalmente encarnação. (169)
Sugiro que nossa fé na Encarnação tem uma relevância imediata para nossa arte, ciência e filosofia. Desde a Encarnação, todos os homens foram tomados pela poesia de Deus, o Logos Divino, o Verbo, Seu Filho. Mas só os cristãos sabem disso. E sabendo disso, nossa própria poesia, nosso próprio poder de encarnar e proferir o mundo, torna-se um precioso prenúncio da Encarnação Divina e do Evangelho. Podemos ver como todas as coisas foram literalmente cumpridas em Cristo, especialmente nossos poderes de percepção. E em Cristo podemos olhar com mais segurança e firmeza para o conhecimento natural que ao mesmo tempo se tornou mais fácil e também menos importante para nós. (169)

18 O cristão na era eletrônica

Capítulo 8 A Igreja do Amanhã. Quando o tempo e o espaço foram eliminados pela comunicação elétrica, a Igreja se torna uma como nunca antes. (177)

19 Wyndham Lewis: Lemuel em Lilliput

Basicamente, então, uma sociedade que é hostil à arte é hostil à vida e à razão. (193)

20 As Máquinas Criadoras de Deus do Mundo Moderno

A situação revolucionária que enfrentamos parece ter sugerido a Lindberg que a máquina feita pelo homem é o novo universo para a criação de deuses. E enquanto a máquina da natureza fez os deuses que escolheu, as máquinas do homem aboliram a natureza e nos permitem fazer os deuses que escolhermos. talvez uma maneira melhor de dizer isso seria sugerir que a tecnologia moderna é tão abrangente que aboliu a Natureza. A ordem do demoníaco cedeu à ordem da arte. (198)

21 Confrontando o Secular: Carta a Clement McNaspy, S.J.

22 A Igreja do Amanhã: Quarta Conversa com Pierre Babin

A nova vocação é difícil de visualizar: é sobretudo uma exigência interior. Não faz muito tempo, tivemos a ideia de um objetivo único ou chamado na vida. No entanto, os jovens não podem mais aceitar isso. Eles se recusam a ser aprendizes de uma carreira projetada para durar uma vida inteira. Eles querem ter mais de uma vocação. E todo o nosso sentido de tempo está mudando. (205)
Ainda estamos discutindo as coisas em nível de hardware, com fórmulas rígidas, e esquecemos o essencial, o software, nossa atenção interior dirigida a Jesus Cristo. Além disso, em vez de unidade, corremos o risco de ainda mais fragmentação. A solução não consiste em reintroduzir elementos protestantes inspirados pela revolução de Gutenberg na Igreja Católica. Devemos almejar outro tipo de unidade. (208)
Quando a linguagem comum é usada na Missa, graças ao microfone, a congregação e o orador se fundem em uma espécie de bolha acústica que envolve a todos, uma esfera com centros em todos os lugares e margens em nenhum lugar. Sem microfone, o orador fica em um só lugar; com o microfone, ele vem até você de todos os lugares ao mesmo tempo. Estas são as dimensões reais da unidade acústica. (208)
A ocidentalização da Igreja, o fato de ter sido fundada sobre uma base greco-romana, portanto visualmente orientada, fez com que desde o início noventa por cento da raça humana fosse excluída da Igreja. Apenas uma parcela muito pequena das pessoas vivas na época tinha acesso ao cristianismo. Hoje, graças à informação elétrica, à velocidade das comunicações, aos satélites, o cristianismo está ao alcance de todos os seres humanos. Pela primeira vez na história, toda a população do planeta pode ter acesso instantâneo e simultâneo à fé cristã. (209)

— VIA —

Ler McLuhan não é tarefa fácil. Portanto, muitas das notas que dei aqui são provocações que valem a pena considerar, interpretar e desconstruir, mais do que realmente “entender” (embora haja muito cativante). Há também muito com o que discordar e insistir. Independentemente disso, o valor do engajamento e da agitação mental vale a pena. Se a fé, por ex. “religião” (ou seja, “a luz”) deve brilhar, devemos estar dispostos a fazer perguntas sobre as outras formas de luz que estão monopolizando nossa humanidade. É a essa tarefa que McLuhan nos leva. Sou verdadeiramente grato por seu trabalho e pelas maneiras pelas quais novas refrações intelectuais e espirituais são iluminadas que, sem um “McLuhan”, podem ter permanecido invisíveis.

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O lado místico de Marshall McLuhan

por: Peter Feuerherd  15 de Junho, 2017

Os teóricos da comunicação geralmente não merecem celebridade internacional, com uma exceção gigante. Durante a década de 1960, e até sua morte em 1980, o professor e autor canadense Marshall McLuhan provavelmente se tornou parte do discurso dos coquetéis e um nome familiar.
McLuhan, nascido em 21 de julho de 1911, converteu-se ao catolicismo romano em 1937. Depois de estudar em Cambridge, lecionou na Universidade de Toronto, onde começou a explorar o mundo pós-guerra das comunicações modernas. Ele ficou fascinado com a vida de seus próprios filhos, que descobriu que haviam ido além da cultura impressa em que foi criado. Eles assistiam à televisão recém-criada, ouviam rádio, liam e realizavam várias tarefas de maneiras que cativaram seu pai professor. .
O conceito de assinatura de McLuhan era que qualquer novo meio de comunicação altera toda a perspectiva das pessoas que o utilizam. Ele viu o recém-emergente meio de televisão transformando o mundo no que ele chamou de aldeia global, destruindo bolsões isolados de identidades raciais e étnicas, forjando novas narrativas compartilhadas por populações inteiras, que estavam retornando às formas pré-impressas de ouvir e experimentar histórias.

McLuhan expressou em particular sua dívida com o místico, cientista e teólogo jesuíta Teilhard de Chardin

Esses conceitos atingiram os Estados Unidos em meados da década de 1960 com um estrondo. Dizia-se que as teorias de McLuhan explicavam a diferença de gerações. As corporações lhe pagavam grandes somas para dar palestras aos executivos sobre seus modelos de negócios (ele costumava dizer que eles não tinham ideia do que estavam fazendo). Ele foi destaque em dezenas de artigos de revistas e jornais. Intelectuais (e aspirantes a intelectuais) cogitavam os provérbios de McLuhan, como “o meio é a mensagem”. Ele até discutiu suas teorias em uma aparição na comédia romântica de Woody Allen, de 1977, Annie Hall.

Mas havia uma parte do McLuhanismo que permaneceu escondida do público em geral, de acordo com o autor Tom Wolfe. McLuhan expressou em particular sua dívida com o místico, cientista e teólogo jesuíta Teilhard de Chardin por inspirar muitas de suas teorias. McLuhan viu suas teorias como uma época em que todas as pessoas se tornariam parte do corpo de Cristo, uma unidade criada pelos avanços tecnológicos. Teilhard, que morreu em 1955, era conhecido por seus ensinamentos que olhavam para a evolução darwiniana não como um inimigo da fé religiosa, mas como evidência do projeto de Deus para a evolução da humanidade.
McLuhan manteve essa influência fora de seus escritos e discursos públicos. Wolfe diz que provavelmente fez isso em resposta às batalhas regulares de Teilhard com as autoridades católicas, que frequentemente viam suas opiniões como contrárias à fé e tentavam suprimi-las. Ensinando em uma faculdade católica, McLuhan pode ter sido reticente por medo de sua própria posição.
McLuhan também viu que citar um jesuíta místico seria um beco sem saída para o público secular, que suspeitaria de um ponto de vista religioso permeando o reino da teoria da comunicação.
De qualquer forma, McLuhan desfrutava do status de guru, invocado regularmente e ponderado pela intelectualidade do mundo. Suas teorias foram aplicadas pelos inovadores da internet emergente da década de 1990, que viram em McLuhan uma visão de como seu próprio meio estava transformando o mundo. Anos após sua morte, a foto de McLuhan adornou o cabeçalho da Wired, o Evangelho impresso da internet, uma homenagem a como um antigo professor de literatura obscuro transformou a maneira como o mundo vê a comunicação. O impacto de seu pensamento, observa Wolfe, não pode ser superestimado, semelhante ao de Freud ou Einstein.

Paixão e Precisão: A Fé de Marshall McLuhan

A Igreja Católica não depende da sabedoria humana ou de estratégias humanas para sobreviver. Nem todas as melhores intenções do mundo podem destruir a Igreja Católica! É indestrutível, mesmo como instituição humana. Pode mais uma vez sofrer uma terrível perseguição e assim por diante. Mas isso é provavelmente o que ele precisa.

– Marshall McLuhan

Precisão

Esta é uma declaração dura e uma base sólida para a vida e obra de Marshall McLuhan. Muito mais do que “um fragmento escorado contra a própria ruína”, como disse T. S. Eliot sobre seus encontros com a verdade, a fé de McLuhan era uma totalidade perfeita que informava e moldava seus pensamentos e sua vida.
Quando entrevistei o jornalista americano Tom Wolfe para um programa de rádio sobre McLuhan, perguntei-lhe como ele havia percebido McLuhan em seu primeiro encontro em um restaurante da moda em Nova York cheio de celebridades. Wolfe fez uma pausa e refletiu por um momento e, com seu jeito lento e pensativo, disse:
“McLuhan caminhou direto para nossa mesa absolutamente imperturbável pelos rostos famosos ao nosso redor. Imediatamente senti uma aura de espiritualidade ao redor dele, algo que não consegui definir exatamente; mais tarde, durante nossa conversa, apareceu claramente: este era um homem com uma missão.”
“Um homem com uma missão” é o título que dei ao programa de rádio porque eu havia experimentado pessoalmente várias vezes em meus encontros com McLuhan a presença da certeza.
McLuhan não transmitiu essa impressão ou sentimento de certeza com palavras. Raramente conversávamos diretamente sobre religião. E, no entanto, não conheço nenhuma experiência, nenhuma leitura ou qualquer conversa com alguém que tenha uma influência mais determinante em minha própria fé do que a calma certeza de Marshall sobre o que realmente importava na vida. Foi tão forte que até hoje estou convencido de que a comunicação da fé ainda é uma questão de misteriosos contatos pessoais, apesar dos poderosos meios de comunicação à disposição da Igreja hoje para a evangelização em massa.
Marshall, sendo uma pessoa privada, não ofereceu informações sobre si mesmo e talvez seja por isso que ele não falou sobre sua fé prontamente. No entanto, ele nunca recusou a ocasião de afirmá-lo quando foi chamado a fazê-lo em público ou em privado. Muitas vezes eu o ouvi responder à pergunta, geralmente feita em tom desnorteado: “Você é realmente católico?” com: “Sim, sou católico, convertido, da pior espécie”, deixando o questionador mais perplexo do que antes. Você podia sentir seu orgulho e sua diversão ao mesmo tempo nessa resposta padrão que, no entanto, era sempre nova por causa do contraste renovado entre a sofisticação das preocupações mundanas e a simplicidade e humor dessa declaração.

A fé, é claro, não é algo que pode ser facilmente expresso em palavras nos melhores momentos. Lembro-me de que certa vez, pressionado por uma sobrecarga de preocupações, no meio de uma conversa sobre a adaptação francesa de seu livro From Cliche to Archetype, lhe fiz uma das poucas perguntas pessoais diretas que já fiz a ele: “Marshall, o que a fé significa para você?” e ele respondeu logo, na verdade, uma definição simples: “Atenção, a fé é prestar atenção, não apenas aos clichês da religião, mas ao fundamento do homem total, que é o arquétipo. Você chega à fé pela oração e prestando atenção.”
Em uma das poucas declarações publicadas sobre este assunto, ele explicou a Pierre Babin durante uma entrevista em “Mídia e Liturgia” que “… oração e liturgia são uma e a mesma coisa. Eles são o único meio de entrar em sintonia, ouvir Cristo e colocar o homem inteiro em jogo”. No decorrer desta entrevista, ele se refere à imagem de “sintonizar-se” com a fé, insinuando que a possibilidade está sempre lá, mas que é tarefa do cristão preparar-se para a comunicação. Mais tarde na entrevista, ele deu sua própria interpretação da declaração enigmática de São João: “Aquele que tem ouvidos para ouvir, que ouça”. Como não tive acesso às transcrições originais da entrevista em inglês, sou obrigado a retraduzir McLuhan em seu próprio idioma, algo de que tenho sido perversamente acusado pelos críticos de Marshall:
“Está tudo no Evangelho segundo São João: ‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça’; isto é, que sintonize no canal certo! No entanto, a maioria das pessoas não tem ouvidos para ouvir, mas apenas para ouvir. Ouvir é apenas prestar atenção com os olhos, por assim dizer, ou seja, compreender como as palavras chegam até você. Mas isso não é ouvir, isso não é estar “em sintonia” com a comunicação. O próprio Cristo usa essa metáfora. Ele faz uma distinção entre ouvir e ouvir. Os escribas eram ‘ouvintes’, eles estavam olhando para palavras escritas: ‘Está escrito isso e aquilo… e você diz isso e aquilo.’ Mas eles não tinham a menor idéia. Eles usaram seus ouvidos não para ouvir, mas apenas para ouvir. Isso é o que acontece hoje: você pode ter todos os títulos necessários e ainda assim permanecer incapaz de sintonizar corretamente.
“Cristo também disse: ‘As minhas ovelhas conhecem a minha voz. Conheço minhas ovelhas e elas conhecem minha voz. Mas se você não pode me ouvir, você não pertence ao meu rebanho.” Esse tipo de coisa é dito muitas vezes no Evangelho: essas pessoas não pertencem ao meu rebanho, elas não ouvem. Se ouvem a minha voz, é porque o Pai deixou. Em outras palavras, o Pai os programou de dentro para ouvir a Cristo. Você encontra isso em toda parte em São João, a noção de que o Pai deu a Cristo certas pessoas para ouvi-lo, enquanto os outros estão apenas ouvindo; eles não podem sintonizar. Eles não entendem nada. É um grande mistério!”
Esta passagem continua sendo uma das poucas descrições completas do que parece ser o acesso do próprio Marshall à sua fé, e também uma base para sua preocupação vitalícia com a natureza acústica da mídia moderna.

Tentando entender as intrigantes contradições nas opiniões religiosas e seculares de seus contemporâneos, o pensador francês do século XVII, Blaise Pascal, chegou à conclusão de que havia duas formas principais e muitas vezes mutuamente exclusivas de acesso ao conhecimento e à percepção. Ele chamou um de l’esprit de geometrie – a mente da geometria – e o outro, l’esprit de finesse o espírito do entendimento – que ele também chamou de “le coeur”, o conhecimento do coração. A definição de fé de Pascal é também um dos seus “Pensees” mais citados:
É o coração que sente Deus e não a razão. A fé é isso: Deus tornado acessível ao coração, não à razão. (LAFUMA 424)
Uma longa tradição de filosofia conseguiu nos proteger contra a confiança em nossas emoções para o ordenamento confiável de nosso conhecimento e percepção, mas talvez o que Pascal queira dizer, embora use a metáfora agora sentimental do coração, não seja uma emoção, afinal de contas. pelo menos não uma única emoção, mas a própria natureza da própria compreensão. Nunca soube que McLuhan confiasse nem por um momento na mente da geometria para qualquer coisa que exigisse compreensão. O que Pascal chamou de l’esprit de finesse, ele chamou por uma simples palavra em inglês: percepção. Embora eu não tenha motivos para pensar que ele não respeitasse profundamente a tradição teológica e os dogmas da Igreja, ele não a relacionava com questões de fé sem sempre tentar trazer uma relação perceptiva com a prática da vida cristã cotidiana. É o que transparece nesta aplicação do meio e do tema da mensagem para a compreensão da Bíblia:
“Dizer que o Verbo se fez carne em Jesus Cristo é um conceito teológico. É a figura. Mas dizer que Cristo chega a todos os homens, vagabundos, mendigos e fracassados, esse é o fundamento, ou seja, uma série de efeitos secundários, ocultos, que não percebemos facilmente. Na verdade, é somente quando o cristianismo é uma experiência viva de que o meio realmente se torna a mensagem. Nesse nível, figura e fundo se encontram novamente. Isso vale também para a leitura da Bíblia: muitas vezes falamos sobre o conteúdo das Escrituras, pensando que esse conteúdo é a mensagem. Mas isso não é assim. O conteúdo real da Bíblia é a pessoa que está lendo a Bíblia. Alguns, ao lerem, ‘ouvem’, outros não. Todos são usuários da palavra de Deus, todos são seu conteúdo, mas poucos realmente percebem a mensagem. Essa mensagem não são as palavras, mas os efeitos dessas palavras em você. É conversão.”

Conversão

Convertidos e conversões são grandes na vida de McLuhan. Sua entrada oficial na Igreja Católica aos 25 anos ocorreu em Cambridge na Quinta-feira Santa de 1936, mas ele havia começado sua conversão muito antes. Segundo a história, tudo pode ter começado em uma livraria de usados ​​em Edmonton, onde McLuhan estava procurando livros com seu amigo de longa data, o economista Tom Easterbrook. Easterbrook me disse que, quando ambos saíram da loja, compararam o que haviam comprado. Marshall tinha um livro-texto de economia e pegou, sem saber exatamente por quê, O que há de errado com o mundo?, de Chesterton? Ambos olharam para seus livros e depois um para o outro, e Easterbrook disse a Marshall, entregando-lhe o Chesterton: “Isso parece mais com o seu tipo de coisa; por que não trocamos?” Eles fizeram exatamente isso e Marshall começou a ler o livro de uma vez, e tudo o mais que ele pôde encontrar por Chesterton, Hilaire Belloc e outros católicos controversos.
Como convém tanto às inclinações pessoais de McLuhan quanto ao assunto em questão, todas as informações que reuni sobre sua conversão pertencem à tradição oral, provenientes de entrevistas com Morris McLuhan, seu irmão, seu filho Eric, Tom Easterbrook e o padre John Kelly.
Morris McLuhan me contou sobre os primeiros anos de crescimento como batista, temendo o Papa e a Igreja Católica como a encarnação do Diabo e o caminho certo para a condenação eterna. Os vizinhos ao lado dos McLuhan em Edmonton eram católicos e, de acordo com Morris, as crianças foram mantidas a uma distância segura do contato pessoal com eles. O pai de Marshall era “um camponês gentil de Owen Sound que havia perdido seu chamado para o ministério, mas que conseguiu inspirá-lo em Morris, que se formou em Teologia no Emmanuel College em Toronto e se tornou ministro da Igreja Unida por vinte e cinco anos. cinco anos.”
A mãe de Marshall, de acordo com muitos relatos, foi a força motriz por trás de sua energia, sua curiosidade intelectual e sua atitude muitas vezes rebelde em relação às autoridades estabelecidas, particularmente em questões relacionadas a ideologias. Elsa McLuhan, como Easterbrook a chama, tinha uma personalidade muito forte e um grande interesse pelas artes dramáticas. Ela estudou artes dramáticas em Winnipeg para se tornar mais tarde a “Ruth Draper do Canadá”, organizando excursões para o leste e o oeste durante a Depressão, falando e atuando em shows de uma só mulher na frente de inúmeras congregações. Morris afirma que quando percorreu o país em seu ministério, “não havia um púlpito de onde falar, onde ela não tivesse pregado antes”. Ela tinha uma bela voz e Morris mencionou que ela sabia ler as Escrituras de uma maneira tão significativa que causou uma impressão duradoura nas duas crianças. Mas ela também encorajou a leitura da literatura inglesa, particularmente em Marshall, porque ela podia sentir e fomentar um interesse crescente pelo poder e pela beleza da linguagem. De fato, Morris tem razões para acreditar que a influência literária dos poetas e o estilo de Belloc e Chesterton tiveram um impacto maior na conversão de Marshall do que qualquer consideração teológica em particular.
Enquanto fazia seus estudos de graduação na Universidade de Manitoba em Winnipeg, McLuhan se interessou pelo Movimento de Rearmamento Moral, que estava ganhando força durante os anos trinta. No entanto, ele não foi atraído por seus elementos mais sensacionais de conversões e fidelidades dramáticas, mas como fonte de material para debates universitários contra os defensores do socialismo e das teorias marxistas. Ele era um debatedor feroz e Morris lembra que foi frequentemente acusado de adotar uma posição católica romana por seus adversários. Isso causou pouca impressão na época, porque ele nem estava considerando então a questão da fé, muito menos a ideia de se converter. Isso veio mais tarde, principalmente enquanto ele estava em Cambridge e entrou em contato mais próximo com os escritos de Chesterton e com Tomás de Aquino através dos primeiros trabalhos de Etienne Gilson.
A conversão foi preparada por dois anos de oração, mas aconteceu de repente. Eric diz que em algum momento antes da Semana Santa em 1936, seu pai estava entre amigos no Trinity Hall e ele estava falando, novamente, sobre religião. Nesse momento, um dos atendentes lhe disse: Marshall, já que você não consegue parar de falar dessas coisas, por que não se converte?” Marshall olhou para ele e disse: “Por que não?” e algumas semanas depois tornou-se católico. Ele então escreveu a seu pai que ficou profundamente perturbado pelo fato de não ter fé durante seus anos de graduação no Canadá e que havia orado por dois anos, de joelhos, antes de tomar a decisão de se tornar católico. . Ele esperava que essa decisão não ferisse os fortes sentimentos batistas de seu pai. A reação de Herbert McLuhan foi moderada, mas a mãe de Marshall começou a chorar e disse que ele nunca se tornaria reitor de universidade. A avaliação de Morris sobre o longo processo foi que, além das influências literárias, foi a continuidade da Igreja Católica e os sacramentos que determinaram a conversão e não os argumentos teológicos. As próprias palavras de McLuhan para Edward Wakin confirmam essa intuição:

“Eu nunca entrei na igreja como uma pessoa que estava aprendendo doutrinas católicas. Eu entrei de joelhos. Essa é a única maneira de entrar. Quando as pessoas começam a orar, elas precisam de verdades; isso é tudo. Você não entra na Igreja por meio de ideias e conceitos, e não pode sair por mero desacordo. Tem que ser uma perda de fé, uma perda de participação. Você pode dizer: quando as pessoas saem da Igreja, elas param de orar. A relação ativa com a oração e os sacramentos da Igreja não é através de ideias. Qualquer católico que hoje tenha um desacordo intelectual com a Igreja tem uma ilusão. Você não pode ter um desacordo intelectual com a Igreja. Isso não tem sentido. A Igreja não é uma instituição intelectual. É uma instituição sobre-humana.” (Acordar 11)
Não deveria ser surpresa que a primeira publicação de McLuhan tenha sido um artigo sobre “G. K. Chesterton: A Practical Mystic”, que apareceu na Dalhousie Review em 1936. Nela ele cita uma linha de um dos romances do escritor, uma linha que ele aplica a Chesterton, mas que poderia muito bem se aplicar a ele mesmo em retrospecto :
“Ele de alguma forma deu um passo gigantesco da infância à idade adulta e perdeu aquela crise na juventude quando a maioria de nós envelhece.”

E McLuhan comenta:

“Senhor. O próprio Chesterton está cheio daquela surpresa e prazer infantil que uma idade sofisticada supõe poder existir apenas em crianças. E é a essa consciência mais do que comum e frescor de percepção que podemos atribuir seu extraordinariamente forte senso de fato.” (15: 456)
Este comentário, por sua vez, me traz à mente uma conversa amigável com o padre Kelly durante a hora do almoço no St. Michael’s College, quando, depois que Marshall, que não estava presente no momento, fez um comentário bastante enigmático sobre algum assunto relacionado à religião do qual eu estava tentando fazer sentido. O padre Kelly sorriu largamente e disse: “Ah, bem, Marshall tem a fé de uma criança!” Essa observação, com seu tom e toda a cor da voz, ressoou em minha mente por muitos anos depois, e agora posso finalmente entender como foi um grande elogio.

O Alfabeto e a Igreja

McLuhan me disse uma vez que o que mais o atraiu em Chesterton foi sua perfeita familiaridade com a maneira adequada de lidar com paradoxos importantes. Ele explicou a Pierre Babin que os paradoxos são normais em assuntos religiosos. Pascal também cultivou noções paradoxais sobre o homem, a religião e a fé. Ele via nos paradoxos a única maneira de relaxar as exigências sufocantes da racionalidade, de modo a abrir caminho para uma compreensão mais profunda de questões complexas simultâneas. Por oposição, McLuhan disse: “Ortodoxia, no sentido etimológico da palavra, é encurralar-se em um único ponto de vista” (Babin 37). Pascal estava ciente, como qualquer leitor sério das Escrituras, das inúmeras aparentes contradições que elas contêm, mas é nessas contradições que ele viu a força das Escrituras, não suas fraquezas. De uma forma bastante semelhante a McLuhan, ele escreveu:
“Assim, para entender as Escrituras, é preciso chegar a um significado que reúna todas as passagens contraditórias; não basta chegar a uma que resolva algumas contradições e não outras, mas a que resolva todas. (Lafuma 257 – minha tradução)
Isso equivalia ao descarte da lógica formal e da racionalidade estrita para a compreensão das Escrituras, e exigia a percepção infinitamente mais exigente do coração. A fé de McLuhan possivelmente se assemelhava à de Pascal, pois ambas eram exigentes demais para aceitar verdades aproximadas ou descartar contradições para alcançar uma visão sistemática. Ambos compartilhavam paixão e precisão. Para Pascal, o maior paradoxo era o fato da crescente indiferença de seus contemporâneos à sua salvação pessoal, apesar de seu maior acesso do que nunca às informações mais importantes sobre eles. Esse paradoxo foi resolvido em parte por McLuhan, como veremos em breve, mas o grande paradoxo de McLuhan foi resolver a relação histórica da Igreja com o alfabeto fonético e com as tecnologias de impressão. Ele revelou a Pierre Babin que havia se tornado católico enquanto estudava o Renascimento como uma preocupação quase exclusiva:
“Logo percebi que a Igreja havia sido despedaçada e fragmentada durante esse período por um estúpido acidente histórico, pela tecnologia. A cultura medieval baseada em manuscritos permitia um estilo de vida comunitário muito diferente da comunidade de massa que era fomentada pela impressão. A revolução de Gutenberg transformou leitores em ouvintes.
“O mundo impresso é um mundo visual. Mas as percepções dominadas pela visão não são uma força unificadora. Eles levam à fragmentação. Eles permitem que cada indivíduo mantenha um ponto de vista privado.
“Com um livro, você pode se retirar para dentro, no sentido egocêntrico e psicológico, certamente não no sentido espiritual; isso é, de fato, uma fragmentação.” (Bebê 35)
Este e os insights relacionados de McLuhan têm a maior relevância para a história da Igreja Católica e ainda mais relevância para nossa fé pessoal hoje. O problema central pode ser enunciado em termos simples: se a fé, como McLuhan a descreveu, é de fato uma questão de audição profunda, então a especialização da comunicação em formas visuais, e especialmente na articulação cuidadosa do significado em termos verbais e visuais, como como a palavra impressa, pode representar uma ameaça real à fé, se for permitido que ela domine o entendimento com exclusão da audição. Não estou dizendo que todo homem se tornou um leitor da noite para o dia depois que a primeira Bíblia saiu da prensa de Gutenberg, mas estou dizendo que a palavra impressa logo mudou as formas de ensino e aprendizado nos centros nervosos da propagação da fé, e que os efeitos dessas mudanças chegaram aos membros mais analfabetos da população ao longo dos três séculos que precederam a percepção casual de Nietzsche de que “Deus estava morto”.
Não creio estar traindo o pensamento de McLuhan ao dar tanta ênfase aos efeitos da palavra impressa para afetar as percepções envolvidas na fé. Entre as vinte perguntas que precedem um grande artigo publicado em junho de 1972, no The Critic, está esta que vai ao cerne da questão:
Por que o homem ocidental e por que a Igreja Católica não tem nenhuma teoria da comunicação da mudança psíquica secular? (Os americanos vão à igreja para ficarem sozinhos?) próprios sentidos e reprocessando todos os seus padrões de informação em proposições abstratas desprovidas de conteúdo sensorial. Esse desenvolvimento afetou profundamente o conhecimento doutrinário e, segundo McLuhan, deu origem a profundas cismas como ele explica aqui a Pierre Babin:

É óbvio que a possibilidade de cada leitor ter exatamente as mesmas palavras à sua frente por qualquer período de tempo teve um efeito profundo na doutrina. Qualquer um poderia agora pensar sobre isso sozinho, voltar e inventar um ponto de vista privado sobre o assunto. Este não era o caminho da antiga tradição manuscrita, porque todo o processo era muito mais acústico do que visual e a comunicação era predominantemente oral.
“Tome o método escolástico de discussão, por exemplo, as quaestiones disputate. Foi oral. Mas Lutero e os primeiros protestantes eram escolásticos que sabiam ler. Eles adaptaram o antigo método de discussão escolástica à nova ordem visual: assim, eles usaram a recente descoberta da impressão para cavar a trincheira que os separava da Igreja Romana. (Bebê 36)

Uma das preocupações constantes de McLuhan era compreender a relação da Igreja não só com as tecnologias de impressão, mas com a própria invenção do alfabeto.

Ele estava certo de que havia um fator determinante no início do cristianismo no início da alfabetização greco-romana, mas não tenho certeza de que ele chegou a uma conclusão satisfatória sobre este assunto, porque a última vez que falamos sobre isso, ele disse que ainda era um grande mistério para ele. Mais uma vez, ele disse a Babin:
“Permita-me salientar que a Igreja começou quando a escrita fonética grega estava em sua infância. A cultura greco-romana ainda estava em seu berço quando a Igreja começou a se estabelecer. Este não é um mero acidente da história, mas um decreto providencial. No entanto, ninguém tentou estudar esta questão na história das religiões. É dado como certo. Nem mesmo é sugerido que possa ter um significado excepcional para a Igreja. Procurei informações sobre este assunto, mas não há quase nada, alguns pequenos papéis aqui e ali. (Babin 36-37)
McLuhan acrescenta um pouco mais que “a cultura pré-platônica … foi fundamentada no uso mágico da fala”. É claro que outras formas de escrita existiam em outras partes do mundo e já existiam muito antes. McLuhan sempre insistiu que foi a fonética, e não qualquer alfabeto, que provocou a revolução psicológica que criou o homem ocidental. Eu tenho perseguido este ponto incansavelmente nos últimos seis anos e aqui estão algumas das conclusões que eu tirei provisoriamente: a invenção de letras para sons de vogais nas escritas consonânticas emprestadas pelos gregos das tribos semíticas trouxe um acesso completamente novo à linguagem . Parece que enquanto as formas de escrita que antecederam o alfabeto verdadeiramente fonético estavam comprometidas com o suporte da memória, a nova variedade fonética introduziu a possibilidade de mudar a natureza da informação, permitindo assim que escritores e leitores inventassem novas informações em vez de se contentarem em assimilar informações estabelecidas. conhecimento.
Tecnicamente falando, o alfabeto fonético era muito mais do que um sistema de armazenamento de informações, era um sistema de processamento de informações. Como era diferente das formas semíticas mais antigas? Era diferente porque o uso de letras fixas para o som das vogais possibilitava a leitura de qualquer manuscrito grego sem nenhum conhecimento prévio de seu conteúdo, coisa que é impossível, até hoje, quando se lê o Alcorão ou o Talmude em suas formas de roteiro originais. Isso é muito mais importante do que parece à primeira vista, porque significa que a escrita pode agora ser separada do processo de comunicação de significado. Em outras palavras, com o alfabeto grego e todos os seus derivados, você poderia começar a manipular o significado, não apenas manipulando o ouvinte como você faria em qualquer comunicação oral, mas à distância, por assim dizer, de seu estudo ou de sua cela. , simplesmente manipulando o sistema de signos que você estava usando para criar o significado.

A forma impressa deu origem à leitura silenciosa

A consequência mais devastadora desse desenvolvimento é que a comunicação um dia se tornaria secundária à produção de um sentido bem ordenado. Mesmo deslocando gradualmente o centro de gravidade de todas as comunicações das interações humanas para a produção textual, o alfabeto fonético transformou a fala oral em uma forma de arte que foi chamada de retórica. Lançando uma rede sobre a fala e analisando seus vários componentes para selecionar apenas aqueles que poderiam produzir significados desensorializados, o impulso fundamental do alfabeto era reduzir a fala ao vivo ao silêncio. Mas o silenciamento da comunicação não era possível até que a forma de escrita alcançasse uniformidade suficiente para ser lida convenientemente em silêncio. É a impressão que promoveu a leitura silenciosa. A leitura tornou-se uma experiência privada que convidava ao retiro e à solidão em vez de atividades orientadas para a comunidade; e, finalmente, a leitura silenciosa começou a mudar a própria forma do pensamento de uma atividade ainda ligada aos sentidos para uma experiência abstraída do contato ambiental e baseada quase exclusivamente em representações.
A relação de tudo isso com a Igreja pode ser encontrada na mudança de atitudes em relação à Bíblia e às Escrituras. O paradoxo é que, enquanto a nova escrita, altamente compatível com as traduções (pois dependia apenas dos sons e não dos significados), fomentava a difusão das Escrituras em todo o mundo greco-romano, também estava destinada a silenciar a Palavra de Deus. Deus e transformá-lo em pensamento sozinho sem a participação de todo o ser do homem. As separações entre o corpo e a alma, a cabeça e o corpo, e a pessoa da comunidade, todas vêm de uma única mudança de significado da comunicação ao vivo para a cogitação mental.
Acho que o que começou a acontecer aos poucos é que, após a invenção da imprensa, as Escrituras, que para a maioria das pessoas poderiam ter sido apenas o suporte de uma prática religiosa diária, tornaram-se o centro de toda preocupação religiosa para quem sabia ler. Hipnotizados pela evidência textual sagrada, os comentadores foram perdendo o contato com a presença viva da comunicação. A Carta logo dominou o Espírito em todos, exceto nos teólogos e clérigos mais inspirados.
Um dos comentários mais reveladores sobre a Bíblia me foi feito por um grande poeta judeu francês, Henri Meschonnic, que também é o primeiro escritor a tentar traduzir a Bíblia diretamente do hebraico para o francês sem os preconceitos do grego koiné. . Ele disse que a tradição cristã estava trabalhando com a ilusão de que estava de posse de toda a Bíblia, mas que, de fato, em todas as nossas traduções, só conseguimos transmitir cinqüenta por cento do significado porque sempre desconsideramos os ritmos. e a prosódia específica do texto original hebraico. Explicou-me que, no original hebraico, o sentido pleno das Escrituras não pode ser transmitido apenas pelo texto, mas que deve ser lido em voz alta porque contém indicações prosódicas que orientam a entrega de forma a ter também uma efeito direto em todo o corpo do ouvinte. Ele concluiu lembrando-me que a palavra usada pelos hebreus para designar a Bíblia, micrah, não significa escritura, mas fala viva. Acredito que as implicações de uma observação tão importante devem inspirar uma interação verdadeiramente ecumênica entre estudiosos judaicos e cristãos.
Acho que é para deixar o próprio McLuhan dar sua conclusão a essa investigação preliminar, como a deu a Pierre Babin:
“É assim que, paradoxalmente, a Igreja se viu encarnada desde o início na única cultura que elaborava posições estáveis ​​e fixas. A Igreja, que dá e exige do homem uma constante mudança de coração, assumiu uma cultura visual que valoriza a permanência acima de tudo. Essa cultura greco-romana, que parece ter se sobreposto à Igreja como o casco de uma tartaruga, não prevê a possibilidade de uma teoria flexível e realista da comunicação e da mudança. É esta casca dura que se coloca entre a Igreja e as outras culturas do mundo que têm formas flexíveis, adaptáveis ​​e evolutivas”.

O Microfone e a Igreja

Pelo que entendo, McLuhan sugere que, enquanto fôssemos governados por uma cultura impressa, o uso do latim era perfeitamente justificado porque era a língua associada naturalmente às formas e rituais de uma base cultural unificada. Em outras palavras, quando toda a ênfase da atitude da Igreja estava no significado textual da mensagem cristã, o latim era mais do que uma língua morta, era uma língua sagrada. Mas quando a ênfase muda para a comunicação propriamente dita, que é a transferência real da informação total do celebrante para a congregação, ele não apenas deve agora adotar as línguas vernáculas que são acessíveis ao seu público, mas também deve virar-se e enfrentá-lo. É literalmente um desvio do texto e em direção ao destinatário. Mas há mais nisso.
Estando alicerçado em uma forte formação literária, McLuhan era extremamente sensível aos valores da linguagem em geral e de seu próprio vernáculo em particular:
“A linguagem é infinitamente mais do que uma forma convencional de transmitir ideias; Estou falando aqui da linguagem falada, da tradição oral. Seu tipo de linguagem é a expressão codificada da sabedoria coletiva e percepções de inúmeras pessoas. Assim, a poesia e a canção são as melhores maneiras de purificar e fortalecer a linguagem. O que as pessoas não entenderam, na minha opinião, é que qualquer inovação técnica altera o ambiente humano e, assim, perturba todos os níveis de percepção; consequentemente, novas soluções devem ser encontradas na linguagem. A linguagem é, por assim dizer, o maior meio coletivo e orgânico que assimila e organiza o caos da vida cotidiana. A linguagem é o órgão consciente da imaginação auditiva que abriga os ajustes e mudanças diárias, assim como a noite abriga a purificação dos sonhos. Tal era o papel da tradição oral nas culturas que não conheciam a escrita. Após a invenção da escrita, o que restava da forma oral ainda desempenhava um papel importante nesse sentido. Mas o acúmulo de material impresso tendeu a sufocar pouco a pouco e a silenciar essa tradição: o que escapa a esse sufocamento ainda é suficiente para fomentar uma cultura popular viva.

“Na minha opinião, é neste nível que a comunicação da fé pode ocorrer, não pela transmissão de conceitos e teorias, mas pela transformação interior das pessoas, não pela expressão das figuras destacadas da fé, mas pela terreno de efeitos secundários que transformam a vida. Se o vernáculo, que agora é utilizado na liturgia, deve desempenhar esse papel transformador, deve primeiro ser permitido que seja verdadeiramente ‘popular’. referindo-se aqui à intrusão de processos burocráticos nas comunidades católicas. A liturgia da Eucaristia é de fato no vernáculo hoje, mas é regulada por comissões especiais cujo contato com a linguagem se limita à secura das linguagens de computador! Sem sua dimensão oral de usos e ritmos familiares, o vernáculo corre grande risco de se tornar um deserto e um deserto espiritual”. (Babin 157-158)
Há muitos outros insights importantes que surgiram da atenção absolutamente séria que McLuhan prestou ao problema da igreja de hoje, mas vou me limitar a mais uma observação antes de concluir com uma nota mais pessoal sobre a atitude do próprio McLuhan em relação a esses assuntos.
McLuhan estava muito preocupado com os detalhes das reformas espontâneas e burocráticas da Liturgia. O caso em questão é a questão dos figurinos e do role-playing. Ele disse a Edward Wakin que: “… os trajes nunca foram tão importantes na história da Igreja como agora. A Igreja vai se vestir de forma privada em um momento em que todas as crianças querem se fantasiar. Eles não querem um vestido privado. Eles querem fantasias” (Wakin 10).
Mesmo que isso soe como um detalhe insignificante que, em termos da juventude de hoje, pode até ser interpretado como obsoleto, aponta para uma questão muito mais significativa que é o role-playing. Mais uma vez, ele explica a Wakin o que aconteceu com a igreja a esse respeito:
“A hierarquia romana, depois de Gutenberg, havia adquirido grande parte dos padrões de organogramas de especialização e rigidez. A melhoria da comunicação escrita possibilitou o desenvolvimento de uma enorme burocracia romana, transformando o pontífice romano em um chefe do executivo. Melhorias adicionais nas viagens e nas comunicações levaram o pontífice a uma relação pessoal mais imediata com seus súditos. … [Mas] quando as coisas aceleram, a hierarquia desaparece e o teatro global se instala. [Hoje] o Papa está obsoleto como uma figura burocrática. Mas o Papa como ator é mais importante do que nunca. O Papa tem autoridade. Afinal, se houvesse apenas três católicos no mundo, um teria que ser papa. Caso contrário, não haveria igreja. Tem que haver uma autoridade de ensino ou então nenhuma igreja.” (Wkin 8-9)
Essa nova dimensão do role-playing significou para McLuhan que os pregadores e professores religiosos de hoje devem se tornar místicos e viver na comunidade, em vez de se retirarem atrás da autoridade do texto sagrado e dos muros das instituições.

Paixão

Para completar esta pesquisa pouco adequada das percepções de McLuhan sobre a Igreja no passado e no presente, você pode querer saber qual foi sua opinião pessoal sobre todas essas mudanças. Isso ele muito raramente expressou em público, mas o fez a Edward Wakin e sinto que é justo que eu o deixe falar por si mesmo na nota final deste artigo que apresento como uma humilde homenagem à sua memória:
“Não espero ser confortável. A Igreja nunca disse a ninguém que é um lugar de conforto ou segurança em qualquer sentido psicológico comum. Qualquer um que venha à Igreja com esse propósito está errado. Não há nada desse tipo disponível na Igreja. Nunca houve. Não, não é esse tipo de instituição. Na velocidade da luz não há nada além de violência possível, e a violência mata todas as fronteiras. Até o território é violado na velocidade da luz. Não há mais lugar para se esconder. Torna-se uma igreja da alma. Cristo disse: ‘Eu não lhes trago a paz, mas a espada.’ A igreja como guardiã dos valores civilizados e assim por diante – essa igreja acabou, eu diria. Estamos em um bote salva-vidas. Esse tipo de operação de sobrevivência.
“Nunca fui otimista nem pessimista. Eu sou apenas um apocalíptico. Nossa única esperança é o apocalipse.
“Apocalipse não é melancolia. É salvação. Nenhum cristão jamais poderia ser otimista ou pessimista; esse é um estado mental puramente secular. Não tenho nenhum interesse em instituições seculares como lugares para se ter um bom ou um mau momento. Não entendo esse tipo de mentalidade. Acho que levei muito tempo para chegar a esse estado; não aconteceu da noite para o dia.” (Acordar 11, 7)
Nota: Adaptado de uma apresentação feita por Derrick de Kerckhove em 4 de junho de 1982. Reimpresso com permissão. Texto completo disponível na Media Ecology Association

Um Guia de Professor Para Marshall McLuhan

Por JOHN M. CULKINS.J. (1967, March). A schoolman’s guide to Marshall McLuhan. The Saturday Review, 51-53, 70-72  Diretor do Centro para Comunicações,  Fordham University

EDUCAÇÃO, uma criança de sete anos me garante, é “como as crianças aprendem as coisas”. Poucas definições são tão satisfatórias. Inclui tudo o que é essencial – um quem, um quê e um processo. Exclui todas as pessoas, lugares e coisas que só às vezes estão envolvidas na aprendizagem. A economia e a precisão da definição, no entanto, são mais úteis para localizar o problema do que para resolvê-lo. Sabemos pouco sobre crianças, menos sobre aprendizagem e consideravelmente mais do que gostaríamos de saber sobre coisas. Além disso, todo o processo de escolarização formal está agora envolto em um ambiente de mudança tecnológica acelerada que está constantemente influenciando as crianças e o aprendizado e outras coisas. A velocidade do jato dessa revolução tecnológica, especialmente na área de comunicações, nos deixou com mais reações do que reflexões sobre ela. Enquanto isso, de volta à escola, o aluno, cuja psique está sendo programada para ritmo, informação e relevância por seu ambiente eletrônico, ainda está sendo processado em salas de aula operando nos postulados de outro dia. A guerra fria existente entre esses dois mundos é perturbadora tanto para o aluno quanto para as escolas. Uma coisa é certa: dificilmente é hora de os educadores planejarem com nostalgia, timidez ou velhas fórmulas. Entra Marshall McLuhan. Ele vem do Norte, da Universitdade de Toronto, onde ensina inglês e é diretor do Centro para Cultura e Tecnologia. Ele entra com a fama de “oráculo da era da eletricidade” e como “o escritor mais provocativo e controverso desta geração”. Mais importante para as escolas, ele entra como um homem com novos olhos, com novas formas de olhar para velhos problemas. Ele é um homem que obtém suas ideias primeiro e as julga depois. A maioria dessas ideias está resumida em seu livro, Entendendo Midia. Seus críticos o julgaram por não apresentar esses insights em sua forma mais lúcida e prática. Nem sempre é grilo, porém, pedir ao mesmo homem que esmague as uvas e sirva o vinho. Nem todos os McLu são nu ou tru, mas nem todos os outros o são. Este artigo é uma tentativa de selecionar e ordenar os elementos do McLuhanismo que são mais relevantes para as escolas e fornecer ao escolar algumas novas formas de pensar sobre as escolas. A promessa de McLuhan é bastante modesta: “Tudo o que tenho a oferecer é um empreendimento de investigação em um mundo que é bastante incomum e diferente de qualquer mundo anterior e para o qual nenhum modelo de percepção servirá”. Este mundo inexplorado passa a ser o presente. McLuhan sente que muito poucos homens olham para o presente com um olho presente, que tendem a perder o presente traduzindo-o para o passado, vendo-o através de um espelho retrovisor. O fato despercebido do nosso presente é o ambiente eletrônico criado pelos novos meios de comunicação. É tão penetrante quanto o ar que respiramos (e alguns acrescentariam que é igualmente poluído), mas sua importância total escapa aos julgamentos do senso comum ou da percepção orientada para o conteúdo. Os ambientes criados por diferentes mídias não são apenas contêineres para pessoas; são processos que moldam as pessoas. Tal influência é determinista apenas se ignorada. Não há inevitabilidade enquanto houver vontade de contemplar o que está acontecendo. Os teóricos podem manter a realidade à distância por longos períodos de tempo. Professores e administradores não podem. Eles estão fechados com a realidade durante todo o dia. Em muitos casos, eles são co-prisioneiros com estudantes da era eletrônica na antiga cela da caixa de lápis. E são os melhores professores e os melhores alunos que têm mais problemas porque desafiam o sistema constantemente. É o sistema que tem de ser examinado. Professores e alunos podem dizer, nas palavras do Late Late Show: “Baby, essa coisa é maior do que nós dois”. Não será melhorado por alguns traços de boa vontade ou um pouco mais de trabalho duro.

“Os ambientes criados por diferentes mídias não são apenas contêineres para pessoas; são os processos que moldam as pessoas. Não há inevitabilidade enquanto houver vontade de contemplar o que está acontecendo.”

É uma questão de entender esses novatos e essas novas mídias e fazer com que as escolas lidem com o novo ambiente eletrônico. Não é fácil. E os defensores do velho podem revelar-se os menos capazes de defender e preservar os valores do velho. Para algumas pessoas, a análise dessas tecnologias mais recentes implica automaticamente a aprovação delas. O mundo deles é tão cheio de deverias que é difícil espremer um é. McLuhan sugere uma linha de exploração mais positiva: no momento, é importante que entendamos causa e processo. O objetivo é desenvolver uma conscientização sobre a impressão e as novas tecnologias de comunicação para que possamos orquestrá-las, minimizar suas frustrações e embates mútuos e tirar o melhor proveito de cada um no processo educacional. O conflito atual leva à eliminação do motivo para aprender e à diminuição do interesse em todas as realizações anteriores: leva à perda do senso de relevância. Sem uma compreensão das gramáticas da mídia, não podemos esperar alcançar uma consciência contemporânea do mundo em que vivemos. Foi-nos dito que é propriedade do verdadeiro gênio perturbar todas as idéias estabelecidas. McLuhan é perturbador tanto em seu meio quanto em sua mensagem. Suas ideias desafiam a maneira normal pela qual as pessoas percebem a realidade. Eles podem criar uma ameaça muito profunda e pessoal, pois tocam em tudo na experiência de uma pessoa. Eles são igualmente ameaçadores para o establishment cujo modo de vida se baseia nos postulados que ele está questionando. O estabelecimento não tem histórico de organizar desfiles para cumprimentar seus perturbadores. Seu meio é talvez mais perturbador do que sua mensagem. Desde seus primeiros trabalhos, ele descreveu seu empreendimento como “explorações em comunicação”. A palavra que ele usa com mais frequência hoje é “sondar”. Seus livros exigem um alto grau de envolvimento do leitor. Eles são poéticos e intuitivos, em vez de lógicos e analíticos. Estruturalmente, sua unidade é a sentença. A maioria deles são frases de tópico que são deixadas subdesenvolvidas. O estilo é oral e ofegante e frequentemente obscuro. É um tipo diferente de meio “O meio é a mensagem”, anunciou McLuhan há doze anos em um aforismo enigmático e intransigente cujo significado ainda está sendo explorado. O título de seu último livro, um popular tratamento ilustrado de suas teorias em brochura, proclama jocosamente que “O meio é a massagem” – um título calculado para levar os tipógrafos e críticos ao haxixe e além. A máxima original pode ser vista de quatro maneiras, a terceira das quais inclui uma mensagem importante

A mídia em mudança: hieróglifos egípcios, uma página da Bíblia de Gutenberg e o monitor de televisão. “Os modos de cognição e percepção do indivíduo são influenciados pela cultura em que se encontra, pela língua que fala e pela mídia a que está exposto. Cada cultura fornece aos seus constituintes um conjunto de óculos feito sob medida”.

O primeiro significado seria melhor comunicado oralmente – “O meio é a mensagem”. O meio é a coisa a estudar. O meio é o que está faltando. Todo mundo está viciado em conteúdo; preste atenção à forma, estrutura, estrutura, meio. A peça é a coisa. O meio é a coisa. McLuhan faz a verdade ficar de cabeça para baixo para atrair a atenção. Por que o meio é digno de atenção deriva de seus outros três significados.
O significado número dois enfatiza a relação do meio com o conteúdo. A forma de comunicação não altera apenas o conteúdo, mas cada forma também possui preferências para determinados tipos de mensagens. O conteúdo sempre existe de alguma forma e é, portanto, até certo ponto governado pela dinâmica dessa forma. Se você não conhece o meio, você não conhece a mensagem. O insight é bem resumido pelo Dr. Edmund Carpenter: “O inglês é um meio de comunicação de massa. Todas as línguas são meios de comunicação de massa. Os novos meios de comunicação – cinema, rádio, TV – são novas linguagens, suas gramáticas ainda desconhecidas. Cada um codifica a realidade de forma diferente; cada um esconde uma metafísica única. Os linguistas nos dizem que é possível dizer qualquer coisa em qualquer idioma se você usar palavras ou imagens suficientes, mas raramente há tempo; o curso natural é que uma cultura explore seus preconceitos da mídia. “É sempre o conteúdo na forma que é mediado. Nesse sentido, o meio é uma co-mensagem”.

Fig 14: Edmund Carpenter com Marshall McLuhan em Long Island. Verão de 1979. Foto de Adelaide de Menil

O terceiro significado para a fórmula M-M enfatiza a relação do meio com a psique individual. O meio altera os hábitos perceptivos de seus usuários. Independente do conteúdo, o próprio meio passa. Culturas pré-alfabetizadas, alfabetizadas e pós-alfabetizadas vêem o mundo através de diferentes óculos coloridos. No processo de entrega de conteúdo, o meio também trabalha sobre o sensório do consumidor. Para transmitir essa percepção sutil, McLuhan trocou a mensagem e criou a massagem. A mudança pretende chamar a atenção para o fato de que um meio não é algo neutro – ele faz algo para as pessoas. Ele os agarra, os empurra, os sacode, os massageia. Ele abre e fecha janelas em seu sensório. Prova? Olhe pela janela para a geração da TV. Eles estão redescobrindo textura, movimento, cor e som enquanto retribalizam a raça. A TV é um verdadeiro agarrador; realmente massageia aqueles sentidos preguiçosos e não utilizados.

Sala de Computador

O quarto significado ressalta a relação do meio com a sociedade. Whitehead disse: “Os principais avanços na civilização são processos que praticamente destroem as sociedades em que ocorrem”. A mídia massageia a sociedade assim como o indivíduo. Os resultados passam despercebidos por longos períodos de tempo porque as pessoas tendem a ver o novo como um pouco mais do antigo. Whitehead novamente: “A maior invenção do século XIX foi a invenção do método de invenção. Um novo método entrou na vida. Para entender nossa época, podemos negligenciar todos os detalhes da mudança, como ferrovias, telégrafos, rádios, máquinas de fiação, – corantes sintéticos. Devemos nos concentrar no método em si: essa é a verdadeira novidade que quebrou os alicerces da velha civilização”. Compreender o meio ou processo envolvido é a chave para o controle. A mídia molda tanto o conteúdo quanto o consumidor e o faz praticamente sem ser detectado. Recordamos a história do operário russo cujo carrinho de mão era revistado todos os dias ao sair da fábrica. Ele estava, é claro, roubando carrinhos de mão. Quando seu meio é sua mensagem e eles estão apenas investigando o conteúdo, você pode se safar de muitas coisas – como carrinhos de mão, por exemplo. Não é a imagem, mas a moldura. Não o conteúdo, mas a caixa. A página em branco não é neutra; nem a sala de aula. Os escritos de McLuhan estão repletos de aforismos, insights, exemplos e irrelevâncias que flutuam livremente em torno de temas recorrentes. Eles fornecem a matéria-prima de um kit faça você mesmo para tipos mais organizados que preferem explorar com gráficos mais claros. O que se segue é o McLuhan de um homem servido de forma barbaramente breve. Cinco postulados, abrangendo quase 4.000 anos, servirão como os dedos neste esforço para entender McLuhan:

1) 1967 a.C. – Todos os sentidos entram em ação. Um ano convenientemente simétrico para uma tese que é parcialmente cíclica. Isso nos leva de volta ao homem antes do alfabeto fenício. Sabemos por nossos ancestrais contemporâneos nas selvas da Nova Guiné e nos desertos do Ártico que o homem pré-letrado vive em um mundo de todos os sentidos ao mesmo tempo. A realidade que o bombardeia de todas as direções é captada pelas antenas omnidirecionais da visão, audição, tato, olfato e paladar. Filmes como The Hunters e Nanook of the North retratam homens primitivos rastreando o jogo com uma sensibilidade geral que mistifica o homem letrado ocidental. Nós os mistificamos também. E é essa mistificação cruzada que torna as abrasões interculturais tão valiosas. A maioria das pessoas presume que sua maneira de perceber o mundo é a maneira de perceber o mundo. Se eles andam com pessoas como eles, seu modo de percepção pode nunca ser desafiado. É nos pólos (literal e figurativamente) que os contrastes violentos iluminam nossos próprios preconceitos perceptivos não articulados. Em direção ao Pólo Norte, por exemplo, vivem os esquimós. Uma típica família esquimó é composta por um pai, uma mãe, dois filhos e um antropólogo. Quando o antropólogo entra no iglu para estudar os esquimós, ele aprende muito sobre si mesmo. Os esquimós vêem imagens e mapas igualmente bem de todos os ângulos. Eles podem desenhar igualmente bem em cima de uma mesa ou embaixo dela. Eles têm memórias fenomenais. Elas. viajam sem orientação visual em seu mundo branco sobre branco e podem esboçar mapas cartograficamente precisos de linhas costeiras em movimento. Eles têm quarenta ou cinquenta palavras para o que chamamos de “neve”. ·Eles vivem em um mundo sem linearidade, um mundo de espaço acústico. Eles são esquimós. Sua maneira natural de perceber o mundo é diferente da nossa maneira natural de perceber o mundo. Cada cultura desenvolve seu próprio equilíbrio dos sentidos em resposta às demandas de seu ambiente. A formulação mais generalizada da teoria sustentaria que os modos de cognição e percepção do indivíduo são influenciados pela cultura em que se encontra, pela língua que fala e pela mídia a que está exposto. Cada cultura, por assim dizer, fornece aos seus constituintes um conjunto de óculos personalizados. As diferenças de percepção são uma questão de grau. Algumas culturas estão suficientemente próximas umas das outras em padrões perceptivos, de modo que as diferenças passam despercebidas. Outros grupos culturais, como o esquimó e o adolescente americano, estão suficientemente distantes de nós para proporcionar uma distância estética.

2) A arte imita a vida. Em A Linguagem Silenciosa Edward T. Hall  oferece a tese de que toda arte e tecnologia é uma extensão de algum elemento físico ou psíquico do homem. Hoje o homem desenvolveu extensões para praticamente tudo que fazia com seu corpo: machado de pedra para mão, roda para pé, óculos para olhos, rádio para voz e ouvidos. O dinheiro é uma forma de armazenar energia. Essa externalização de funções individuais especializadas está agora, por definição, em seu estágio mais avançado. Através dos meios eletrônicos de telégrafo, telefone, rádio e televisão, o homem agora equipou seu mundo com um sistema nervoso semelhante ao de seu próprio corpo. O presidente Kennedy é baleado e o mundo instantaneamente vacila com o impacto das balas. Espaço e tempo se dissolvem sob condições eletrônicas. A preocupação atual com as Nações Unidas, o Mercado Comum, o ecumenismo, reflete esse impulso orgânico em direção à nova convergência e unidade que está “soprando ao vento”. Agora, na era elétrica, nossas faculdades e sentidos estendidos constituem um único campo de experiência instantâneo e coexistente. É tudo de uma vez. É compartilhado por todos. McLuhan chama o mundo de “aldeia global”.

3) A vida imita a arte. Nós moldamos nossas ferramentas e depois elas nos moldam. Essas extensões de nossos sentidos começam a interagir com nossos sentidos. Esses meios tornam-se uma massagem. A nova mudança no ambiente cria um novo equilíbrio entre os sentidos. Nenhum sentido opera isoladamente. O sensório completo busca a realização em quase todas as experiências sensoriais. E como há um quantum limitado de energia disponível para qualquer experiência sensorial, a proporção dos sentidos será diferente para diferentes meios. A natureza do efeito sensorial será determinada pelo meio utilizado. McLuhan divide a mídia de acordo com a qualidade ou definição de seu sinal físico. O conteúdo não é relevante neste tipo de análise. A mesma imagem da mesma câmera pode aparecer como uma fotografia brilhante ou como uma foto de jornal. A fotografia é bem definida, de excelente qualidade pictórica, hi-fi dentro do seu próprio meio. McLuhan chama esse tipo de meio de “quente”. A foto do jornal é granulada, feita de pontinhos, de baixa definição. McLuhan chama esse tipo de meio de “legal”. O filme é quente; televisão é legal. O rádio está quente; telefone é legal. O meio ou pessoa legal convida à participação e ao envolvimento. Deixa espaço para a resposta do consumidor. Uma palestra é quente; todo o trabalho é feito. Um seminário é legal; faz com que todos entrem no jogo. Se todas as conexões são causais pode ser debatido, mas é interessante que os garotos da geração descolada da TV queiram se envolver tanto e fazer parte do que está acontecendo.

4) Nós moldamos o alfabeto e ele nos moldou. De acordo com o postulado de McLuhan de que “o meio é a mensagem”, uma cultura letrada deveria estar mais do que levemente ansiosa para saber o que os livros fazem às pessoas. Todos estão familiarizados o suficiente com todo o enriquecimento da vida mediado pelos bons livros para nos permitir passar aos efeitos mais sutis que podem ser atribuídos ao meio impresso, independentemente do conteúdo envolvido. que Deus é amor ( – – – – – – – – -), a estrutura do próprio meio permanece inalterada. Nove pequenas marcas pretas sem significado intrínseco próprio são enfileiradas ao longo de uma linha com espaços deixados após a terceira e quinta marcas. É esse despojamento de significado que nos permite radiografar a própria forma. Por exemplo, enquanto discursava para um grande público em um hotel moderno em Chicago, um professor distinto é mordido na perna por uma cobra. Toda a experiência leva três segundos. Ele é afetado pelo toque do réptil, o suspiro da multidão, as vistas nadando diante de seus olhos. Sua memória, imaginação e emoções entram em ação de emergência. Muitas coisas acontecem em três segundos. Duas semanas depois, ele está totalmente recuperado e quer escrever a experiência em uma carta a um colega. Comunicar essa experiência por meio da impressão significa que ela deve primeiro ser dividida em partes e depois mediada, de forma conta-gotas, uma coisa de cada vez, de forma abstrata, linear, fragmentada, sequencial. Essa é a estrutura essencial da impressão. E uma vez que uma cultura usa esse meio por alguns séculos, ela começa a perceber o mundo de uma maneira de cada vez, abstrata, linear, fragmentada e seqüencial. E molda suas organizações e escolas de acordo com as mesmas premissas. A forma de impressão tornou-se a forma de pensamento. O meio tornou-se a mensagem. Há séculos, de acordo com McLuhan, a linha reta tem sido a metáfora oculta do homem letrado. Foi inconscientemente, mas inexoravelmente usado como medida das coisas. Passou despercebido, inquestionável. Foi presumido como natural e universal. Não é nenhum. Como tudo o mais, é bom para as coisas para as quais é bom. Dizer que não é tudo não é dizer que não é nada. A mídia eletrônica quebrou o monopólio da impressão; eles alteraram nossos perfis sensoriais aumentando nossa consciência dos valores auditivos, táteis e cinéticos.

Communication

5) 1967 d.C.-  Todos os sentidos foram para entrar em ação. A impressão reprimiu a maior parte da vida dos sentidos em favor do visual. O fim do monopólio de impressões também marca o fim de um monopólio visual. Como indica o sistema de alerta precoce da arte e da cultura popular, todos os sentidos querem entrar em ação. Alguns dos excessos nas atuais incursões à experiência auditiva, oral, tátil e cinética podem, de fato, responder diretamente à privação sensorial da cultura impressa. A natureza abomina o vácuo. Ninguém se gloria à vista de crianças totalmente fora de controle em reação aos Beatles. Alguns dizem: “O que os Beatles estão fazendo com essas crianças?” Outros dizem: “O que fizemos com essas crianças?” Todos os dados não são sobre o que significa ser um ser humano equilibrado. As crianças são o que o jogo tem tudo a ver. Dado um jogo honesto com equipamento suficiente para circular, é a capacidade mental, emocional e volitiva do aluno que mais determina o resultado. Todo o complicado sistema de educação formal está no negócio para chegar até as crianças, motivá-las, ajudá-las a aprender coisas. As escolas não estão no negócio para rotular as crianças, classificá-las para o mercado de trabalho ou para cuidar de crianças. Eles estão lá para se comunicar com eles. A comunicação é um negócio engraçado.

Todos os sentidos

Não há tanta coisa acontecendo como a maioria das pessoas pensa. Muitos sentem que consiste em dizer coisas na presença de outras pessoas. Não tão. Não consiste em dizer coisas, mas em fazer ouvir as coisas. Belos discursos em inglês proferidos a árabes monolíngues não são belos discursos. Você precisa falar a linguagem do público-de-quem no “quem diz-o-que-para-quem” . Todos os bons comunicadores usam o Whomese. Os melhores escritores, cineastas, publicitários, amantes, pregadores e professores têm o dom de pensar sobre  as esperanças, medos e capacidade da outra pessoa e de traduzir sua comunicação em termos relevantes para isso pessoa. Whitehead chamou “idéias inertes” a ruína da educação. Relevância, no entanto, é uma dessas palavras subjetivas. Não pertence ao objeto em si, mas ao objeto percebido por alguém. A escola pode decidir que a história é importante para o aluno, mas o papel do professor é tornar a história relevante para o aluno.

 McLuhan Migrates South 

Em setembro, o Dr. Marshall McLuhan irá para a Fordham University, em Nova York, para assumir a cátedra Albert Schweitzer em humanidades. Ele trabalhará com a equipe de pesquisadores de mídia, incluindo o autor deste artigo, que estuda e interpreta McLuhan há mais de dez anos. As teorias de McLuhan serão analisadas em profundidade por especialistas em mídia nas duas conferências de estudos de cinema de verão da Fordham em Nova York, de 5 a 8 de julho, e em Los Angeles, de 16 a 19 de agosto. 

Se o que tem que ser adaptado a quem, o professor tem que estar constantemente engajado na pesquisa de audiência. Não se trata de acompanhar as últimas gírias ou de se vender aos costumes atuais das crianças. Nenhuma dessas táticas ajuda o aprendizado ou as crianças. Mas é uma questão de saber quais valores são fortes em seu mundo, de entender os obstáculos à comunicação, de sentir seu estilo de vida. A comunicação não precisa terminar aí, mas não pode começar em nenhum outro lugar. Se eles estiverem sintonizados em FM e você estiver transmitindo em AM, não há comunicação. A comunicação força você a prestar muita atenção às outras pessoas. McLuhan tem prestado muita atenção às crianças modernas. Necessariamente eles vivem no presente, pois não têm teorias para difratar ou refletir o que está acontecendo. Eles também são a primeira geração a nascer em um mundo em que sempre houve televisão. McLuhan as considera muito diferentes de suas contrapartes na virada do século, quando a era da eletricidade estava apenas ganhando força. Muitas coisas aconteceram desde 1900 e a maioria delas se encaixa nas paredes. A criança de seis anos de hoje já aprendeu muitas coisas quando chega para o primeiro dia de aula. Logo depois que seu cordão umbilical foi cortado, ele foi colocado na frente de um aparelho de TV “para mantê-lo quieto”. Ele gostou o suficiente para ficar por cerca de 3.000 a 4.000 horas antes de começar a primeira série. Quando ele se forma no ensino médio, ele tem 15.000 horas de tempo de TV e 10.800 horas de tempo escolar. Ele vive em um mundo que o bombardeia de todos os lados com informações de rádios, filmes, telefones, revistas, gravações e pessoas. Ele aprende mais coisas pelas janelas de carros, trens e até aviões. Através de viagens e comunicações, ele experimentou a guerra do Vietnã, o vasto mundo dos esportes, o movimento pelos direitos civis, a morte de um presidente, milhares de comerciais, uma caminhada no espaço, mil shows inócuos e, pode-se esperar, muito do Capitão Canguru. Tudo isso é meramente descritivo, um esforço para expor o que é, não o que deveria ser. O aluno de hoje dificilmente pode ser descrito por qualquer uma das velhas analogias educacionais que o comparam a um balde vazio ou a uma página em branco. Ele chega à máquina de informações chamada escola e já está transbordando de informações. À medida que ele cresce, seus padrões de relevância são determinados mais pelo que ele recebe fora da escola do que pelo que recebe dentro. Um filme canadense recente conta a história de um adolescente de classe média brilhante e articulado que deixa a escola porque “não há razão para ficar”. Ele sonha acordado com o Vietnã enquanto seu professor fala sobre as quatro razões para a propagação do cristianismo e os cinco pontos que essas informações valem no exame. Apenas a necessidade de um diploma o mantinha na escola; aprendizagem não era, e ele foi embora. Ele decidiu que o bilhete do sindicato não valia a pena. Ele saiu. Alguns o chamam de desistente. Alguns o chamam de empurrão. As crianças têm um pé no cais e um pé na balsa. Viver em dois séculos cria esse tipo de tensão. O fosso entre a sala de aula e o mundo exterior e o fosso entre as gerações é maior do que nunca. Essas pessoas tediosas que citam Sócrates sobre a conduta dos jovens estão tentando em vão se assegurar de que este é apenas o problema perene da comunicação entre as gerações. “Eu não sou assim. “A criança de hoje está crescendo absurdamente, porque vive em dois mundos, e nenhum deles o inclina a crescer.” Diz McLuhan em The Medium is the Massage. “Crescer esse é o nosso novo trabalho, e é total: mera instrução não será suficiente.” Aprender é algo que as pessoas fazem por si mesmas. Pessoas, lugares e coisas podem facilitar ou impedir a aprendizagem; eles não podem fazer isso acontecer sem alguma cooperação do aluno. O aluno hoje em dia chega à escola com um vasto reservatório de experiências vicárias e fatos vagamente relacionados; ele quer usar todos os seus sentidos em seu aprendizado como agente ativo no processo de descoberta; ele sabe que nem todas as respostas estão dentro. O novo aprendiz é o resultado da nova mídia, diz: McLuhan. E um novo aprendiz exige um novo tipo de aprendizado. Leo Irrera disse: “Se Deus tivesse antecipado a estrutura final do sistema escolar 72, certamente ele teria moldado o homem de maneira diferente”. As crianças estão sendo adaptadas para caber no (sistrema) Procusto ( estrutura ou sistema que impõe uniformidade ou conformidade sem considerar a variação natural ou individualidade) formas de horários, salas de aula, memorização, testes etc., que são frequentemente relíquias de uma abordagem obsoleta de aprendizado. É o ambiente total que contém a filosofia da educação, não a folha de rosto do catálogo escolar. E é o ambiente total que é invencível porque é invisível para a maioria das pessoas. Eles tendem a mover as coisas dentro das caixas antigas ou a construir caixas novas e mais limpas. Eles deveriam estar perguntando se deveria ou não haver uma caixa em primeiro lugar. O novo aluno, que é o produto do ambiente eletrônico tudo de uma vez, muitas vezes se sente fora dele em um ambiente escolar linear, uma coisa de cada vez. O ambiente total é agora o grande professor; o aluno tem modelos de competência para medir a eficácia de seus professores. Estudantes nucleares em escolas lineares geram alguns momentos tensos na educação. Alunos com interesses bem desenvolvidos em ciências, artes e humanidades, ou eventos atuais precisam de assistência para se adequar ao seu ritmo, não ao do programa estadual. A teoria da linha reta do desenvolvimento e a uniformidade de desempenho que ela encoraja com tanta frequência simplesmente não atendem a muitas necessidades do novo aprendiz. Curiosamente, a única coisa que a maioria das inovações educacionais atuais compartilha é a ruptura com padrões lineares ou orientados para a impressão: ensino em equipe, escolas não classificadas, treinamento de idiomas audiolinguais, situações de aprendizagem multimídia, seminários, pesquisa de alunos em todos os níveis de ensino , aprendizagem individualizada e toda a transferência de responsabilidade pela aprendizagem do professor para o aluno. Escusado será dizer que estes não são tão difundidos como deveriam ser, nem foram provocados por qualquer atenção consciente às premissas apresentadas por McLuhan. Como a mentalidade linear e orientada para a impressão que agora modificam, essas premissas foram plagiadas da atmosfera. O valor de McLuhan está no poder que ele nos dá para prever e controlar essas mudanças. Há coisas demais para aprender hoje. McLuhan chama isso de uma era de “sobrecarga de informação”. E os níveis de informação fora da sala de aula são agora mais altos do que os da sala de aula. As escolas costumavam ter um monopólio virtual da informação; agora eles são concorrentes em tempo parcial no ambiente informacional eletrônico. E todo o conhecimento humano está se expandindo na velocidade do computador.

Toda escolha envolve uma rejeição. Se não podemos fazer tudo, que prioridades vão reger nossas políticas educacionais? “O meio é a mensagem” pode não ser ruim para abridores. Não podemos mais ensinar às crianças tudo sobre um assunto; podemos ensiná-los sobre o que é um assunto. Temos que apresentá-los à forma, estrutura, gestalt, gramática e processo do conhecimento envolvido. O que um matemático faz quando um matemático faz matemática? Essa abordagem ao elemento formal de uma disciplina pode fornecer um canal de comunicação entre especialistas. Seu foco não está no conteúdo ou detalhe, mas nos postulados, regras básicas, quadros de referência e premissas de cada disciplina. Ele enfatiza os modos de cognição e percepção próprios de cada campo. A maioria das falhas na comunicação são baseadas em desacordo sobre itens que são apenas corolários de uma tese maior. Isso acontece entre disciplinas, indivíduos, mídia e culturas. As artes desempenham um novo papel na educação porque são explorações na percepção. Anteriormente concebidos como um item de luxo curricular, eles agora se tornam uma maneira dinâmica de afinar o sensório e fornecer novas maneiras de olhar para as coisas familiares. Quando a exploração e a descoberta se tornam os temas, as velhas linhas entre arte e ciência começam a desaparecer. Temos que orientar os alunos a se tornarem seus próprios processadores de dados para operar através do reconhecimento de padrões. Os próprios meios de comunicação servem tanto como auxiliares de aprendizagem quanto como objetos de estudo apropriados nessa busca por uma alfabetização totalmente midiática. O interesse atual pela crítica cinematográfica se expandirá para incluir todas as formas de arte e comunicação. E uma vez que a explosão do conhecimento explodiu as paredes entre as disciplinas, haverá um movimento contínuo em direção à troca e compreensão interdisciplinares. Muitas das paredes categóricas entre as coisas são artefatos que sobraram dos dias de embalagem da impressão. A vida do especialista será ainda mais solitária à medida que nos afastamos da era Gutenberg. As tendências são todas em direção à totalidade e à convergência. Essas coisas não são verdadeiras só porque Marshall McLuhan diz que são. Eles trabalham. Eles explicam problemas na educação que ninguém mais está colocando uma luva. Quando apresentados de forma clara e com todos os exemplos e notas de rodapé necessários, eles provaram ser uma força libertadora para centenas de professores que viviam a tensão dessa fissão cultural sem perceber que as causas da tensão estavam fora deles. A relevância de McLuhan para a educação exige o trabalho de equipes de tradutores simultâneos e pesquisadores que podem tanto moldar quanto fundamentar os insights que estão espalhados em seu trabalho. McLuhan não inventou a eletricidade nem colocou crianças na frente de aparelhos de TV; ele está apenas tentando descrever o que está acontecendo lá fora para que possa ser tratado de forma inteligente. Quando alguém avisa sobre um caminhão que se aproxima, é terrivelmente indelicado acusá-lo de dirigir a coisa. McLuhan pode ajudar as crianças a aprender melhor.

O Meio é a Mensagem

O Homem Desencarnado

The Rise and Fall of Nature

por Marshall McLuhan

“Na velocidade da luz, sem seu
corpo físico, o homem é desencarnado e
o homem desencarnado não está relacionado com a ‘Lei Natural’” 

Um princípio básico em toda observação da mídia diz respeito ao efeito de colocar um meio dentro de outro. Siegfried Giedion apontou a origem do espaço visual como ocorrendo quando o arco é colocado dentro de um retângulo, cf. O Arco do Triunfo. 

Arco do Triundo 

Quando qualquer meio se torna o conteúdo de outro, o que está contido se torna uma forma de arte. Quando o filme se tornou o conteúdo da TV, o filme foi imediatamente elevado ao status de uma forma de arte. Antes disso, o filme era um entretenimento comum ou popular. Quando o Sputnik (1957) deu a volta ao planeta, o planeta tornou-se conteúdo programável e, assim, tornou-se uma forma de arte. A Ecologia nasceu e a Natureza ficou obsoleta.
No século V a.C., o novo grego foneticamente alfabetizado havia inventado a Natureza classificando vários fenômenos e, assim, colocando espinho dentro do espaço visual da classificação. Foi essa “Natureza” visualmente ordenada que foi encerrada pelo novo fato ambiental do Sputnik. O conceito de ecologia planetária entrou em cena imediatamente. A “Spaceship Earth” foi reconhecida como não tendo passageiros, mas apenas tripulação. O Sputnik é um ambiente de informação. ou seja, um ambiente de software que transforma a velha Natureza “externa”. Da mesma forma, quando o homem está “no telefone” ou “no ar”, movendo-se eletricamente na velocidade da luz, ele não tem corpo físico. Ele é traduzido em informação. ou uma imagem. Quando o homem vive em um ambiente elétrico sua natureza se transforma e sua identidade privada se funde com o todo corporativo. Ele se torna “Mass Man”. O homem de massa é um fenômeno de velocidade elétrica, não uma quantidade física. O homem de massa foi notado pela primeira vez, como um fenômeno na era do rádio, mas ele passou a existir, despercebido, com o telégrafo elétrico.

Nesta breve introdução ao seu artigo, algumas noções muito importantes são mencionadas, se não introduzidas:

  • Desencarnado
  • Lei natural
  • O efeito de colocar um meio dentro de outro
  • Ecologia
  • Obsolescência de um conceito por um novo
  • Ambiente fonético
  • Espaço visual
  • Ambiente de informações
  • Ambiente elétrico
  • Perda de identidade privada: Mass man

Como Andrew C. Stout estabelece em

Incarnation and Digitization: Marshall McLuhan and the Digital Humanities

e eu resumo:

Enquanto as culturas pré-modernas eram principalmente auditivas e multissensoriais, a cultura impressa treina intensamente o olho e não o ouvido. No entanto, a tecnologia eletrônica mudou radicalmente a paisagem cultural, inaugurando uma “era pós-alfabetização”. Por meio do rádio, da televisão e do telefone, os eventos globais tornam-se realidades imediatas.
As novas tecnologias têm o efeito paradoxal de serem produtos ou extensões de nossas faculdades existentes e também de remodelar nossos ambientes de maneiras que podem recalibrar radicalmente a operação dessas faculdades e sentidos.
A tecnologia é uma extensão ou aumento dos sentidos humanos que tem o poder de moldar e remodelar nossos ambientes.
No livo A Galaxia de Gutenberg, McLuhan detalha como a consciência ocidental se reorientou radicalmente por meio da tecnologia impressa e em Entendendo Media, ele explicou como a mídia eletrônica remodela a humanidade em cidadãos de uma “aldeia global”.
A mídia eletrônica apaga o tempo e o espaço. Isso leva McLuhan a perguntar: “A Igreja greco-romana deve se posicionar contra a dinâmica tribal interna e desencarnada liberada pelo ambiente de informação elétrica?” Em vez de ver a mídia eletrônica como uma extensão do corpo que demonstra o potencial radical e o fim sobrenatural da natureza humana, McLuhan aqui questiona se tal tecnologia é compatível com sua própria compreensão da fé cristã.
Um meio como o telefone é um exemplo de presença desencarnada: “O homem elétrico não tem um ser corpóreo. Ele está literalmente desencarnado.
Enquanto McLuhan se concentra na natureza “desencarnada” ou “desincorporada” da mídia eletrônica, outros destacaram as características físicas da tecnologia virtual e da mídia digital. Paul Lévy, escrevendo nos primórdios da internet, baseia-se nas ideias de McLuhan sobre a tecnologia como extensões dos sentidos humanos. Ao contrário de McLuhan, ele assume um “ponto de vista não catastrófico” ao lidar com a virtualização. Enquanto “virtual” é frequentemente usado como sinônimo de “ilusório”, Lévy insiste que “O virtual não é de forma alguma o oposto do real. Pelo contrário, é um modo de ser fecundo e poderoso que expande o processo de criação, abre o futuro, injeta um núcleo de significado sob a banalidade da presença física imediata”.
A presença virtual, seja por telefone, TV ou tela de computador, ou imagem virtual, é de fato uma extensão da presença física. É, no entanto, uma presença real que depende de um substrato físico. Nesse sentido, a virtualidade não é “irreal” ou “desincorporada”, mas tanto física quanto mais do que física.
Como McLuhan observou à luz da mídia impressa e eletrônica, Hayles observa a mídia digital – a consciência humana é completamente maleável.
Uma distinção chave para Hayles é aquela entre “materialidade” e “fisicalidade”. Podemos falar sobre as características físicas de uma tela de computador, fios, circuitos, etc. – mas ainda deixamos de dar conta da inovação tecnológica: “O que conta é mais a materialidade do objeto . A materialidade passa a existir, argumento, quando a atenção se funde com a fisicalidade para identificar e isolar algum atributo (ou atributos) particular de interesse.
Você não pode ter materialidade, nesse sentido, sem o físico ou o corporificado, mas a materialidade também transcende o físico. A materialidade é indeterminada e plástica, ao contrário da fisicalidade pura. A materialidade “não pode ser especificada antecipadamente, como se existisse ontologicamente como uma entidade discreta. Exigindo atos de atenção humana focada nas propriedades físicas, a materialidade é um híbrido humano-técnico.” É o material, não físico redutivo, que fornece as condições sob as quais os humanos podem coevoluir junto com suas ferramentas digitais.

O Meio é a Massagem

Você pode ler esse livro on line(Porém em Inglês é Melhor)

You can read this book online

Original Hard Cover
Penguin 1967
2001 Gingko Press

Este livro tem várias noções confusas que precisam ser explicadas.
O primeiro é o nome, que deveria ser O Meio é a Mensagem e saiu inicialmente por engano e depois intencionalmente porque McLuhan percebeu que o Meio criou a Era da Massa (Mass Age) e pode ser combinado com a ideia de que de alguma forma ele “massageia” o sensório das pessoas sujeitas à sua influência.
A segunda, de talvez uma combinação de noções, é que claramente se tem a sensação de que Mcluhan está falando de Internet, IPhone e toda aquela parafernália que constitui a Mídia hoje (século XXI) que ele resume tudo com a palavra “eletricidade”.

Na verdade, ele se refere ao que você pode fazer com a eletricidade, o que ele meio que resume mencionando “circuitos”, mas o que ele e está se referindo é a todos os aparelhos que a eletricidade nos trouxe, especialmente computadores, rádio e televisão, que são centrais em seu pensamento. Curiosamente, ele analisa o computador e essas mídias, principalmente a televisão, de tal forma que você pode pensar perfeitamente em Internet, IPhone e tudo que vem com ele e seus conceitos funcionam ainda melhor.

A maior confusão e a mais difícil de entender é que ele coloca o ambiente elétrico contra o padrão estabelecido que ele centra em torno da invenção da impressora por Gutenberg.

Isso precisa ser elaborado para ser entendido, o que ele faz discutindo “O futuro do homem na era da eletricidade” do qual cito:

“Vivemos em uma cultura em que toda a nossa maneira de ver o mundo foi determinada pela tipografia, pela sucessividade da impressão e assim por diante.”

“Temos uma oportunidade melhor de ver nossas velhas tecnologias quando confrontam outras populações em outras partes do mundo – os efeitos que elas têm na maioria das pessoas são tão surpreendentes e tão repentinos que temos a oportunidade de ver o que aconteceu conosco ao longo de muitos séculos (o que não podíamos ver porque estamos dentro do sistema, e então sua famosa metáfora do peixe dentro da água sem realmente saber o que é água. “

De fato, porque estão completamente imersos nela, (água), vivem sem saber de sua existência. Similarmente quando uma forma de conduzir está normalizada por um ambiente cultural dominante, ela se torna invisível.

O efeito na percepção quando a pessoa é criada em uma cultura oral ou impressa pode ser melhor compreendido em:

O Caso dos Africanos e a Galinha

Eu discuti em detalhes também o seguinte:

Após esta introdução bastante longa, vamos ao assunto do livro “O Meio é a Massagem”, transcrevendo-o e elaborando-o:

As roupas novas do imperador

Nosso mundo eletricamente configurado nos forçou a passar do hábito de classificação de dados para o modo de reconhecimento de padrões. Não podemos mais construir em série, bloco a bloco, passo a passo, porque a comunicação instantânea garante que todos os fatores do ambiente e da experiência coexistam em um estado de interação ativa.
Os ambientes não são invólucros passivos, mas sim processos ativos que são invisíveis. As regras básicas, estrutura abrangente e padrões gerais de ambientes escapam à percepção fácil. Antiambientes, ou contrasituações feitas por artistas, fornecem meios de atenção direta e nos permitem ver e entender com mais clareza. A interação entre o antigo e o novo ambiente cria muitos problemas e confusões. O principal obstáculo para uma compreensão clara dos efeitos da nova mídia é nosso hábito profundamente arraigado de considerar todos os fenômenos de um ponto de vista fixo. Falamos, por exemplo, de “ganhar perspectiva”.
Esse processo psicológico deriva inconscientemente da tecnologia de impressão. A tecnologia de impressão criou o público. A tecnologia elétrica criou a massa. O público é composto por
indivíduos separados andando com pontos de vista separados e fixos. A nova tecnologia exige que abandonemos o luxo dessa postura, essa perspectiva fragmentária.
O método do nosso tempo é usar não um, mas vários modelos para exploração – a técnica do julgamento suspenso é a descoberta do século XX, assim como a técnica da invenção foi a descoberta do século XIX

O poeta, o artista, o detetive — quem aguça nossa percepção tende a ser anti-social; raramente “bem ajustado”, ele não pode acompanhar as correntes e tendências. Um vínculo estranho geralmente existe entre os tipos antissociais em seu poder de ver os ambientes como eles realmente são. Essa necessidade de interface, de confrontar  ambientes com um certo poder antissocial, manifesta-se na famosa história “As roupas novas do imperador“. Cortesãos “bem ajustados”, tendo interesses ocultos, “viam” o Imperador como belamente  vestido. O pirralho “antissocial”, desacostumado ao ambiente, viu claramente que o Imperador “estava nú”. O ambiente real era claramente visível para ele.

Michael Faraday: 

“Minha educação foi da descrição mais comum, consistindo em pouco mais do que os rudimentos de leitura, escrita e aritmética em uma escola comum. Minhas horas fora da escola eram passadas em casa e nas ruas.” Michael Faraday, que tinha pouca matemática e nenhuma escolaridade formal além das séries primárias, é celebrado como um experimentador que descobriu a indução da eletricidade. Ele foi um dos grandes fundadores da física moderna. É geralmente reconhecido que a ignorância matemática de Faraday contribuiu para sua inspiração, que o obrigou a desenvolver um conceito simples e não matemático quando procurou uma explicação de seus fenômenos elétricos e magnéticos. Faraday tinha duas qualidades que mais do que compensavam sua falta de educação: intuição e independência fantásticas e originalidade de espírito.
Profissionalismo é ambiental. O amadorismo é anti-ambiental. O profissionalismo funde o indivíduo em padrões de ambiente total.
O amadorismo busca o desenvolvimento da consciência total do indivíduo e a consciência crítica das regras básicas da sociedade. O amador pode se dar ao luxo de perder. O profissional tende a classificar e se especializar, a aceitar acriticamente as regras básicas do ambiente. As regras básicas fornecidas pela resposta em massa de seus colegas servem como um ambiente penetrante do qual ele está satisfeito e inconsciente. O “expert” é o homem que fica parado.
“Há crianças brincando na rua que poderiam resolver alguns dos meus principais problemas de física, porque têm modos de percepção sensorial que perdi há muito tempo.”—J. Robert Oppenheimer

Mark Twain: “Nunca deixei a escolaridade interferir na minha educação”

Aos jovens de hoje não é permitido aproximar-se da herança tradicional da humanidade pela porta da consciência tecnológica. Esta única porta possível para eles é fechada em seus rostos por uma sociedade de espelhos retrovisores.
Os jovens de hoje vivem de forma mítica e em profundidade. Mas eles encontram instrução em situações organizadas por meio de informações classificadas – os assuntos não são relacionados, são concebidos visualmente em termos de um projeto. Muitas de nossas instituições suprimem toda a experiência direta natural da juventude, que responde com deleite não ensinado à poesia e à beleza
do novo ambiente tecnológico, o ambiente da cultura popular. Poderia ser sua porta para todas as conquistas passadas se estudada como uma força ativa (e não necessariamente benigna).
O aluno não encontra meios de envolvimento para si mesmo e não consegue descobrir como o esquema educacional se relaciona com seu mundo mítico de dados processados ​​eletronicamente e com a experiência que suas respostas claras e diretas relatam.
É da maior urgência que nossas instituições de ensino percebam que agora temos uma guerra civil entre esses ambientes criados por outras mídias que não a palavra impressa. A sala de aula está agora em uma luta vital pela sobrevivência com o mundo “exterior” imensamente persuasivo criado pelos novos meios de informação. A educação deve passar da instrução, da imposição de estênceis, à descoberta — à sondagem e exploração e ao reconhecimento da linguagem das formas.
Os jovens de hoje rejeitam metas. Eles querem papéis – O ouvido não favorece nenhum “ponto de vista” específico. Estamos envolvidos pelo som. Ele forma uma teia perfeita ao nosso redor. Dizemos: “A música encherá o ar”. Nunca dizemos: “A música deve preencher um segmento específico do ar”.
Ouvimos sons de todos os lugares, sem nunca ter que nos concentrar. Os sons vêm de “acima”, de “abaixo”, de “na frente” de nós, de “atrás” de nós, de nossa “direita”, de nossa “esquerda”. Não podemos desligar o som automaticamente. Nós simplesmente não estamos equipados com earlids. Onde um espaço visual é um continuum organizado de um tipo uniformemente conectado, o mundo do ouvido é um mundo de relações simultâneas.
R-O-L-E-S. Ou seja, envolvimento total. Eles não querem objetivos ou empregos fragmentados e especializados. Agora vivenciamos simultaneamente a evasão e o teach-in. As duas formas são correlativas. Eles pertencem um ao outro. O teach-in representa uma tentativa de mudar a educação da instrução para a descoberta, de estudantes de lavagem cerebral para instrutores de lavagem cerebral. É uma grande e dramática inversão. O Vietnã, como o conteúdo do ensinamento, é um Red Herring muito pequeno e talvez enganoso. Realmente tem pouco a ver com o teach-in, como tal, mais do que com a evasão. A evasão representa uma rejeição da tecnologia do século XIX como manifestada em nossos estabelecimentos de ensino. O teach-in representa um esforço criativo, mudando o processo educacional do pacote para a descoberta. À medida que o público se torna um participante do drama elétrico total, a sala de aula pode se tornar uma cena na qual o público realiza uma enorme quantidade de trabalho.

“A descoberta do alfabeto criará esquecimento na alma dos alunos, porque eles não usarão suas memórias; eles confiarão nos caracteres escritos externos e não se lembrarão de si mesmos… Você não dá a seus discípulos a verdade, mas apenas a aparência da verdade; eles serão heróis de muitas coisas e não terão aprendido nada; eles parecerão ser oniscientes e geralmente não saberão nada.”
Socrates, “Phaedrus”

A maioria das pessoas acha difícil entender conceitos puramente verbais. Eles suspeitam do ouvido; eles não confiam nisso. Em geral, nos sentimos mais seguros quando as coisas são visíveis, quando podemos “ver por nós mesmos”. Aconselhamos as crianças, por exemplo, a “acreditarem apenas na metade do que veem e em nada do que ouvem”. Todos os tipos de sistemas de notação “abreviados” foram desenvolvidos para nos ajudar a ver o que ouvimos. Empregamos metáforas visuais e espaciais para muitas expressões cotidianas. Insistimos em empregar metáforas visuais mesmo quando nos referimos a estados puramente psicológicos, como tendência e duração.
Por exemplo, dizemos depois quando realmente queremos dizer depois, sempre quando queremos dizer em todos os momentos. Somos tão tendenciosos visualmente que chamamos nossos homens mais sábios de visionários, ou videntes!

Jules Verne

Mesmo um escritor tão imaginativo como Júlio Verne falhou em vislumbrar a velocidade com que a tecnologia elétrica produziria mídia informacional. Ele previu precipitadamente que a televisão seria inventada no século XXIX.

Não é bem assim: No artigo In the Year 2889, que foi escrito em 1889 por Verne, ele descreveu uma alternativa para o jornal: “Em vez de ser impresso, o Earth Chronicle é todas as manhãs falado para assinantes, que, a partir de conversas interessantes com repórteres , estadistas e cientistas, conheçam as notícias do dia.”
O primeiro noticiário aconteceu em 1920 e o primeiro noticiário da rede de televisão foi outros 28 anos depois. Isso é décadas após a previsão de Verne. Hoje, centenas de milhões (talvez bilhões) de pessoas assistem diariamente aos noticiários da TV.

A escrita de ficção científica hoje apresenta situações que nos permitem perceber o potencial das novas tecnologias. Antigamente, o problema era inventar novas formas de economia de trabalho. Hoje, o inverso é o problema. Agora temos que ajustar, não inventar. Temos que encontrar os ambientes nos quais será possível conviver com nossas novas invenções. As grandes empresas aprenderam a explorar o escritor s-f (ficção científica). A televisão completa o ciclo do sensório humano. Com o ouvido onipresente e o olho em movimento, abolimos a escrita, a metáfora acústica-visual especializada que estabeleceu a dinâmica da civilização ocidental.
Na televisão ocorre uma extensão do sentido do tato ativo e exploratório que envolve todos os sentidos simultaneamente, ao invés da visão apenas. Você tem que estar “com” ele. Mas em todos os fenômenos elétricos, o visual é apenas um componente em uma interação complexa. Como, na era da informação, a maioria das transações são gerenciadas eletricamente, a tecnologia elétrica significou para o homem ocidental uma queda considerável no componente visual, em sua experiência, e um aumento correspondente na atividade de seus outros sentidos. A televisão exige participação e envolvimento em profundidade de todo o ser. Não funcionará como plano de fundo. Isso envolve você. Talvez seja por isso que tantas pessoas sentem que sua identidade foi ameaçada. Essa carga da brigada de luz elevou nossa consciência geral da forma e significado das vidas e eventos a um nível de extrema sensibilidade.
Foi o funeral do presidente Kennedy que provou mais fortemente o poder da televisão para dar a uma ocasião o caráter de participação corporativa. Envolve toda uma população em um processo ritual. (Em comparação, a imprensa, os filmes e o rádio são meros dispositivos de embalagem para os consumidores.) Na televisão, as imagens são projetadas em você. Você é a tela. As imagens envolvem você. Você é o ponto de fuga. Isso cria uma espécie de interioridade, uma espécie de perspectiva inversa que tem muito em comum com a arte oriental.

A geração da televisão é um bando sombrio. É muito mais sério do que crianças de qualquer outro período — quando eram frívolos, mais caprichosos. A criança da televisão é mais séria, mais dedicada. Na maioria das vezes, os poucos segundos entre as horas de exibição – os “comerciais” – refletem uma compreensão mais verdadeira do meio. Simplesmente não há tempo para a forma narrativa, emprestada da tecnologia de impressão anterior. O enredo deve ser abandonado. Até muito recentemente, os comerciais de televisão eram considerados simplesmente uma forma bastarda ou arte popular vulgar. Eles estão influenciando a literatura contemporânea. Vide “A Sangue Frio”, por exemplo.

A principal causa da decepção e das críticas à televisão é o fracasso por parte de seus críticos em vê-la como uma tecnologia totalmente nova que exige respostas sensoriais diferentes. Esses críticos insistem em considerar a televisão apenas como uma forma degradada de tecnologia impressa. Os críticos da televisão não perceberam que os filmes que eles estão exaltando—como “The Knack”, “Hard Day’s Night”, “What’s New Pussycat?”– seria inaceitável como filmes de grande audiência se o público não tivesse sido pré-condicionado por
comerciais de televisão a zooms abruptos, edição elíptica, sem linhas de história, cortes em flash.

Conforme Variety publicou:

Os filmes estão melhores do que nunca! Hollywood costuma ser fomentadora de revoluções anticolonialistas.
Como foi publicado pelo jornal do show business:
“Caixas de gelo sabotam o colonialismo”
Sukarno: “A indústria cinematográfica forneceu uma janela para o mundo, e as nações colonizadas olharam por essa janela e viram as coisas das quais foram privadas. Talvez geralmente não se perceba que uma geladeira pode ser um símbolo revolucionário — para pessoas que não têm geladeiras. Um automóvel de propriedade de um trabalhador em um país pode ser um símbolo de revolta para um povo privado até mesmo das necessidades da vida… [Hollywood] ajudou a construir o sentimento de privação do direito inato do homem, e esse sentimento de privação desempenhou um papel importante grande parte nas revoluções nacionais da Ásia do pós-guerra.”

“A maior e melhor mulher do mundo”, uma escultura de 20 metros de comprimento e 6 metros de altura, em Moderns Museet, Estocolmo. Você pode andar nela.

Os balineses dizem: “Não temos arte. Fazemos tudo da melhor maneira possível”. Curador do museu: “Eu não seria visto morto com uma obra de arte viva.”
A. K. Coomaraswamy: “Estamos orgulhosos de nossos museus, onde exibimos um modo de vida que tornamos impossível.”
O Estabelecimento presta homenagem a quatro rapazes anti-ambientais. O primeiro-ministro britânico Wilson visita o Cavern Club em Liverpool, onde os Beatles começaram. O museu tornou-se um depósito de valores humanos, um banco de sangue cultural.

The environment as a processor of information is propaganda. Propaganda ends where dialogue begins. You must talk to the media, not to the programmer. To talk to the programmer is like complaining to a hot dog vendor at a ballpark about how badly your favorite team is playing.

“I —I hardly know, sir, just at present—at least I know who I was when I got up this morning, but I think I must have been changed several times since then.”

The Medium is the Massage

You can read this book online

Original Hard Cover
Penguin 1967

This book has several confusing notions which have to be explained.
The very first is the name, which should be The Medium is the Message and it came out initially by mistake and thereafter intentionally because McLuhan realized that the Medium created the Mass Age and can be combined with the idea that somehow it “massages” the sensorium of the persons subject to its influence.
The second, of perhaps a combination of notions, is that clearly one has the feeling that Mcluhan is talking about Internet, IPhone and all that paraphernalia which constitutes Media today (21rst century) which he summarizes it all with the word “eletricity”;

Actually, he refers to what you can do with electricity, what he kind of summarizes mentioning “circuits“, but actually he is referring to all the gadgets which electricity brought us, specially computers, radio and television, which are central to his thinking. Curiously, he analyses the computer and these media, specially television, in such a manner, that you can perfectly think about Internet, IPhone and everything which comes with it and his concepts work even better.

The biggest confusion and the hardest to understand is that he places the electricity environment against the established pattern which he centers around the printing press invention by Gutenberg.

This has to be elaborated to be understood, which he does discussing “The Future of Man in the Electric Age” from which I quote:

“We’ve been living in a culture in which our whole way of looking at the world has been determined by typography, by the successiveness of print and so on.”

“We have a better opportunity of seeing our old technologies when they confront other populations elsewhere in the world – the effects they have on most people are so startling and so sudden that we have an opportunity to see what happened to us over many centuries (which we couldn’t see because we’re inside the system, and then his famous metaphor of the fish inside the water withouth actually knowing what is water.

The effect in perception when the person is brought up in a oral or a print culture can better be understood at:

The Case of the Africans and the chicken

I have discussed in detail also the following:

After this rather lenghty introduction, let’s get to the subject of the book “The Medium is the Massage“, transcribing and elaborating on it:

The Emperor’s New Clothes

Our electrically-configured world has forced us to move from the habit of data classification to the mode of pattern recognition. We can no longer build serially, block-by-block, step-by-step, because instant communication insures that all factors of the environment and of experience coexist in a state of active interplay.
Environments are not passive wrappings, but are, rather, active processes which are invisible. The ground rules, pervasive structure, and over-all patterns of environments elude easy perception. Anti Environments, or countersituations made by artists, provide means of direct attention and enable us to see and understand more clearly. The interplay between the old and the new environments creates many problems and confusions. The main obstacle to a clear understanding of the effects of the new media is our deeply embedded habit of regarding all phenomena from a fixed point of view. We speak, for instance, of “gaining perspective.”
This psychological process derives unconsciously from print technology. Print technology created the public. Electric technology created the mass. The public consists of
separate individuals walking around with separate, fixed points of view. The new technology demands that we abandon the luxury of this posture, this fragmentary outlook.
The method of our time is to use not a single but multiple models for exploration—the technique of the suspended judgment is the discovery of the twentieth century as the technique of invention was the discovery of the nineteenth  century

The poet, the artist, the sleuth —whoever sharpens our perception tends to be antisocial; rarely “well adjusted,” he cannot go along with currents and trends. A strange bond often exists among antisocial  types in their power to see environments as they really are. This need to interface, to confront environments with a certain antisocial power,
is manifest in the famous story, “The Emperor’s New Clothes.” “Well-adjusted” courtiers, having vested interests, saw the Emperor as beautifully appointed. The “antisocial” brat, unaccustomed to the old environment, clearly saw that the Emperor “ain’t got nothin’ on.” The new environment was clearly visible to him.

O Rei está nu.jpg

Michael Faraday:

 “My education was of the most ordinary description, consisting of little more than the rudiments of reading, writing, and arithmetic at a common day school. My hours out of school were passed at home and in the streets.” Michael Faraday, who had little mathematics and no formal schooling beyond the primary grades, is celebrated as an experimenter who discovered the induction of electricity. He was one of the great founders of modern physics. It is generally acknowledged that Faraday’s ignorance of mathematics contributed to his inspiration, that it compelled him to develop a simple, non mathematical concept when he looked for an explanation of his electrical and magnetic phenomena. Faraday had two qualities that more than made up for his lack of education: fantastic intuition and independence and originality of mind.

Professionalism is environmental. Amateurism is anti-environmental. Professionalism merges the individual into patterns of total environment.
Amateurism seeks the development of the total awareness of the individual and the critical awareness of the ground rules of society. The amateur can afford to lose. The professional tends to classify and to specialize, to accept uncritically the ground rules of the environment. The ground rules provided by the mass response of his colleagues serve as a pervasive environment of which he is contentedly and unaware. The “expert” is the man who stays put.
“There are children playing in the street who could solve some of my top problems in physics, because they have modes of sensory perception that I lost long ago.”
J. Robert Oppenheimer

Mark Twain: “I Have Never Let Schooling Interfere With My Education”

The youth of today are not permitted to approach the traditional heritage of mankind through the door of technological awareness. This only possible door for them is slammed in their faces by a rear-view mirror society.
The young today live mythically and in depth. But they encounter instruction in situations organized by means of classified information—subjects are unrelated, they are visually conceived in terms of a blueprint. Many of our institutions suppress all the natural direct experience of youth, who respond with untaught delight to the poetry and the beauty
of the new technological environment, the environment of popular culture. It could be their door to all past achievement if studied as an active (and not necessarily benign) force.
The student finds no means of involvement for himself and cannot discover how the educational scheme relates to his mythic world of electronically processed data and experience that his clear and direct responses report.
It is a matter of the greatest urgency that our educational institutions realize that we now have civil war among these environments created by media other than the printed word. The classroom is now in a vital struggle for survival with the immensely persuasive “outside” world created by new informational media. Education must shift from instruction, from imposing of stencils, to discovery —to probing and exploration and to the recognition of the language of forms.
The young today reject goals. They want roles — The ear favors no particular “point of view.” We are enveloped by sound. It forms a seamless web around us. We say, “Music shall fill the air.” We never say, “Music shall fill a particular segment of the air.”
We hear sounds from everywhere, without ever having to focus. Sounds come from “above,” from “below,” from “in front” of us, from “behind” us, from our “right,” from our “left.” We can’t shut out sound automatically. We simply are not equipped with earlids. Where a visual space is an organized continuum of a uniformed connected kind, the ear world is a world of simultaneous relationships.
R-O-L-E-S. That is, total involvement. They do not want fragmented, specialized goals or jobs. We now experience simultaneously the dropout and the teach-in. The two forms are correlative. They belong together. The teach-in represents an attempt to shift education from instruction to discovery, from brainwashing students to brainwashing instructors. It is a big, dramatic reversal. Vietnam, as the content of the teach-in, is a very small and perhaps misleading Red Herring. It really has little to do with the teach-in, as such,  anymore than with the dropout. The dropout represents a rejection of nineteenth century technology as manifested in our educational establishments. The teach-in represents a creative effort, switching the educational process from package to discovery. As the audience becomes a participant in the total electric drama, the classroom can become a scene in which the audience performs an enormous amount of work.

“The discovery of the alphabet will create forgetfulness in the learners’ souls, because they will not use their memories; they will trust to the external written characters and not remember of themselves… You give your disciples not truth but only the semblance of truth; they will be heroes of many things, and will have learned nothing; they will appear to be omniscient and will generally know nothing.”
Socrates, “Phaedrus”

Most people find it difficult to understand purely verbal concepts. They suspect the ear; they don’t trust it. In general we feel more secure when things are visible, when we can “see for ourselves.” We admonish children, for instance, to “believe only half of what they see, and nothing of what they hear.” All kinds of “shorthand” systems of notation have been developed to help us see what we hear. We employ visual and spatial metaphors for a great many everyday expressions. We insist on employing visual metaphors even when we refer to purely psychological states, such as tendency and duration.
For instance, we say thereafter when we really mean thenafter, always when we mean at all times. We are so visually biased that we call our wisest men visionaries, or seers!

Jules Verne

In the year 2889 J Verne.jpg

Even so imaginative a writer as Jules Verne failed to envisage the speed with which electric technology would produce informational media. He rashly predicted that television would be invented in the XXIXth Century.

Not so: In the article In the Year 2889, which was written in 1889 by Verne, he described an alternative for the newspaper: “Instead of being printed, the Earth Chronicle is every morning spoken to subscribers, who, from interesting conversations with reporters, statesmen and scientists, learn the news of the day.”
The first newscast happened in 1920 and the first network-television newscast was another 28 years later. That’s decades after Verne’s prediction. Today, hundreds of millions (perhaps even billions) people watch the TV news daily.

Science-fiction writing today presents situations that enable us to perceive the potential of new technologies. Formerly, the problem was to invent new forms of labor-saving. Today, the reverse is the problem. Now we have to adjust, not to invent. We have to find the environments in which it will be possible to live with our new inventions. Big Business has learned to tap the s-f (scienci fiction) writer. Television completes the cycle of the human sensorium. With the omnipresent ear and the moving eye, we have abolished writing, the specialized acoustic-visual metaphor that established the dynamics of Western civilization.
In television there occurs an extension of the sense of active, exploratory touch which involves all the senses simultaneously, rather than that of sight alone. You have to be “with” it. But in all electric phenomena, the visual is only one component in a complex interplay. Since, in the age of information, most transactions are managed electrically, the electric technology has meant for Western man a considerable drop in the visual component, in his experience, and a corresponding increase in the activity of his other senses. Television demands participation and involvement in depth of the whole being. It will not work as a background. It engages you. Perhaps this is why so many people feel that their identity has been  threatened. This charge of the light brigade has heightened our general awareness of the shape and meaning of lives and events to a level of  xtreme sensitivity.
It was the funeral of President Kennedy that most strongly proved the power of television to invest an occasion with the character of corporate participation. It involves an entire population in a ritual process. (By comparison, press, movies, and radio are mere packaging devices for consumers.) In television, images are projected at you. You are the screen. The images wrap around you. You are the vanishing point. This creates a sort of inwardness, a sort of reverse perspective which has much in common with Oriental art.

The television generation is a grim bunch. It is much more serious than children of any other period —when they were frivolous, more whimsical. The television child is more earnest, more dedicated. Most often the few seconds sandwiched between the hours of viewing—the “commercials”—reflect a truer understanding of the medium. There simply is no time for the narrative form, borrowed from earlier print technology. The story line must be abandoned. Up until very recently, television commercials were regarded as simply a bastard form, or vulgar folk art. They are influencing contemporary literature. Vide “In Cold Blood”, for instance.

The main cause for disappointment in and for criticism of television is the failure on the part of its critics to view it as a totally new technology which demands different sensory responses. These critics insist on regarding television as merely a degraded form of print technology. Critics of television have failed to realize that the motion pictures they are lionizing—such as “The Knack,” “Hard Day’s Night,” “What’s New Pussycat?”- would prove unacceptable as mass audience films if the audience had not been preconditioned by
television commercials to abrupt zooms, elliptical editing, no story lines, flash cuts.

As Variety published:

Movies are better than ever! Hollywood is often a fomenter of anti-colonialist revolutions.
As published by the show business paper:
“Ice Boxes Sabotage Colonialism”
Sukarno: “The motion picture industry has provided a window on the world, and the colonized nations have looked through that window and have seen the things of which they have been deprived. It is perhaps not generally realized that a refrigerator can be a revolutionary symbol—to a people who have no refrigerators. A motor car owned by a worker in one country can be a symbol of revolt to a people deprived of even the necessities of life… [Hollywood] helped to build up the sense of deprivation of man’s birthright, and that sense of deprivation has played a large part in the national revolutions of postwar Asia.”

“The biggest and best woman in the world,” an 82-foot-long, 20-foot-high sculpture, in Moderns Museet, Stockholm. You can walk around in her.

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The Balinese say: “We have no art. We do everything as well as we can.” Museum curator: “I wouldn’t be seen dead with a living work of art.”
A. K. Coomaraswamy: “We are proud of our museums where we display a way of living that we have made impossible.”

The Establishment pays homage to four anti environmental lads. British Prime Minister Wilson visits the Cavern Club in Liverpool where the Beatles got their start. The museum has become a storehouse of human values, a cultural blood bank. 

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The environment as a processor of information is propaganda. Propaganda ends where dialogue begins. You must talk to the media, not to the programmer. To talk to the programmer is like complaining to a hot dog vendor at a ballpark about how badly your favorite team is playing.

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“I —I hardly know, sir, just at present—at least I know who I was when I got up this morning, but I think I must have been changed several times since then.”

Marshall McLuhan in the Memory of the World Register

By Rob Fisher, Senior Archivist, Archives Branch

“Le medium est le message” [the medium is the message] poster, 1970. Credit: Université de Montréal, Division de la gestion des documents et des archives.

The Marshall McLuhan archive attracts researchers from around the world to the reading room of Library and Archives Canada. They are drawn by the desire to understand the inspiration and ideas of the Canadian “prophet” of the digital age who foretold the impact of electronic media and coined phrases like “the global village,” “the medium is the message,” and “surfing” for information. The McLuhan archive at Library and Archives Canada (LAC) has now attracted another form of international attention: UNESCO recognized its global significance in 2017 by inscribing his personal archive and library in the Memory of the World Register!

Marshall McLuhan (1911–1980) was a Professor of English at the University of Toronto but is best known as a cultural theorist and public intellectual. The McLuhan archive and library is one of only six Canadian entries in the prestigious UNESCO register, and the first documentary heritage to be inscribed from LAC’s collection. LAC and the University of Toronto Libraries, which holds McLuhan’s personal library, made the joint submission to the UNESCO Memory of the World Programme. Founded in 1992 to promote and protect the world’s documentary heritage through preservation and access, the Memory of the World Programme includes in its register only those documentary collections that meet its strict criteria of “world significance and outstanding universal value.”note2

The Memory of the World Register ranges from historical treasures like the Magna Carta and the Bayeux Tapestry, to the papers of Hans Christian Andersen, Louis Pasteur and Winston Churchill, among others. The inclusion of Marshall McLuhan is a signal honour for LAC, and for Canada. Guy Berthiaume, the Librarian and Archivist of Canada, remarked, “This recognition from UNESCO is very fitting, because while we are very proud that this great thinker was Canadian, his enduring legacy also unquestionably extends to all of humanity.”

McLuhan’s groundbreaking insights in books like The Gutenberg Galaxy (1962) and Understanding Media (1964) revolutionized our understanding of how media, from the printing press to electronic media, have shaped the world today. His provocative and disruptive ideas, from the “global village” to “hot” and “cool” media, ushered in new disciplines of inquiry in communications theory and media ecology. Though his name is synonymous with the 1960s, the emergence and spread of the Internet and the World Wide Web in the 1990s revealed the enduring relevance of his insights into the transformative effect of media. Worldwide interest in McLuhan has undergone a renaissance since 2000, accentuated by a rising tempo of research and publications about his life and work, including dozens of conferences and events in 2011 to mark the centennial of his birth.

The archive might not have ended up in Canada. After McLuhan’s death in 1980, several American university archives expressed interest in purchasing the archive from his estate. Canadian archival institutions could not match their offers, but thanks to special funding made available by Prime Minister Pierre Trudeau, LAC purchased the McLuhan archive in 1984. The sale was for less than the rumoured offers from the United States, but the McLuhan family wished to keep his archive in Canada.

The McLuhan archive at LAC holds 43 metres of textual records, 375 photographs, 275 posters and prints, 134 audiovisual recordings, and 5 objects. His manuscripts series, comprising 17 metres of drafts, research notes and resource material for his books, articles and other writings, is among the most heavily consulted. McLuhan’s ideas take shape from their first inspiration in handwritten notes and then evolve through manuscript drafts into printed text. His extensive personal correspondence also reveals his family life, formative influences and exchange of ideas with other influential figures. The correspondence includes letters from Pierre Trudeau, Wyndham Lewis, Ezra Pound, Edmund Carpenter, Robertson Davies, Sheila Watson, William Jovanovich, Buckminster Fuller, Glenn Gould, Yousuf Karsh, Walter Ong and Hugh Kenner, among others.

Complementing the archive at LAC, the Thomas Fisher Rare Book Library at the University of Toronto holds over 6,000 publications from McLuhan’s personal library. McLuhan drew inspiration from his voracious reading, filling the margins and endpapers with annotations to capture ideas in the moment. To celebrate the nomination to the Memory of the World Register, LAC and the University of Toronto Libraries have created a web exhibition, “Virtually Reconnecting Marshall McLuhan’s Archives and Library.” This web exhibition brings together McLuhan’s annotations in books from the library with his letters from the archives discussing these books (he often sent these letters to the authors of the books). Reading inspired McLuhan and led to an exchange of ideas with other scholars. The books and letters in this web exhibition were selected because they reveal the interplay between the library and the archives. Reconstructing the links between these physically separate collections provides new insight into the progression of McLuhan’s thinking.note3

The inclusion of the McLuhan archive and library in the UNESCO Memory of the World Register is an enduring testament to how one Canadian profoundly changed the world. The honour may also be seen as acknowledging LAC’s commitment to preserve and make accessible his archival legacy for future generations.

Ambientes de mídia e nosso sensorium

Extrapolating on McLuhan: How MediaEnvironments of the Given, the Represented,and the Induced Shape and Reshape Our Sensorium

 Andrey.Mir70@gmail.com Independent Scholar, Kingston, ON K7M 2W8, Canada;  Academic Editors: Robert K. Logan and Marcin J. Schroeder

Philosophies 2016, 1, 170–189 186

Resumo: O artigo desenvolve a abordagem de Marshall McLuhan para a interação entre a mídia, o sensório e a realidade. Os conceitos de “espaço acústico” e “espaço visual” de McLuhan são desdobrados no que diz respeito às consequências que a mídia digital terá sobre a capacidade humana de perceber a realidade. A interação realidade-sensorium é sistematizada no artigo. Essa sistematização inclui os ambientes do dado, do representado e do induzido. Esses ambientes são moldados por estágios sequenciais de evolução da mídia, que se relacionam com a mídia pré-letrada, a mídia baseada no alfabeto e a mídia digital. Presume-se que as tecnologias de mídia existentes e futuras alterem a biologia humana e a transcendam. Dentro do conjunto de tecnologias de mídia que alteram a biologia humana, são tratados sabores artificiais, sentidos eletricamente induzidos, mídia imersiva, realidade aumentada e realidade virtual. Dentro do conjunto de impactos da mídia que irão mudar o sensório humano, a rejeição da gravidade (relacionada ao “angelismo” McLuhaniano do homem desencarnado eletrônico), a mudança na navegação das redes biológicas para as redes sociais, o sentido dos outros e a sede para resposta são tratados. Platão, Lenin, Wittgenstein, Benveniste, Logan, Carr, Shirky e outros pensadores são empregados no artigo para apoiar essas especulações McLuhanianas e esboçar tendências prospectivas na evolução da mídia e do sensório.

Palavras-chave: Marshall McLuhan; sensório humano; mídia digital; sinestesia; realidade aumentada, realidade virtual; transumanismo

1 – Introdução

A frase de efeito mais famosa de McLuhan, “O meio é a mensagem”, uma vez foi trocada de maneira inadivertida pelo título do livro de McLuhan e Fiore: O meio é a massagem [1]. Esse formato deixa muito espaço para interpretações. Uma interpretação sugere que a frase significa que cada meio é capaz de, ou mesmo objetivado, “massagear” o sensório humano. Marshall McLuhan deu uma grande contribuição para a exploração dos impactos da mídia na sociedade e na cultura. Metodologicamente, ele explorou os impactos da mídia social e cultural por meio dos impactos que a mídia tem no sensorio. A midia impacta a vida humana independentemente do seu conteúdo (por isso “o meio é a mensagem”), porque envolvem uma ou outra parte do sensorio humano simplesmente para serem percebidos. Por sua vez, a mídia enfatiza uma certa parte do sensório para criar “espaços” específicos de pensamento e ação humanos. Essa metodologia permitiu a McLuhan e seus seguidores estudar a mídia por conta própria, não seu conteúdo, e estabelecer todo o campo da ecologia da mídia. McLuhan separou dois espaços que são criados pelos impactos da mídia no sensório. A mídia pré-alfabetizada cria um “espaço acústico”, onde os humanos agem naturalmente, em seu estado tribal, vendo o mundo sincreticamente. A mídia letrada e baseada no alfabeto (isto é, a mídia escrita e escriba) usa a faculdade da visão para ser percebida, criando assim um “espaço visual“, que aliena os humanos do coletivismo tribal, cria individualismo, pensamento analítico racional, estados-nação, etc. Quando o rádio e a televisão marcharam vitoriosamente pelo planeta, McLuhan percebeu que a eletricidade nos afastou do “espaço visual” para o “espaço acústico” com sua percepção tridimensional da realidade. Com efeito, afastar-se do “espaço visual” e voltar ao “espaço acústico” significa que a nossa percepção da realidade foi devolvida à forma “natural” de sensação, quando todo o sensório está envolvido, como costumava ser antes do alfabeto. Mas aqui está um paradoxo: embora o espaço tridimensional acústico da mídia “elétrica” simule a percepção natural da realidade, a realidade da mídia elétrica não é natural. É criada, ou, melhor dizendo, induzida. Assim, aplicamos a forma natural de percepção ao ambiente artificial. É um afastamento da vida, não apenas uma forma de consumo de informação. Sensação, não cognição, é o alvo das mídias que se aproximam, sejam elas tecnologias de realidade aumentada, realidade virtual, mídia imersiva, interfaces cinéticas, etc. Podemos ir ainda mais longe e dizer que o ambiente artificial da mídia elétrica tende a se tornar o natural habitat para nós. Para atingir essa condição, as mídias elétricas e agora digitais ajustam constantemente o ambiente induzido por elas para uma melhor percepção sensorial. Essas tecnologias de mídia futurísticas estão sendo desenvolvidas, das quais nem mesmo McLuhan tinha ideia. Mas absolutamente no espírito dos pensamentos de McLuhan, a espécie humana desenvolve as tecnologias de mídia mais avançadas a fim de capturar todo o sensório e, a partir daí, essas tecnologias remodelam nosso sensório. Para viver no novo ambiente, os humanos certamente obterão um novo sensorium. Até onde os humanos irão mudar seu sensório? Eles ainda serão humanos depois? Extrapolando a abordagem de McLuhan para as novas coisas que obtemos no curso da evolução da mídia, é possível esboçar tanto as futuras inovações da mídia destinadas a capturar o sensório quanto as mudanças no próprio sensório, sob a pressão de inovações de mídia.

2 – Sensações como estrutura espacial subjacente à contraposição visual e acústica de McLuhan. Harold Innis estabeleceu que certas mídias têm certos vieses de espaço-tempo, por meio dos quais influenciam o desenvolvimento de certos tipos de impérios.

Os conceitos de tempo e espaço refletem a importância da mídia para a civilização. Os meios que enfatizam o tempo são aqueles de caráter durável, como pergaminho, argila e pedra. Os materiais pesados são adequados para o desenvolvimento da arquitetura e da escultura. Mídias que enfatizam o espaço tendem a ser menos duráveis e de caráter leve, como papiro e papel. Estes últimos são adequados para amplas áreas da administração e do comércio. A conquista do Egito por Roma deu acesso a suprimentos de papiro que se tornaram a base de um grande império administrativo. Materiais que enfatizam o tempo favorecem a descentralização e tipos hierárquicos de instituições, enquanto aqueles que enfatizam o espaço favorecem a centralização e sistemas de governo menos hierárquicos em caráter [2]

Aqui, Innis destaca a capacidade da mídia de moldar o ambiente social. Marshall McLuhan desenvolveu essas idéias conectando a capacidade da mídia de moldar ambientes a certos canais sensoriais de percepção da mídia. Segundo McLuhan, a mídia forma “espaços”, que se caracterizam por formas visuais ou acústicas de percepção e atuação.

O espaço acústico é o ambiente da palavra falada, o ambiente pré-letrado, onde todas as coisas coexistem e podem ser percebidas simultaneamente. A linguagem escrita, a partir dos hieróglifos, impulsionada pelo alfabeto e depois pela imprensa, deu forma ao espaço visual, onde todas as coisas são lineares, organizadas por meio do texto, e podem ser percebidas sequencialmente. O espaço acústico foi predominante na idade oral, pré-letrada, sendo o habitat do homem tribal. “Até que a escrita foi inventada, o homem vivia no espaço acústico: sem limites, sem direção, sem horizonte, na escuridão da mente, no mundo da emoção, pela intuição primordial, o terror”, escreveu McLuhan [3]. O espaço visual dominou no Ocidente do século 15 ao início do século 20, graças ao texto impresso que se tornou o meio principal. No entanto, as coisas começaram a mudar com o surgimento da mídia elétrica, que está nos retornando a um espaço acústico tribal pré-letrado, de acordo com McLuhan. À primeira vista, a oposição de espaços, que se baseia nos adjetivos “acústico” e “visual”, parece inconsistente, principalmente quando aplicada a meios elétricos. O meio elétrico mais proeminente conhecido na época de McLuhan era a televisão. Como a televisão poderia colocar humanos em um espaço acústico se ainda tinha a palavra “visão” em seu nome? Aqui está como o próprio McLuhan explicou esses conceitos em sua famosa entrevista para a Playboy:

… Outra característica básica que distingue o homem tribal de seus sucessores letrados é que ele viveu em um mundo de espaço acústico, o que lhe deu um conceito radicalmente diferente de relações espaço-tempo.

PLAYBOY: O que você quer dizer com “espaço acústico”?

MCLUHAN: Quero dizer espaço que não tem centro nem margem, ao contrário do espaço estritamente visual, que é uma extensão e intensificação do olho. O espaço acústico é orgânico e integral, percebido por meio da interação simultânea de todos os sentidos; enquanto o espaço “racional” ou pictórico é uniforme, sequencial e contínuo e cria um mundo fechado sem nenhuma das ricas ressonâncias da ecolândia tribal. Nossos próprios conceitos de espaço-tempo ocidentais derivam do ambiente criado pela descoberta da escrita fonética, assim como todo o nosso conceito de civilização ocidental. O homem do mundo tribal levava uma vida complexa e caleidoscópica precisamente porque o ouvido, ao contrário do olho, não pode ser focalizado e é sinestésico em vez de analítico e linear. A fala é uma expressão, ou mais precisamente, uma exteriorização de todos os nossos sentidos ao mesmo tempo; o campo auditivo é simultâneo, o visual sucessivo [4]

Os conceitos de McLuhan de espaço visual e espaço acústico obviamente se referem à esfera das sensações. Mas também importante é que McLuhan usou a palavra “espaço”, não “sentido”. Não se trata de sentidos de visão ou audição diretamente. Muitos ecologistas de mídia proeminentes têm prestado atenção a esta distinção entre “espaço” e “sentido”. Em seu McLuhan mis understood: Setting the Record Straight, Robert Logan sugere uma boa explicação do uso de McLuhan dos termos “visual” e “acústico” aplicado à ideia de espaço, não sentido:

McLuhan considerou dois estados diferentes e opostos do sensório, que ele caracterizou como espaço visual e espaço acústico, sendo este último às vezes referido como espaço audio-tátil. Ele acreditava que o sensório de pré-letrados ou culturas orais era dominado pelo sentido audio-tátil, no qual a informação é processada simultaneamente em tempo real. As sociedades letradas, nas quais a informação é adquirida pelo uso da faculdade visual de ler, desenvolvem um viés visual em que a informação é processada de maneira sequencial linear, um item de cada vez, no mesmo padrão da palavra escrita. Como resultado, o homem letrado opera no espaço visual [5].

Além disso, Logan [5] (Kindle Locations 975-976) lista características imanentes ao espaço acústico e ao espaço visual:

McLuhan caracterizou a diferença entre espaço visual e acústico com os termos da tabela a seguir, que compilei e compartilhei com Gordon Gow, que os citou em seu artigo, “Making Sense of McLuhan Space” (2004).

É importante notar que a maioria dessas características são, em essência, espaciais. Paul Levinson escreve em seu Digital McLuhan sobre o desligamento da visão de outros sentidos no processo de desenvolvimento de um alfabeto fonético como meio. Levinson destaca que, para McLuhan, a visibilidade é mais um traço do espaço criado por um meio do que uma parte do sensório, mesmo que (ou porque) esse espaço tenha sido criado, tecnicamente, por meio da percepção visual:

O artigo faz uma observação surpreendente: o que consideramos espaço visual normal ou natural é na verdade um artefato tecnológico – um resultado de hábitos perceptivos criados pela leitura e escrita com um alfabeto fonético. Ou, como McLuhan colocou, muito mais tarde, em dois livros publicados postumamente, “quando a consoante foi inventada como uma abstração sem sentido, a visão se destacou dos outros sentidos e o espaço visual começou a se formar” (M. McLuhan & E. McLuhan, 1988, p. 13) … Assim, McLuhan … é consistente em sua visão de que o que consideramos natural nas formas e na organização de nosso mundo visual externo é na verdade uma consequência das lentes tecnológicas através das quais muitos de nós nos últimos 2500 anos de história ocidental tendem a considerar o mundo – especificamente, o prisma do alfabeto linear e conectado [6]. O mesmo vale para a audibilidade do espaço acústico: é mais uma propriedade espacial do que sensorial, embora se refira de alguma forma ao sentido da audição. A palavra “tátil” na definição de McLuhan de “audio-tátil”, para espaço criado por meios elétricos, é particularmente importante. É a tatilidade que permite às pessoas interagirem com o ambiente físico, utilizando dados de todos os outros sentidos. É por isso que McLuhan especificou que “a tactilidade é a interação dos sentidos” [7]. Com isso, ele se referiu à capacidade dos meios elétricos de recriarem a forma natural e biológica da percepção humana da realidade circundante. Por meio da interação entre a mídia e o sensório humano, McLuhan queria dizer algo mais profundo do que apenas a estimulação de receptores. Aqui está a pista: para McLuhan, as sensações eram apenas uma forma de distinguir características espaciais dos ambientes de mídia (baseados no alfabeto e baseados na eletricidade). O visual (no contexto da mídia impressa), para McLuhan, era um espaço de percepção linear, enquanto o acústico era um espaço de percepção simultânea. Embora essas especificações tendenciosas de tempo de diferentes tipos de mídia sejam representadas por meio de características sensoriais, elas na verdade refletem uma abordagem ambiental da parte de McLuhan. O ambiente linear, unidimensional (desdobramento no tempo) da cognição se opõe ao ambiente simultâneo e tridimensional (desdobramento no espaço) das sensações. Substancial para a teoria de McLuhan de “separação da visão dos outros sentidos”, mencionada por Levinson, é, de fato, a evidência de moldar alguma visão interna, que é um fenômeno que não é sensorial, mas sim inteligível. Essa visão interior surgiu graças à representação escrita / impressa da realidade, que molda uma imagem uniforme da realidade e a coloca na mente humana. Não sem razão, McLuhan descreve o espaço visual como “espaço racional” ou “pictórico” na citação da entrevista dada à Playboy acima.
Assim, opondo o espaço auditivo-tátil inerente à era oral, pré-letrada, e o espaço visual moldado na era letrada, entramos no território da mais longa discussão filosófica sobre a cognição do ideal e do material, tradição que pode ser rastreada ao longo dos milênios até a famosa metáfora da Caverna de Platão.

2.1. McLuhan, Platão, e Lenin

A alegoria da Caverna de Platão lançou as bases para um sistema de filosofia mais tarde conhecido como o idealismo objetivo de Platão. Platão queria enfatizar a ilusão das sensações contra a verdadeira realidade das essências “ideais” das coisas.

Mas o que é mais importante, a Caverna de Platão iniciou uma longa discussão sobre a natureza dualística da realidade na percepção humana. Para Platão, as coisas percebidas neste mundo eram apenas sombras: as vagas representações do real, idéias puras de coisas que, para ele, eram as únicas coisas verdadeiramente reais.

A parte inferior da esfera inferior ou visível consistirá de sombras e reflexos, e sua parte superior e menor conterão objetos reais no mundo da natureza ou da arte [8].

Tal abordagem permitiu apenas aos filósofos serem capazes de ver o mundo real à luz do conhecimento supremo, além do alcance de meros mortais (prisioneiros da realidade) que vivenciaram o mundo em sensações, ou seja, vulgar e biologicamente.

Podemos facilmente parafrasear a alegoria de Platão nos termos de McLuhan. Os prisioneiros das cavernas são os “homens tribais” da era oral, que vivem na “esfera inferior” da realidade física, que é o espaço auditivo-tátil. Nessas condições, apenas os filósofos são capazes de olhar para a fonte da luz, de ver as essências das coisas, que são ideais – as idéias. Com o advento da mídia escrita e depois da imprensa, muitas pessoas se tornaram capazes de “filosofar”, de pensar abstratatamente e retratar o mundo em suas mentes.

Para Platão, apenas o mundo ideal era real e verdadeiro. Com o desenvolvimento das ciências naturais e visões materialistas, o posicionamento virou de cabeça para baixo. O mundo sensível da natureza física foi considerado o principal, o real, enquanto o mundo das idéias tornou-se o reino das representações e especulações intelectuais. Mas a própria dicotomia introduzida por Platão permaneceu em jogo ao longo de todo o curso da história. Graças a Platão, embora em contraste com suas preferências pessoais, o pensamento humano obteve a noção de uma distinção entre o mundo que nos é dado na sensação, direta e imediatamente, e o mundo que nos é representado nas idéias, mentalmente.

Curiosamente, “dado na sensação” é uma citação direta de Vladimir Lenin. Desenvolvendo a abordagem materialista e marxista, Lenin escreveu em seu artigo filosófico básico, Materialismo e Empiriocriticismo: “matéria é aquilo que, agindo sobre nossos órgãos dos sentidos, produz sensação; a matéria é a realidade objetiva que nos foi dada na sensação [9]. ” (Negrito pelo autor.)

McLuhan provavelmente não estava familiarizado com o legado filosófico de Lenin, mas muito provavelmente poderia considerar o espaço auditivo-tátil como a “realidade que nos foi dada na sensação”. Enquanto o espaço tátil-auditivo é percebido diretamente pelas pessoas, o espaço visual é a representação “racional, pictórica” da realidade, que se tornou acessível a toda a sociedade, graças ao texto rabiscado / impresso. Assim, através da ponte McLuhaniana entre Platão e Lenin, abordamos a dicotomia do dado e do representado.

2.2. O dado e o representado: como uma palavra duplica o mundo

A dicotomia de “o dado na sensação” e “o representado em ideias” é substancial para a compreensão filosófica, linguística e psicológica da interação humana com a realidade. O filósofo Ludwig Wittgenstein, virando a visão de Platão de cabeça para baixo, mas mantendo sua dualidade, cunhado em seu famoso The Tractatus Logico-Philosophicus:

2.063 A realidade total é o mundo
2.1 Fazemos para nós mesmos imagens de fatos. <…>
2.12 A imagem é um modelo da realidade [10].

Para os linguistas, a dicotomia do dado e do representado reflete a natureza representativa da linguagem e da fala. Émile Benveniste, um linguista estrutural, escreveu em seu “Problemas na Linguistica Geral”:

O pensamento nada mais é do que o poder de construir representações das coisas e operar sobre essas representações. É essencialmente simbólico. A transformação simbólica dos elementos da realidade ou experiência em conceitos é o método pelo qual o poder de racionalização da mente é realizado. O pensamento não é um simples reflexo do mundo; categoriza a realidade … [11]

Pode-se mesmo dizer que, lidando com a linguagem como um intermediário categorizador e representativo entre a mente humana e o ambiente externo, a maioria dos linguistas depois de Ferdinand de Saussure eram ecologistas da mídia espontânea. Por exemplo, Gustave Guillaume em seus “Fundamentos para a Ciencia da Linguagem” escreveu:

Vemos o universo externo apenas por meio da visão do universo que carregamos em nossas mentes. Este meio é parte integrante da perspectiva humana. Uma visão propriamente humana do universo é o resultado de nossa capacidade de lidar com o universo dentro de nós. [12]

É interessante que Guillaume apoiasse uma visão bastante radical sobre a dualidade “o dado e o representado”.

Eu nunca vejo nada além de uma interioridade mental percebida mentalmente. Se em vez dessa visão do que se realiza mentalmente – uma visão que exclui qualquer outra – eu tivesse uma visão direta do real, não seria um ser humano. Percorrer a visão da realidade de um ser humano através do meio obrigatório da imagem da realidade que ele carrega dentro de si seria acabar com o ser humano, descer do humano ao animal. Substituir a visão direta da realidade de um animal por uma visão que é o resultado do tratamento de uma imagem da realidade carregada em seu interior, seria promover o animal à condição de homem, ou seja, privá-lo de sua visão imediata do universo. e substituir uma visão mediata por meio do canal de um eu anteriorntal representation. Possessing one state entails losing the other …[12] (p. 142)

Portanto, ampliando à sua maneira a visão platônica, Guillaume afirma que a realidade existe para os humanos apenas mentalmente, e é uma propriedade humana essencial, distinguindo-os dos animais, que são incapazes de mediar a natureza e com ela devem interagir imediatamente. (O idealismo subjetivo seria um prisma interessante para a exploração da ecologia da mídia do mundo digital). No entanto, muitos outros pensadores contribuíram para a definição dessa dicotomia “o dado e o representado”. Talvez, uma citação de Alexander Luria, um neuropsicólogo soviético e líder do Círculo de Vygotsky, possa resumir bem esses esforços de pensamento coletivo:

O enorme benefício de possuir uma linguagem desenvolvida pelos humanos está relacionado à duplicação de seu mundo. Sem palavra, os humanos seriam capazes de lidar apenas com as coisas que podem ver diretamente e que podem manipular pessoalmente … A palavra duplica o mundo e permite que um humano opere com as coisas mentalmente, mesmo na ausência das coisas. [13]

Assim, a capacidade simbolizadora do pensamento / palavra cria um segundo mundo, além do natural e sensível. Os materialistas e idealistas discutem sobre qual deles é real ou primário acima do outro. Para a ecologia da mídia, bem como para o desenvolvimento das sugestões de McLuhan, é mais substancial diferenciar esses dois mundos, o dado e o representado, como dois ambientes para o habitat humano, ou, nas palavras de McLuhan, dois “espaços”. Vale destacar que a ideia de duplicar o mundo por meio da palavra (alfabeto) foi expressa também pelo próprio McLuhan. E ele fez isso justamente na área da psicologia, e até da psiquiatria. Na Galáxia de Gutenberg, em um capítulo intitulado “A esquizofrenia pode ser uma consequência necessária da alfabetização”, McLuhan afirmou que a introdução do alfabeto proporcionou a um homem letrado antigo a capacidade de criar o outro mundo, e depois esse homem ficou “dividido” e “esquizofrênico”. Marshall McLuhan escreveu:

Desse mundo mágico e ressonante de relações simultâneas que é o espaço oral e acústico, há apenas um caminho para a liberdade e a independência do homem destribalizado. Essa rota é por meio do alfabeto fonético, que leva os homens de uma só vez a vários graus de esquizofrenia dualística.[14]

Em sua entrevista para a Playboy, McLuhan retorna a essa ideia com um pequeno acréscimo:

Quando o homem tribal se torna fonético, pode ter uma compreensão intelectual abstrata melhorada do mundo, mas a maior parte do sentimento familiar corporal profundamente emocional é extirpado de seu relacionamento com seu meio social. Esta divisão de visão, som e significado causa efeitos psicológicos profundos, e ele sofre uma separação correspondente e empobrecimento de sua vida imaginativa, emocional e sensorial. Ele começa a raciocinar de forma linear sequencial; ele começa a categorizar e classificar os dados. <…> Esquizofrenia e alienação podem ser as consequências inevitáveis da alfabetização fonética [4].

O desenvolvimento da visão interior, com base no alfabeto, tirou os humanos do espaço auditivo-tátil da cultura oral e os colocou no espaço visual. O representado não matou o dado, mas o ofuscou. Embora existam visões diferentes sobre a simultaneidade do dado e do representado, a abordagem mais comum vê o dado, a realidade física da natureza, como o habitat básico e primário dos humanos, enquanto o representado, o “espaço visual” ideal da cultura, é visto como o espaço secundário do nível superior; como tal, tem sido a seqüência histórica das coisas.

Não sem razão ser chamado de futurista, McLuhan percebeu novas mudanças tectônicas (estruturais) relacionadas ao advento da mídia elétrica. Ele descreveu esse movimento como o retorno dos humanos do espaço visual para o espaço auditivo-tátil, para o estado tribal. Os sinais desse retorno são óbvios e bem conhecidos; no entanto, também fica claro que o novo espaço, moldado pela mídia elétrica e agora digital, não será a boa e velha realidade física. Esse movimento é em espiral e vai mais para frente para algum novo estado do que para trás, para o que já passou.

Da realidade do representado, os humanos estão se movendo para uma realidade que é muito semelhante ao especificado, exceto que não é natural. É artificial, desenvolvido a partir do representado. É o induzido; o próximo estágio da evolução da interação entre a realidade, a mídia e o sensório.

2.3. Sinestesia e a realidade induzida

Sinestesia: a produção de uma impressão sensorial relacionada a um sentido ou parte do corpo pela estimulação de outro sentido ou parte do corpo.

Em seu artigo “Hypermedia e Sinesthesia”, James Morrison escreveu:

“… É claro que McLuhan (1964) viu a conexão entre as representações digitais da realidade e uma capacidade elevada de envolver todos os sentidos, mas de uma forma que retorna a consciência moderna a um modo de consciência pré-letrado” [15].

A mídia elétrica, como disse McLuhan, nos leva de volta do espaço visual para o espaço auditivo-tátil, ou seja, da percepção principalmente cognitiva para a percepção principalmente sensorial. No entanto, a realidade da mídia digital é absolutamente virtual e por si só não tem nada em comum com a realidade física primária. A internet ainda é percebida principalmente visualmente, embora obviamente modele o espaço audil-tátil da simultaneidade panorâmica.

A capacidade da mídia elétrica de induzir espaço auditivo-tátil se relaciona ao fenômeno da sinestesia, que desempenha um papel significativo na teoria de McLuhan. Como James Morrison também escreveu:

A sinestesia é uma concepção central na exploração de Marshall McLuhan da relação entre mídia, cultura e o sensório humano … A noção de sinestesia de McLuhan como a interação simultânea dos sentidos em uma proporção promovida pelo meio ou meio particular envolvido está faltando na teoria de hipermídia, que relega todos os fenômenos sensoriais a termos visuais e ignora a interação entre oralidade e alfabetização. A pesquisa em sinestesia em arte, cultura, linguagem e cognição apóia a concepção de McLuhan dela como o processo normal pelo qual o cérebro atinge um novo equilíbrio quando uma de suas funções é desfeita por uma tecnologia [15].

Robert Logan também sublinha que a sinestesia (um conceito introduzido por McLuhan sob a influência da poesia dos simbolistas) permite que a mídia elétrica envolva todo o sensório:

De acordo com McLuhan, todos os efeitos da imprensa de Gutenberg revertem com a mídia elétrica quando voltamos a enfatizar a parte tátil-auditiva de nosso sensorium que ele sugere envolve a interação de todos os nossos sentidos. McLuhan está sugerindo que com a mídia elétrica se tem uma experiência de sinestesia [5] (Kindle Locations 522–525)

De fato, a capacidade dos sentidos de induzir uns aos outros é aumentada pela capacidade das vias cognitivas das percepções de induzir os sentidos, quando “a mente coordena a interação dos sentidos”, como disse Morrison [15].

A capacidade da representação simbólica de evocar os sentidos deu a base para o Dr. Danko Nikolic, do Instituto Max Planck de Pesquisa do Cérebro em Frankfurt, desenvolver o conceito de ideiastesia:

Conduzimos uma série de estudos conjuntamente indicando que a sinestesia não é um fenômeno sensório-sensorial, como tem sido amplamente sustentado. Em vez disso, este é um fenômeno semântico-sensorial em que o significado do estímulo induz experiências semelhantes à percepção. Por isso, propus que um nome mais preciso para o fenômeno seja ideastesia, que significa “conceitos sensoriais” em grego. A teoria da ideastesia é baseada em argumentos para a introdução do componente semântico e em uma proposta de como o sistema semântico contribui para o fenômeno. [16].

As representações simbólicas substituem e ao mesmo tempo reforçam (McLuhan diria “estendem”) as percepções sensoriais do mundo. Graças à mídia impressa, os humanos obtiveram um ambiente que se expande muito além de seus arredores físicos. (Como Clay Shirky escreveu em seu Cognitive Surplus, “A mídia é como você sabe sobre qualquer coisa a mais de dez metros de distância” [17].) Este ambiente, que é um ambiente de mídia, sobrepôs o ambiente físico em termos de seu significado para a vida cotidiana. . O ambiente da mídia está repleto de representações simbólicas, não menos do que de estímulos sensoriais. É o fenômeno da ideastesia que “ajuda” os humanos a vivenciar o ambiente da mídia quase que fisicamente. Em seu The Shallows …, Nicholas Carr, citando Elizabeth Eisenstein, escreve:

Não é exagero dizer que escrever e ler livros melhorou e refinou a experiência de vida e da natureza das pessoas. “O notável virtuosismo exibido por novos artistas literários que conseguiram falsificar o gosto, o toque, o cheiro ou o som em meras palavras exigiu uma consciência elevada e uma observação mais próxima da experiência sensorial que foi transmitida ao leitor”, escreve Eisenstein. Como pintores e compositores, os escritores foram capazes de “alterar a percepção” de uma forma “que enriqueceu ao invés de atrofiar a resposta sensual aos estímulos externos, expandiu ao invés de contrair a resposta simpática às variedades da experiência humana.” As palavras nos livros não apenas fortaleceram a capacidade das pessoas de pensar abstratamente; eles enriqueceram a experiência das pessoas …[18]

O fenômeno da ideastesia / sinestesia está obviamente relacionado ao fenômeno da neuroplasticidade. Apresentando o conceito de neuroplasticidade na pesquisa de mídia, Nicholas Carr demonstra que os impactos da mídia digital não são limitados apenas por uma mudança de hábitos. É sobre a reconstrução fisiológica dos cérebros:

A neuroplasticidade fornece o elo que faltava para a nossa compreensão de como a mídia informacional e outras tecnologias intelectuais exerceram sua influência sobre o desenvolvimento da civilização e ajudaram a guiar, em um nível biológico, a história da consciência humana [18] (p. 44)

Graças ao mecanismo compensatório fisiológico da neuroplasticidade, o cérebro humano é capaz de aceitar qualquer realidade, “tal como nos é dada pela sensação”. Idestesia e sinestesia desdobram a neuroplasticidade ao nível das emoções e sensações; eles representam a plasticidade do sensório. Ideasthesia permite o envolvimento de todos os sentidos no ambiente de mídia, com base na representação simbólica (“espaço visual” de McLuhan). A sinestesia permite o envolvimento de todos os sentidos no ambiente de mídia elétrica e agora digital (“espaço audil-tátil” de McLuhan).

A digressão (afastamento) ideasthesia / synesthesia é chamada para ilustrar como o ambiente da mídia pode compensar sua falta de estímulos fisiológicos. Graças à sinestesia, os meios elétricos são capazes de induzir uma realidade parecida com a natural, que é totalmente artificial e nada tem a ver (até agora) com a estimulação fisiológica dos sensores corporais.

3 – Alterando a Biologia Humana

Ao moldar o ambiente da mídia, a mídia é capaz de sintonizar o sensório humano de acordo com seu “viés”. Dotado de ideastesia / sinestesia, o sensório acompanha o ambiente. Por sua vez, graças à neuroplasticidade (e à ideastesia / sinestesia), o sensório é capaz de adaptar o ser humano a qualquer meio midiático. A mídia sempre sonda o sensório; o sensório sempre se ajusta para desdobrar toda a capacidade da mídia e atingir seus limites e sua demanda por novas experiências. Essa interação entre o sensório e a mídia está na base da evolução da mídia. No processo de adaptação, para uma melhor experiência, o sensório, mais cedo ou mais tarde, emprega toda a capacidade de qualquer novo meio.

As ideias de evolução do ambiente de mídia foram expressas por McLuhan, por exemplo, na famosa paráfrase de John Culkin, “Nós moldamos nossas ferramentas e, a partir daí, nossas ferramentas nos moldam”. A própria formulação das Leis da Mídia de McLuhan, que ele e seu filho Eric McLuhan chamam de Tétrades, bem como os termos “novo meio” e “antigo meio”, também representam a ideia da dinâmica do ambiente da mídia.

A abordagem evolucionária da ecologia da mídia nos dá a oportunidade de especular sobre as tendências contemporâneas na interação entre o sensório e a mídia, e mapear essas tendências no futuro.
Se a realidade representada (espaço visual) compensa a falta de estimulação sensorial fisiológica por meio de ideastesia envolvente, a realidade induzida tem que desenvolver novos sentidos, uma vez que esta realidade não representa a realidade que nos é dada na sensação, mas cria uma nova realidade em um novo espaço virtual.
No início, a realidade induzida segue as normas da realidade física, “à imagem e semelhança”, visto que o criador simplesmente não possui nenhuma outra realidade para ter experimentado. Mas depois, a realidade induzida pode e deve transcender as regras e os estabelecimentos da realidade física. Na verdade, por que deveria a realidade digitalmente induzida ter que ser uma duplicação do mundo físico, se a mídia digital cria seu próprio espaço, que não tem limites físicos?

A realidade representada pela mídia letrada já libertou os seres humanos da realidade física, mas apenas simbolicamente, na imaginação humana. A realidade induzida pode capturar humanos sem qualquer uso de sua imaginação, literalmente, como um ambiente circundante.
No seu caminho do dado ao representado e depois ao induzido, a evolução da mídia tem que modificar o sensório, primeiro sobre o fundamento da “semelhança”, depois, de alguma outra forma, sob suas próprias leis. Nesse contexto, podemos buscar alguns indícios de aprimoramento dos sentidos “naturais” e, em seguida, de transcendê-los (como essa metáfora foi usada por Ray Kurzweil no título de seu livro The Singularity Is Near: When Humans Transcend Biology).
Aqui está uma lista possível de tais melhorias do sensorium por tecnologias. A lista não está completa, mas é indicativa.

3.1. Gostos Artificiais, Cheiros Artificiais, Sons Artificiais

As tecnologias no trabalho culinário, na perfumaria e na música objetivam evocar sensações intensificadas. Qualquer tentativa de melhorar a sensação natural, na verdade, tem levado à criação de substitutos artificiais. Certa lógica pode ser encontrada em tal tendência. Sabores, cheiros ou sons naturais são muito regulares, muito indistinguíveis para uma experiência sensorial distinta (que na maioria das vezes pode ser descrita como prazer). Por mais estranho que possa parecer, a purificação de sensações sempre teve a ver com estímulos artificiais.
A história da nutrição nos dá um bom exemplo. As pessoas são capazes de processar alimentos antes de digerir. A capacidade de cozinhar é uma das características que diferenciam os humanos dos animais. Ao longo de todo o curso da história, purificando a sensação do paladar, a humanidade tem procurado obter sabores que não existem na natureza. Os aditivos e intensificadores de sabor também tornam os alimentos mais baratos e mais fáceis de armazenar. Mas, inicialmente, o objetivo era tornar a comida mais saborosa. Historicamente, o sal e o açúcar, junto com uma grande variedade de especiarias e condimentos, desempenhavam exatamente o mesmo papel dos sabores artificiais contemporâneos: melhorar e enriquecer as qualidades gustativas dos alimentos, ao mesmo tempo que os tornavam, de fato, antinaturais.
Os ecologistas da mídia devem prestar atenção especial ao fenômeno dos sabores artificiais. Os sabores “velhos” e “novos” remodelam invisivelmente o meio ambiente da mesma forma que a mídia. Por exemplo, um truque de marketing com “batatas fritas com sabor de tomate” visa lembrar o sabor natural dos tomates como algo valorizado. Faz sentido para quem está familiarizado com o sabor do tomate original, mas não faz sentido para as muitas crianças que simplesmente não se familiarizaram com o sabor do tomate verdadeiro. Além disso, se experimentassem um tomate verdadeiro, reconheceriam seu sabor apenas porque estão familiarizados com um sabor de tomate artificial. O intensificador de sabor separa absolutamente a realidade que nos é dada na sensação induzida da “realidade que nos é dada na sensação”. Resta apenas uma pergunta: por que ainda precisamos de tomates? O sabor aprimorado ainda se relaciona com o ambiente natural, mas com necessidade decrescente.

A mesma análise pode ser aplicada aos esforços milenares de pessoas para purificar, enriquecer e melhorar os cheiros. Fragrâncias de todos os tipos e purificadores de todos os tipos visam melhorar a percepção do ambiente. Eles agem de forma absolutamente semelhante aos sabores artificiais: sendo em essência não naturais, eles falsificam algumas propriedades naturais e, eventualmente, retiram o sensório humano do ambiente natural para o “melhor” , ambiente induzido.

O desenvolvimento do “uso” de outros sentidos pode ser analisado da mesma forma ecológico-midiática. Por exemplo, todos os smartphones são projetados para produzir um som de clique ao tirar uma foto. Esse som obviamente imita o ruído do obturador mecânico dos antigos tipos de câmera. O smartphone click é um dispositivo digital com “sabor mecânico”. No entanto, a maioria dos usuários de smartphones de hoje nunca usou uma câmera com obturador mecânico real. Para eles, esse som não significa nada, exceto o som de um smartphone tirando uma foto. Este é outro exemplo do distanciamento contínuo de nosso sensorium de um ambiente “natural”.

Em certo sentido, semelhante aos sabores artificiais, a música e a poesia foram desenvolvidas para purificar sensações humanas específicas. Nesse caso, é a sensação dos outros, vivenciada por meio de sons. Ritmos primitivos eram usados para coordenar a localização das pessoas no espaço e os esforços coletivos das pessoas no tempo na era da caça-reunião. O ritmo está na base da coesão do grupo. Não é à toa que McLuhan, ao falar da capacidade do rádio de reverter os humanos do individualismo ao coletivismo, comparou o rádio ao “tambor tribal” [7] (Chapter Radio:“The Tribal Drum”).

Hoje em dia, exatamente como os sabores artificiais, a maioria dos sons produzidos por pessoas e as sensações induzidas por esses sons têm pouco a ver com o ambiente natural. As pessoas agora vivem em um espaço audível em constante colapso, cuja implosão forma um casulo de som ao redor de todos. O estado de alienação vivido por um indivíduo com as orelhas tapadas por auriculares torna este casulo auditivo quase visível. Fones de ouvido aumentam drasticamente a quantidade de tempo gasto por uma pessoa no ambiente de som induzido, que visa tanto alienar quanto agradar. Outro traço significativo: ao separar as pessoas do ambiente físico, os casulos audíveis prendem seus habitantes uns aos outros na realidade induzida da música, do rádio e das conversas telefônicas. A realidade de um indivíduo envolvido por fones de ouvido é um espaço fisicamente individual, mas virtualmente compartilhado.

É bastante seguro dizer que a humanidade sempre buscou formas de induzir melhores sensações. As tendências contemporâneas de consumo de bens orgânicos ou naturais refletem alguns medos e alguns ressentimentos, mas em geral, o induzido sempre foi percebido como algo mais valioso ( melhorado) do que o especifico. Tal especulação pode ser concluída com a tese de que toda a nossa civilização é o movimento do natural para o artificial, ou seja, do dado para o induzido. Esse movimento foi drasticamente impulsionado pela introdução da eletricidade, que prometia se tornar o principal fornecedor de sensação.

3.2. Sensório Aumentado: Sentidos Artificiais

Durante a Segunda Guerra Mundial, o neurolinguista soviético Alexander Luria chefiava um hospital de evacuação de neurocirurgia. Ele tratou centenas de soldados com lesões cerebrais. Em particular, ele estava trabalhando para inventar um método de reabilitação de pacientes com afasia dinâmica, que eram incapazes de proferir declarações sequencialmente. Luria os forçou a pegar as cartas sequencialmente, o que por meio do exercício restaurou gradualmente sua habilidade de fala [19]. Este método mostra como uma função verbal perdida devido a uma lesão em uma região do cérebro pode ser compensada e então restaurada pelo treinamento de outra região do cérebro, que se pensa ser inicialmente responsável pela atividade física, não verbal.

A invenção de Luria mostra que habilidades cerebrais prejudicadas podem ser compensadas pela atividade em outras regiões do cérebro. O mesmo se aplica a sentidos “perturbados”. Esta é a dádiva da neuroplasticidade representada, ao nível do sensório, pela sinestesia. Como disse Nicholas Carr:

Graças à pronta adaptabilidade dos neurônios, os sentidos da audição e do tato podem ficar mais nítidos para mitigar os efeitos da perda de visão. Alterações semelhantes acontecem no cérebro de pessoas surdas: seus outros sentidos se fortalecem para ajudar a compensar a perda de audição. A área do cérebro que processa a visão periférica, por exemplo, fica maior, permitindo que vejam o que antes teriam ouvido [18] (p. 25).

Hoje, os desenvolvedores de gadgets tentam explorar o fenômeno da sinestesia para ajudar as pessoas com deficiência. Por exemplo, para pessoas com deficiência visual, foi desenvolvido um dispositivo que pode transmitir o espectro de cores e iluminação ao redor de uma pessoa, juntamente com a orientação espacial, para a cavidade bucal, por meio de um dispositivo em forma de pirulito, e usando estimulação elétrica [20].

A estimulação elétrica leve pode ser usada não apenas para compensar os sentidos prejudicados, mas também para induzir sentidos que não temos certeza se são ou eram inerentes aos seres humanos. Cientistas alemães desenvolveram um novo dispositivo, o cinto de sensação espacial, que permite ao usuário sentir o campo magnético da Terra e ser orientado nos quatro ventos, assim como pássaros e morcegos. [21].

Em outro caso, uma artista espanhola de vanguarda, Moon Ribas, conseguiu um implante cibernético subdérmico que lhe permite “sentir” cada terremoto na Terra em tempo real. Na verdade, o dispositivo implantado apenas recebe “dados de um aplicativo personalizado para iPhone que agrega atividade sísmica de monitores geológicos de todo o mundo. Ela descreve a sensação física como a de ter um telefone vibrando no bolso. Quanto mais forte o terremoto, mais forte é a vibração ”, diz o relatório. A nova habilidade de Ribas é chamada de “sentido sísmico” [22].

Até agora, tais manipulações com o sensório não representam um sentido verdadeiramente novo. O cinturão de sensação espacial apenas transforma as correntes magnéticas em vibrações que o corpo pode perceber facilmente; o implante sísmico faz o mesmo. Na verdade, os aparelhos produzem apenas um efeito cognitivo induzido pelo impacto físico sobre os receptores do “antigo” sentido, que é a tatilidade. É seguro dizer que essa transição de significado de um “sentido” via outro sentido é simbólica. Requer tempo e esforço para reconhecer e aprender o “conteúdo” dos sinais, enquanto os sentidos reais e naturais são imediatos para a percepção, pois não requerem interpretação simbólica.

O mais interessante é que esses experimentos supostamente restauram aos humanos os sentidos do campo magnético e da atividade sísmica que são presumivelmente inerentes aos seres biológicos. Esses aumentos sensoriais apenas melhoram a fisiologia humana (o relatório chama a nova capacidade de sensação sísmica de Ribas de “um superpoder”).

No entanto, a eletricidade permite ultrapassar os limites do sensorium humano, ou mesmo excedê-los. Uma pulseira eletrônica chamada Pavlok pune o usuário com um leve choque elétrico (eles chamam de “zap”) caso o usuário ultrapasse o prazo, ou fume quando promete parar, ou quebra algumas outras regras estabelecidas por ele (até agora apenas por si). O dispositivo foi projetado para facilitar a luta contra os maus hábitos[23].

Na verdade, esses ligeiros irritantes induzem um medo da punição que fomenta um sentimento de culpa. Talvez isso possa ser descrito como um novo tipo de sinestesia, algo oposto à ideastesia, porque neste caso os estímulos sensoriais evocam a experiência cognitiva. Por enquanto, a pulseira de punição vem sendo programada pelo proprietário para determinadas manifestações de mau comportamento para obter uma reação negativa. Tornando-se mais sofisticado, tal dispositivo poderia assumir mais responsabilidade na tomada de decisões sobre o que é bom e mau para um ser humano, terminando finalmente em violação da Primeira Lei de Asimov: a subjugação dos humanos em prol de seu bem-estar é um dos supostos cenários de rebelião das máquinas.

A extensão elétrica do sensório não pode, mas irá além. O engenheiro de Moscou VladZaitcev inseriu um chip de pagamento sob sua pele para pagar a passagem do metrô. Ele também estava planejando inserir um chip de cartão de banco na outra mão [24]. Zaitcev se tornou uma das centenas de ciborgues reais de hoje [25]. Mais cedo ou mais tarde, o desenvolvimento de implantes de pagamento deve trazer às pessoas biônicas a percepção sensorial de um saldo bancário. O aquecimento ou a vibração podem indicar o estado de conservação, da mesma forma que o cinto de sensibilidade faz. Então, graças à sinestesia ou ao desenvolvimento de interfaces cognitivas, as pessoas podem aprender maneiras diretas, não apenas simbólicas, de vivenciar seu estado financeiro (ou o que quer que exista no lugar das finanças).

A aquisição desse sentido financeiro corresponderia bem à lógica da evolução da mídia. O mesmo vale para outros sentidos, por ora desconhecidos, que ainda precisam aparecer para ampliar ainda mais o sensório no ambiente digital.

3.3. Mídia Imersiva

Em agosto de 2015, a cervejaria Stella Artois construiu “uma grande cúpula branca” chamada “Sensorium” no centro de Toronto. Aqui está uma descrição do projeto:

Uma experiência gastronômica de vários pratos com combinações de cerveja e comida, onde cada prato será inspirado por um dos cinco sentidos – visão, som, sabor, toque e aroma. Dentro de nossa cúpula sensorial, os hóspedes serão imersos em uma experiência de 360 graus, cercados por vídeo e elementos interativos que envolverão e amplificarão todos os sentidos ao longo da noite [26]. 

Marcas e artistas procuram imergir os consumidores inteiramente na experiência da realidade artificial. Hoje, os cinemas 4D e 5D (existem até cinemas 7D) oferecem um pacote quase completo de estimulação sensorial. Os “espectadores” são sacudidos, tocados, soprados com ar quente ou aromatizado, despejados ou borrifados com água e movidos para baixo e para cima de acordo com o que está acontecendo na tela. Artisticamente combinados e sincronizados, esses impactos juntos criam o efeito de estar presente em um mundo imaginário criado pelo filme. O efeito da presença ou co-sensação – é isso que as artes, a literatura, os filmes ou a mídia sempre buscaram alcançar.

No entanto, 3D, 7D – ou falando precisamente, simulação 5-Sentidos (5S) – é apenas um exercício de mudança da percepção humana do mundo real para um artificial. Este exercício está em um estágio intermediário, o que, no entanto, mostra a direção da evolução da mídia. A simulação 5S ainda usa a estimulação física das terminações nervosas. Ainda é tão biológico quanto no mundo real, embora a realidade da mídia imersiva 5S seja artificialmente induzida. Observando outras tecnologias de mídia digital que se aproximam, podemos dizer que está chegando a hora de estimular os “inícios” nervosos, não apenas os finais.

3.4. Realidade aumentada

A melhora das sensações “naturais”, seguida de um aumento do sensório com novos sentidos eletricamente induzidos, logicamente leva ao desenvolvimento do fenômeno da realidade aumentada. Do aprimoramento e ampliação dos sentidos, a evolução da mídia tem que se mover em direção à ampliação e ampliação dos arredores. A tendência é óbvia – a criação de uma nova capacidade do corpo não é suficiente, já que a criação do mundo inteiro no espaço digital tornou-se acessível. Em vez de representação da realidade na mente humana, a evolução da mídia leva à representação da mente humana na realidade induzida. Os videogames e as redes sociais abriram o caminho. Eles inserem “um representante” do usuário na realidade do jogo ou interação social. As tecnologias de realidade aumentada facilitam este processo ao nível do sensório. Como diz a Wikipedia:

A realidade aumentada é uma visão direta ou indireta ao vivo de um ambiente físico do mundo real, cujos elementos são aumentados (ou suplementados) por entrada sensorial gerada por computador, como som, vídeo, gráficos ou dados de GPS [27].

Para um McLuhanista, a realidade aumentada pode ser vista como uma extensão adicional do sistema nervoso central, mas com uma característica nova e significativa. Pela primeira vez em toda a evolução da mediação das sensações, a melhoria não foi feita do lado humano, nem foi apegada a um certo sentido. Com as tecnologias de realidade aumentada, a melhoria ocorre inteiramente “do lado” da realidade (ou pelo menos em algum lugar entre o sensório e a realidade). A extensão do corpo humano por McLuhan começa a transcender os limites do corpo e transitar para os arredores. Tudo o que foi descrito antes está relacionado ao sensorium aumentado; agora se trata de aumento da própria realidade.

De acordo com McLuhan, Innis e outros deterministas da mídia (mesmo que rejeitem este título), qualquer mídia (melhor dizer médium) é capaz de moldar o ambiente, mas eles fazem isso apenas metaforicamente ou por meio de alguns impactos fisiológicos, sociais ou culturais. Com a realidade aumentada, a mídia começa a moldar o ambiente literal, direta e imediatamente. No estágio de hoje, isso é apenas a adição de alguns objetos induzidos ou dados na imagem dos arredores. O próximo estágio da evolução da mídia, as tecnologias de realidade virtual, combinam a ideia de mídia imersiva de total imersão sensacional com a ideia de realidade aumentada de realidade digitalmente moldada.

3.5. Realidade virtual

A evolução da mídia nos leva a um gradual reassentamento do mundo físico para o “melhor”, que é o virtual; do especificado, pelo representado, ao induzido. Ao longo do caminho, a evolução da mídia nos condena a estarmos inteiramente imersos neste novo ambiente com todos os nossos cinco (ou mais) sentidos, assim como existíamos no mundo real, até agora.

Atualmente, as tecnologias mais avançadas que podem implementar essas ideias são as tecnologias de realidade virtual. Eles já são capazes de nos reassentar no mundo induzido sem qualquer “aterramento” do mundo real. Como a Wikipedia coloca, a realidade virtual, também conhecida como multimídia imersiva ou realidade simulada por computador, é uma tecnologia de computador que replica um ambiente, real ou imaginário, e simula a presença física de um usuário e o ambiente de uma forma que permite ao usuário interagir com ele . As realidades virtuais criam artificialmente a experiência sensorial, que pode incluir visão, tato, audição e olfato [28].

Curiosamente, os dicionários clássicos não conseguem definir fenômenos emergentes desse tipo, deixando essa função para a Wikipedia. As pessoas que desenvolvem as tecnologias também dificilmente se preocupam com definições sólidas. Mas mesmo a Wikipedia, esse tremendo empreendimento de pensamento coletivo, é notável para lidar com as nuances das tecnologias emergentes. Assim, a Wikipedia tenta apresentar os conceitos de realidade virtual e multimídia imersiva como sinônimos, o que obviamente não é o caso. Mídias imersivas (ou multimídia), como a cúpula Stella Artois sensorial ou cinemas 5D, diferem claramente de tecnologias como fones de ouvido de realidade virtual. Para distinguir a mídia imersiva da realidade virtual, pode-se dizer que as tecnologias da mídia imersiva criam a realidade induzida para o corpo humano, enquanto as tecnologias de realidade virtual criam a realidade induzida para a mente humana. Na verdade, a mídia imersiva, juntamente com todas as tecnologias anteriores de intensificação de sensações, induzem novas sensações de realidade estimulando as terminações nervosas, enquanto a realidade virtual induz uma realidade alterada estimulando “começos” nervosos (quase; o efeito total entrará em ação após o desenvolvimento de uma interface cognitiva como parte da realização de uma fiação mente-máquina direta).

A realidade virtual é mais frequentemente usada para brincar ou treinar. Ambos os tipos de atividades têm como objetivo simular uma nova realidade para a qual os humanos devem estar preparados. Em um sentido mais abstrato e filosófico, as tecnologias de realidade virtual oferecem treinamento aos humanos para o reassentamento em um mundo induzido.

4.  Transcendendo a Biologia Humana

As pessoas ainda agem na realidade virtual de forma predominantemente natural, como “seres físicos”, o que é obviamente pré-definido por sua (nossa) experiência anterior. Além disso, o conteúdo da realidade virtual ainda é realidade física.

Isso reflete as idéias de McLuhan sobre a interação entre a mídia nova e a mais antiga. “O conteúdo de qualquer meio é um meio antigo”, como Eric McLuhan colocou no prefácio de seu e de Marshall McLuhan’s Laws of Media: The New Science [29]. O próprio Marshall McLuhan declarou que, “O conteúdo da imprensa é declaração literária, como o conteúdo do livro é a fala e o conteúdo do filme é o romance” [7] (p. 267). Da mesma forma, no capítulo dedicado ao desenvolvimento do fonógrafo, em Understanding Media, McLuhan descreveu as expectativas relacionadas ao fonógrafo no final do século XIX:

Foi concebido como uma forma de escrita auditiva (gramma – letras). Também era chamado de “grafofone”, com a agulha no papel de caneta. A ideia dele como uma “máquina falante” era especialmente popular. Edison demorou a abordar a solução de seus problemas por considerá-la a princípio uma “repetidora de telefone”; ou seja, um armazém de dados do telefone …[7] (p. 305)

Mas depois disso, o fonógrafo deixou de fornecer apenas uma versão aprimorada de algo executado pela mídia mais antiga. Desenvolvendo essa linha de pensamento de McLuhan, podemos supor que foi o fonógrafo e seus descendentes (o gravador, etc.) que criaram a indústria fonográfica, dando sua contribuição para o surgimento do show business e de toda a cultura pop com seus culto à celebridade, que por sua vez mudou a cultura, a vida social e a política, como é magistralmente exposto por Neil Postman em seu Amusing Ourselves to Death: Public Discourse in the Age of Show Business (1985). (No mesmo capítulo sobre o fonógrafo, McLuhan escreveu: “… o entretenimento levado ao extremo torna-se a principal forma de negócios e política” [7] (p. 306), como Donald Trump demonstrou.)

Começando com a satisfação de antigas necessidades, um novo meio cria um novo ambiente que desenvolve a capacidade da mídia, que é autêntica especificamente para esse novo meio. O meio ambiente sempre compensa. Quanto à realidade digital, os habitantes criam um habitat e a partir daí o habitat recria seus habitantes, para torná-los compatíveis. Não é uma oportunidade, mas uma necessidade.

Aplicando essas especulações McLuhanianas à interação auto-evolutiva entre a mídia e o sensório, chegaremos necessariamente à questão: quais novas propriedades do novo ambiente irão remodelar quais propriedades dos seres humanos, como e com que resultado? Assim, a abordagem de McLuhan nos permite não apenas explorar, mas também explicar e prever possíveis (na verdade, inevitáveis) mudanças no sensório humano. Quais são as condições finais do ambiente imagináveis, se esse ambiente é “aprimorado” a ponto de poder ser inteiramente e controladamente recriado no “espaço” digital?

Respondendo a essas perguntas, teremos uma noção do futuro ser humano. Afinal, não é tão difícil, uma vez que já podemos rastrear propriedades existentes e futuras do mundo digital. Em termos de seus impactos sobre os humanos, eles levam a:

  • fuga da realidade dada e, por conseqüência, o abandono do corpo;
  • transição das redes biológicas para as redes sociais e desenvolvimento do sensório social em vez do biológico;
  • fuga do continuum tempo-espaço “físico”, seguido pela liberação total da navegação tempo-espaço.

Quais propriedades possíveis, ou melhor dizer, exigidas do sensorium podem e devem dar suporte a essas condições e exigências da realidade digital, se uma pessoa fica totalmente imersa nela? Que mudanças de sentidos podem e devem acontecer? Essas questões também dizem respeito à mídia e, portanto, pertencem ao conjunto de questões que precisam ser respondidas “… para entender como e por que ela está se metamorfoseando o homem”, como disse McLuhan na entrevista à Playboy sobre os impactos da mídia em geral [4].

4.1. Angelismo e eliminação da gravidade

Embora a mídia tenha a ver com a realidade especificada, espera-se que ela aprimore a percepção do corpo do ambiente físico, como o cinturão de sensação espacial faz. Mas “o homem eletrônico não tem corpo físico”, como disse McLuhan [30]. Em uma entrevista ao Padre Patrick Peyton em 1971, McLuhan disse:

A dá a você uma espécie de dimensão de anjo, um ser quase sobrenatural, um espírito desencarnado. Na era da eletricidade, o homem se torna uma espécie de espiri desencarnadot [31].

Essa condição angelical do ser humano digital, na verdade, tem que minar os fundamentos físicos deste mundo, como a gravidade, por exemplo. A ausência de gravidade não é estranha às pessoas, graças à exploração espacial. No entanto, a ausência de gravidade também pode ser criada na realidade digitalmente induzida dos videogames. Depois de jogar um jogo de tiro em 3D por um longo tempo, os jogadores podem ter a sensação de voar, como se fosse real. Na realidade digital, o “movimento” para cima e para baixo deve ser tão fácil quanto qualquer movimento horizontal.
A transferência do conceito de gravidade para o mundo digital ainda reflete os hábitos dos seres físicos e será totalmente superada, mais cedo ou mais tarde. Como o peso físico é irrelevante na realidade digital, a gravidade não será apenas superada – ela será completamente descartada.

Paralelamente, é interessante observar o que acontece com a metáfora da gravidade nas relações sociais. A “gravidade social” da sociedade pré-digital criou a estrutura de relações que pode ser descrita por meio do conceito de pirâmide: o fundo maciço, o topo autoritário, de alguma forma se igualando. A organização vertical e off-line da autoridade entra em conflito com a organização horizontal online da autoridade na Internet, que mais uma vez ainda reflete o “viés gravitacional” do ser físico. Na verdade, a Rede molda não as estruturas horizontais, mas sim as estruturas de autoridade em forma de nuvem, com seus centros pesados e periferias dispersas. No mundo digital, a coerência social será gerida por gravitação autoritária ponto a ponto, não por gravidade autoritária de cima para baixo.

4.2. Navegação no espaço digital: da dimensão física à social

O espaço digital não é preenchido com objetos físicos, mas com os próprios humanos (e também com algoritmos, muitos dos quais procuram agir como humanos). É por isso que a realidade digital terá gradualmente cessado as tentativas de simular a realidade física e desenvolverá suas próprias características; não os do espaço-tempo, mas sim os do espaço-temporal. Vai bem para os conceitos de gravidade, distância, direção, duração e intervalos de tempo.

Na realidade digital, distância, direções, duração e intervalo de tempo mudam de características físicas para características sociais; eles representam a distância entre as pessoas (ou suas declarações), direções em direção a outras pessoas ou multidões, o tempo que passou após as ações de alguém, etc.

Na realidade digital, distância, direções, duração e intervalo de tempo mudam de características físicas para características sociais; eles representam a distância entre as pessoas (ou suas declarações), direções em direção a outras pessoas ou multidões, o tempo que passou após as ações de alguém, etc.

A percepção humana do espaço digital é mediada por outros humanos e algoritmos. Sendo colocada completamente no espaço digital, a realidade aumentada se transforma em humanidade aumentada, que é um bom termo cunhado pelo CEO do Google, Eric Schmidt [32].

Não sem razão, falando do “angelismo” dos humanos no ambiente elétrico, Marshall McLuhan relacionou esse angelismo à onipresença compartilhada dos humanos: “Não acho que nossas instituições tenham como lidar com essa nova dimensão do homem … o angelical homem desencarnado da era da eletricidade que está sempre na presença de todos os outros homens do mundo ” [31].

Parafraseando outro enunciado de McLuhan, podemos dizer que a melhor e última extensão do homem é outro homem (até que algoritmos, em nome do homem, intervenham e capturem essa função). Na realidade digital, os humanos são a melhor mídia uns para os outros: homo homini media est. É por isso que a sensação de objetos físicos deve ser substituída pela sensação de outros de nossa espécie no ambiente que tende a ser puramente social, não físico . É isso que deve remodelar completamente o sensório humano.

4.3. Dimensão Social: O Sentido dos Outros

Na blogosfera e nas redes sociais, quase já experimentamos uma sensação de gravitação social. Essa observação nos leva à conclusão de que, com a passagem da realidade dada (através da realidade representada) para a realidade induzida, inevitavelmente temos que passar do sensório de base biológica para o sensório de base social.

Na realidade digital, a necessidade de coesão social proporcionará às pessoas um senso de gravitação social, por meio da qual aprenderão como sentir a direção em direção umas às outras (ou fora delas) no espaço socialmente conectado. Conectando-nos à rede social, teremos que vivenciar “sensorialmente” a distância para quem fala ou a atualidade do que se fala. Teremos que perceber sensorialmente a massividade, ou viralidade, de um tópico. Quase já podemos sentir agora, olhando a quantidade de curtidas e repostagens, mas no futuro, terá que ser um sentido particular, semelhante a como sentimos a multidão em um estádio ou no metrô; ou como sentimos o vazio de uma sala vazia. Indicadores como o número de curtidas, compartilhamentos e repostagens podem se voltar para os sensores do novo sensorium de base social.

O senso de coerência social aumentará a orientação socioespacial, mas também nutrirá o senso de ressonância social, que estará subordinado ao tempo das atividades sociais em forma de onda. A propósito, esse padrão de atividade com aparência de onda formará um “calendário digital” para substituir o calendário solar-lunar (que já foi muito estragado pela eletricidade).

A transformação do sensório biológico em sensório social vale uma exploração adicional. No contexto deste artigo, é importante mapear essa tendência como uma forma contínua e inevitável de o sensório ser adaptado ao reino da realidade digitalmente induzida.

A transformação do sensório biológico em sensório social vale uma exploração adicional. No contexto deste artigo, é importante mapear essa tendência como uma forma contínua e inevitável de o sensório ser adaptado ao reino da realidade digitalmente induzida.

4.4. Dimensão social: a sede de resposta

Marshall McLuhan usou o mito de Narciso para explicar a adicção dos humanos pela mídia. Segundo ele, “os homens ficam imediatamente fascinados por qualquer extensão de si mesmos em qualquer material diferente de si mesmos” [7] (p. 45).

Como já foi dito acima, o melhor material definitivo para a “extensão” do homem é outro homem. Muitos pesquisadores observam, por exemplo, a natureza narcisista do ego, que se parece muito com o mito original. Mas, na verdade, o aspecto mais importante de assumir o ego é o subsequente compartilhamento dele na esperança de obter respostas de outras pessoas. O fenômeno do ego não existe sem sua publicação. Reflexo em outras pessoas, não apenas na tela de um smartphone – isso é o que o ego é, em essência. Qualquer interação humana pode ter seu propósito certo, mas a interação em si não é alcançável sem a troca de reações. Reagir aos sinais uns dos outros é essencial para o recrutamento humano, além de ser a base para a sobrevivência individual e grupal. Por uma questão de socialização, as pessoas buscam respostas e despendem seus talentos, tempo e esforço em busca de respostas melhores. Essa sede de resposta ajuda o ser humano a ser um ser social [33]. A sede de resposta é a mesma força motriz que Hegel chamou de “luta pelo reconhecimento”. Para obter uma resposta, as pessoas optam por compartilhar o que há de melhor naquilo que encontram. Pode-se dizer que as pessoas sentem sede de resposta em um nível sensual. É o sexto sentido – o sentido social. A saciedade suficiente ou insuficiente dessa sede pode levar à ação e trazer estresse ou prazer às pessoas. A Internet oferece oportunidades novas, rápidas e econômicas para satisfazer essa sede. Porém, é uma sede que nunca se sacia plenamente, porque a socialização não é um produto, mas um processo. Se o sentido dos outros permite o “sentimento” de distância digital e direção em relação a pessoas e eventos significativos, ou seja, permite orientação no espaço social-digital, a sede de resposta é uma espécie de incentivo para as pessoas agirem na realidade induzida.

5. Conclusões

Ao avançar os conceitos de espaço visual e espaço tátil-auditivo, Marshal McLuhan criou um espaço intelectual para explorações, sondagens e especulações sobre a interação entre humanos e mídia. Sendo afiado, às vezes controverso, às vezes provocativo e sempre instigantes, suas ideias ressoam com um grande número de teorias em muitas outras áreas do pensamento humano. Como a mídia de massa, para usar uma metáfora de Clay Shirky, é “a questão conectiva da sociedade” [17] (p. 54), a mídia em geral tem sido o tecido conectivo para civilizações ao longo do tempo, espaço e culturas. A história da humanidade pode ser vista como uma grande jornada ao longo das ondas das tecnologias de mídia. A abordagem McLuhanian permite um estudo mais completo dessa jornada e até mesmo uma descrição de seu futuro. Muitas tecnologias de mídia que chegam justificam o que McLuhan testemunhou, apesar de ele mal ter captado os primeiros computadores pessoais. Agora, a mídia não é vista apenas como portadora de informações. A mídia contemporânea cria literalmente a realidade. Eles demonstram essa “atribuição” descaradamente, mesmo no nome, como mídia imersiva, ou realidade aumentada, ou realidade virtual. McLuhan descreveu esse fenômeno quando não era tão óbvio. Rastreando as tendências observadas por McLuhan no futuro, podemos separar várias áreas importantes de pesquisas futuras. A lista desses, é claro, é indicativa, mas não completa.

5.1. O reassentamento no mundo digital

Como McLuhan afirmou, a mídia elétrica retorna os humanos ao estado pré-letrado de estar em um ambiente natural. O truque é que não é o ambiente natural; então, de fato, a espécie humana passa para o próximo estágio da evolução da mídia. A realidade da mídia eletrônica não é dada. É a realidade induzida, o mundo digital, no qual os humanos estão prestes a se reinstalar completamente. Assim, qualquer exploração da mídia, sendo feita de forma justa e longe o suficiente, com necessidade leva às idéias de upload mental, Transhumanismo e Singularidade [34]. O grande reassentamento, ou o novo êxodo, paira por trás de qualquer estudo de mídia, seja ele dedicado ao declínio dos jornais, ou impactos da mídia, ou alfabetização midiática. A aceitação desta tese aparentemente provocativa ajuda a explorar e desenvolver quaisquer fenômenos da mídia sob a luz certa. O reassentamento será seguido por mudanças drásticas na natureza humana e social; entre eles, a mudança do sensório representa apenas uma pequena parte do que está por vir. (Uma nota importante: qualquer iteração futura do futuro tem que estar ligada ao seu horizonte de tempo. As coisas têm que acontecer na ordem certa, no tempo certo, e devem ser percebidas assim, por uma questão de psico-higiene. Realizando sequências adequadas para o futuro pode ajudar a prevenir choques futuros, que são quase inevitáveis, devido ao tempo histórico cada vez mais acelerado.)

5.2. Sensorium de gerenciamento de tempo

O tempo é unidimensional para um ser biológico, para o qual existe apenas na forma de “agora”. O sensório tem a ver principalmente com o espaço. Os humanos tiveram uma noção das projeções do tempo do passado e do futuro, mas essas projeções foram representadas apenas no “agora” – por meio das artes, imaginação, memória e gramática. Como qualquer tempo é “agora” para o ser biológico, qualquer espaço está “aqui” para o ser digital. Além disso, o tempo deve ser administrável para o ser digital da mesma forma que o espaço é administrável para o ser biológico. A humanidade já desenvolveu alguma capacidade de tornar o tempo mais elástico: arte, medicina, educação, cirurgia estética, finanças (empréstimos e derivados), toda a subcultura em torno do envelhecimento, etc. Mas a verdadeira noção de tempo administrável chegou com a mídia digital, particularmente jogos de vídeo. Eles não apenas descartam a gravidade; eles também podem acelerar, desacelerar, reverter, parar, pular e repetir o tempo. Claro, essas propriedades dos videogames obviamente se ligam às idéias do angelismo e do homem desencarnado, expressas por McLuhan nos anos 60. O homem elétrico já alcançou a similaridade com Deus da onipresença. O sensório deve realizar este flip-flop logo, com a implosão do espaço “em todos os lugares” para o “aqui” e a explosão do “agora” temporal em várias dimensões de tempo, com as diferentes características de velocidade, fluxo, continuidade, direção, etc. Estamos em algum lugar bem no início desta mudança incrível. Ainda é difícil imaginar que tipo de adaptação acontecerá ao sensório para se ajustar às novas dimensões do tempo. Mas não se trata de um futuro distante e futurista; algumas coisas já estão ocorrendo. O tempo (atenção) já é a medida de valor no reino digital. A moeda da economia digital do futuro estará claramente relacionada ao gasto de tempo. A compressão do tempo, ou extensão, ou repetição, ou parada, ou reversão, ou pulo serão os principais bens em tal economia. A mídia pré-alfabetizada é preconceituosa quanto ao espaço e ignora o tempo. A mídia baseada no alfabeto é tendenciosa no tempo e no espaço. A mídia digital é tendenciosa no tempo e ignora o espaço. Esses traços deles, aliás, já estão causando não apenas mudanças no sensório, mas também inquietação social e confrontos interculturais em todo o mundo. [35].

Conflito de Interesse: O autor declara não haver conflito de interesses.

Referencias:

1. McLuhan, E. Why is the Title of the Book “The Medium Is the Massage” and Not “The MediumIs the Message”? Available online: http://marshallmcluhan.com/common-questions/ (accessed on16 April 2016). Philosophies 2016, 1, 170–189 188
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© 2016 by the author; licensee MDPI, Basel, Switzerland. This article is an open accessarticle distributed under the terms and conditions of the Creative Commons Attribution(CC-BY) license (http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

Media Environments and Our Sensorium

Extrapolating on McLuhan: How MediaEnvironments of the Given, the Represented,and the Induced Shape and Reshape Our Sensorium

Andrey Miroshnichenko Andrey.Mir70@gmail.com Independent Scholar, Kingston, ON K7M 2W8, Canada;  Academic Editors: Robert K. Logan and Marcin J. Schroeder

 

Philosophies 2016, 1, 170–189 186

Abstract: The article develops Marshall McLuhan’s approach to the interplay between media, the sensorium, and reality. McLuhan’s concepts of “acoustic space” and “visual space” are unfolded with regard to the consequences that digital media will have on the human ability to perceive reality. Reality–sensorium interaction is systematized in the article. This systematization includes the environments of the given, the represented, and the induced. These environments are shaped by sequential stages of media evolution, which relate to preliterate media, alphabet-based media,and digital media. Existing and upcoming media technologies are presumed to alter human biology and transcend it. Within the set of media technologies that alter human biology, artificial flavours, electrically induced senses, immersive media, augmented reality, and virtual reality are treated. Within the set of media impacts that will change the human sensorium, the dismissal of gravity (related to the McLuhanian “angelism” of electronic discarnate man), the switch in navigation from biological networking to social networking, the sense of others, and the thirst for response are treated. Plato, Lenin, Wittgenstein, Benveniste, Logan, Carr, Shirky, and other thinkers are employed in the article to support these McLuhanian speculations, and sketch out prospective trends in the evolutionof media and the sensorium.

Keywords: Marshall McLuhan; human sensorium; digital media; synesthesia; augmented reality;virtual reality; transhumanism

1 – Introduction

McLuhan’s most famous one-liner, “The medium is the message”, was once playfully changed for the title of McLuhan and Fiore’s book: The Medium is the Massage [1]. Such wording leaves a lot of space for interpretations. One interpretation suggests the phrase means that each medium is capableof or even aimed at “massaging” the human sensorium. Marshall McLuhan made a huge contribution to the exploration of media impacts on society and culture. Methodologically, he explored social and cultural media impacts via the impacts media have on the sensorium. Media impact human life regardless of their content (that is why “the medium is the message”), because they involve one or another part of the human sensorium simply in order to be perceived. In turn, media emphasize a certain part of the sensorium to create specific “spaces” of human thinking and acting. This methodology allowed McLuhan and his followers to study media themselves, not their content, and establish the entire field of media ecology. McLuhan separated two spaces that are created by media impacts on the sensorium. Preliterate media create “acoustic space”, where humans act naturally, in their tribal state, seeing the world syncretically. Literate, alphabet-based media (that is, scribal and print media) use the faculty of vision to be perceived, hence creating “visual space”, which alienates humans from tribal collectivism, creates individualism, rational analytical thinking, nation-states, etc. When radio and television marched victoriously across the planet, McLuhan noticed that electricity turned us away from “visual space” back to “acoustic space” with its three-dimensional perception of reality. Indeed, turning away from “visual space” and back to “acoustic space” meant that our perception of reality has been returned to the “natural” way of sensation, when the entire sensorium is involved, as it used to be before the alphabet. But here is a paradox: even though the acoustic, three-dimensional space of electric media simulates the natural perception of reality, the reality of electric media is not natural. It is created, or, better to say, induced. So we apply the natural way of perception to the artificial environment. It is away of living, not just a form of information consumption. Sensation, not cognition, is the target of oncoming media, be they technologies of augmented reality, virtual reality, immersive media, kinetic interfaces, etc. We can go even further, and say that the artificial environment of electric media tends to become the natural habitat for us. To achieve this condition, electric and now digital media steadily adjust the environment induced by them for better sensory perception. Such futuristic media technologies are being developed of which even McLuhan had no idea. But absolutely in the spirit of McLuhan’sthoughts, human kind develops the more advanced media technologies in order to capture the entire sensorium, and thereafter these technologies reshape our sensorium. To live in the new environment, humans will surely obtain a new sensorium. How far will humans go in changing their sensorium? Will they still be humans after?Extrapolating McLuhan’s approach to the new things that we obtain in the course of media evolution,it is possible to sketch out both future media innovations aimed at capturing the sensorium and changes in the sensorium itself, under the pressure of media innovations.

2. Sensations as Spatial Frame Underlying McLuhan’s Contraposition of Visual and Acoustic Harold Innis established that certain media have certain time-space biases, by means of which they influence the development of certain types of empires.

The concepts of time and space reflect the significance of media to civilization. Media which emphasize time are those which are durable in character such as parchment, clay, and stone. The heavy materials are suited to the development of architecture and sculpture. Media which emphasize space are apt to be less durable and light in character such as papyrus and paper. The latter are suited to wide areas in administration and trade. The conquest of Egypt by Rome gave access to supplies of papyrus which became the basis of a large administrative empire. Materials which emphasize time favor decentralization and hierarchical types of institutions, while those which emphasize space favor centralizationand systems of government less hierarchical in character [2].

Here, Innis points out the capability of media to shape the social environment. Marshall McLuhan developed these ideas by connecting the media capability of shaping environments to certain sensory channels of media perception. According to McLuhan, media shape “spaces”, which are characterized either by visual or by acoustic ways of perception and acting.

 Acoustic space is the environment of the spoken word, the preliterate environment, where all things coexist and can be perceived simultaneously. Written language, starting with hieroglyphs, boosted by alphabet and then the printing press, has shaped visual space, where all things are linear, organized by means of text, and can be perceived sequentially. Acoustic space had been prevalent in the oral, preliterate age, being the habitat of tribalman. “Until writing was invented, man lived in acoustic space: boundless, directionless, horizonless,in the dark of the mind, in the world of emotion, by primordial intuition, terror”, wrote McLuhan [3]. Visual space had dominated in the West from the 15th century to the early part of the 20th century, thanks to printed text coming into place as a main medium. However, things have started changing with the rise of electric media, which is returning us to a preliterate, tribal, acoustic space, accordingto McLuhan. At first glance, the opposition of spaces, which is based on the adjectives “acoustic” and “visual”, looks inconsistent, especially as applied to electric media. The most prominent electric medium known at McLuhan’s time was television. How could television put humans into acoustic space if it even hasthe word “vision” in its name? Here is how McLuhan himself explained these concepts in his famous Playboy interview:

… Another basic characteristic distinguishing tribal man from his literate successors isthat he lived in a world of acoustic space, which gave him a radically different concept of time-space relationships.

PLAYBOY: What do you mean by “acoustic space”?

MCLUHAN: I mean space that has no center and no margin, unlike strictly visual space, which is an extension and intensification of the eye. Acoustic space is organic and integral, perceived through the simultaneous interplay of all the senses; whereas “rational” or pictorial space is uniform, sequential and continuous and creates a closed world with none of the rich resonance of the tribal echoland. Our own Western time-space concepts derive from the environment created by the discovery of phonetic writing, as does our entireconcept of Western civilization. The man of the tribal world led a complex, kaleidoscopic life precisely because the ear, unlike the eye, cannot be focused and is synaesthetic rather than analytical and linear. Speech is an utterance, or more precisely, an outering, of all oursenses at once; the auditory field is simultaneous, the visual successive [4].

McLuhan’s concepts of visual space and acoustic space obviously refer to the sphere of sensations. But also important is that McLuhan used the word “space”, not “sense”. It is not about senses of vision or hearing directly. Many prominent media ecologists have paid attention to this distinction between“space” and “sense”. In his McLuhan Misunderstood:  Setting the Record Straight, Robert Logan suggests a good explanation of McLuhan’s use of the terms “visual” and “acoustic” as applied to the idea of space, not sense:

McLuhan considered two different and opposing states of the sensorium, which he characterized as visual space and acoustic space, where the latter was sometimes referred to as audile-tactile space. He believed that the sensorium of preliterate or oral cultures was dominated by the audile-tactile sense in which information is processed simultaneously in real time. Literate societies in which information is acquired by use of the visual faculty to read develop a visual bias in which information is processed in a linear sequential manner, one item at a time, the same pattern as that of the written word. As a result, literate manoperates in visual space[5].

Further, Logan [5] (Kindle Locations 975–976) lists characteristics immanent to acoustic space andvisual space:

McLuhan characterized the difference between visual and acoustic space with the terms in the following table, which I compiled and shared with Gordon Gow, who quoted them in his paper, “Making Sense of McLuhan Space” (2004).

It is important to note that most of these characteristics are, in essence, spatial. Paul Levinson writes in his Digital McLuhan about the detachment of vision from other senses in the process of developing a phonetic alphabet as a medium. Levinson underlines that, for McLuhan, visibility is more a trait of space created by a medium than a part of the sensorium, even though (or because) this space was created, technically, via visual perception:

The paper makes a startling point: what we consider normal or natural visual space is actually a technological artifact—a result of perceptual habits created by reading and writing with a phonetic alphabet. Or as McLuhan put it, much later, in two books posthumously published, “when the consonant was invented as a meaningless abstraction,vision detached itself from the other senses and visual space began to form” (M. McLuhan& E. McLuhan, 1988, p. 13) … Thus, McLuhan … is consistent in his view that what we take for granted in the shapes and organization of our external visual world is actually aconsequence of the technological lenses through which many of us for the past 2500 years of Western history have been inclined to regard the world—specifically, the prism of thelinear, connected alphabet [6]

The same goes for the audibility of acoustic space: it is more a spatial property than a sensory one, even though it refers somehow to the sense of hearing. The word “tactile” in McLuhan’s definition of “audile-tactile”, for space created by electric media, is particularly important. It is tactility that allowspeople to interact with the physical environment, using data of all other senses. That is why McLuhan specified that “tactility is the interplay of the senses” [7]. With that, he referred to the ability of electric media to recreate the natural, biological way of human perception of the surrounding reality. Through the interaction between media and the human sensorium, McLuhan meant something deeper than just the stimulation of receptors. Here is the clue: for McLuhan, sensations were just a way to distinguish spatial characteristics of the media environments (alphabet-based and electricity-based). The visual (in the context of print media), for McLuhan, was a space of linear perception, while the acoustic was a space of simultaneous perception. Although these time-biased specifications of different types of media are represented via sensational characteristics, they in fact reflect an environmental approach on McLuhan’s part. The linear, one-dimensional (unfolding in time) environment of cognition is opposed to the simultaneous, three-dimensional (unfolding in space) environment of sensations. Substantial for McLuhan’s theory of “detachment of vision from the other senses”, mentioned by Levinson, is, in fact, the evidence of shaping some inner vision, which is a phenomenon that is not sensory but rather intelligible. This inner vision appeared thanks to the written/printed representationof reality, which shape a uniformed picture of reality, and put it in the human mind. Not without reason, McLuhan describes visual space as “‘rational’ or pictorial space” in the given Playboy interview quote above.

Thus, opposing the audile-tactile space inherent to the oral, preliterate age, and the visual space shaped in the literate age, we enter the territory of the longest philosophical discussion about the cognition of the ideal and the material, a tradition that can be traced down through the millennia to Plato’s famous Cave metaphor.

2.1. McLuhan, Plato, and Lenin

Plato’s allegory of the Cave laid the foundation for a system of philosophy later known as Plato’s objective idealism. Plato wanted to emphasize the illusiveness of sensations against the true reality of the “ideal” essences of things.

But what is more important, Plato’s Cave started a long discussion about the dualistic nature of reality in the human perception. For Plato, sensed things of this world were just the shadows: the vague representations of the real, pure ideas of things that, to him, were the only things truly real.

The lower portion of the lower or visible sphere will consist of shadows and reflections, and its upper and smaller portion will contain real objects in the world of nature or of art [8].

Such an approach allowed only philosophers to be capable of seeing the real world in the light of supreme knowledge, beyond the reach of mere mortals (prisoners of reality) who experienced the world in sensations, i.e., vulgarly and biologically.

We can easily paraphrase Plato’s allegory in McLuhan’s terms. Cave prisoners are the “tribalmen” of the oral age, who live in the “lower sphere” of the physical reality, which is audile-tactile space. In these conditions, only philosophers are capable of looking up at the source of the light, to see the essences of things, which are ideal—the ideas. With the advent of scribed and then printed media,many people have become capable of “philosophizing”, abstract thinking, and picturing the world intheir minds.

For Plato, only the ideal world was real and true. With the development of the natural sciences and materialistic views, positioning turned upside-down. The sensible world of physical nature was found to be the primary, the real one, while the world of ideas became the realm of intellectual representations and speculations. But the very dichotomy introduced by Plato has remained in play throughout the entire course of history. Thanks to Plato, though in contrast to his personal preferences, human thinking has gotten a notion of a distinction between the world given to us insensation,  directly, immediately, and the world that is represented to us in ideas, mentally.

Interestingly, “given in sensation” is a direct quote from Vladimir Lenin. Developing the materialistic, Marxist approach, Lenin wrote in his basic philosophical paper, Materialism and Empirio-criticism: “matter is that which, acting upon our sense-organs, produces sensation; matter isthe objective reality given to us in sensation [9].” (Bolded by author.)

McLuhan was unlikely familiar with Lenin’s philosophical legacy, but he very likely could deem audile-tactile space as the “reality given to us in sensation”. While audile-tactile space is perceived by people directly, visual space is the “rational, pictorial” representation of reality, which has become accessible to all of society, thanks to scribed/printed text. Thus, via McLuhanian bridge between Plato and Lenin, we have approached the dichotomy of the given and the represented.

2.2. The Given and the Represented: How a Word Doubles the World

The dichotomy of “the given in sensation” and “the represented in ideas” is substantial for philosophical, linguistic, and psychological comprehension of the human interaction with reality. Philosopher Ludwig Wittgenstein, turning Plato’s view upside-down but retaining its duality, coined in his famous The Tractatus Logico-Philosophicus:

2.063 The total reality is the world
2.1 We make to ourselves pictures of facts. < … >
2.12 The picture is a model of reality [10].

For linguists, the dichotomy of the given and the represented reflects the representative nature of language and speech. Émile Benveniste, a structural linguist, wrote in his  Problems in General Linguistics:

Thought is nothing other than the power to construct representations of things and to operate on these representations. It is in essence symbolic. The symbolic transformation of the elements of reality or experience into concepts is the method by which the rationalizing power of the mind is brought about. Thought is not a simple reflection of the world; it categorizes reality … [11]

It even can be said that, dealing with language as a categorizing and depicting intermediary between the human mind and the external environment, most linguists after Ferdinand de Saussure were spontaneous media ecologists. For instance, Gustave  Guillaume in his Foundations for a Science of Language wrote:

We see the external universe only through the medium of the universe-view we carry in our minds. This medium is part and parcel of the human outlook. A properly human viewof the universe is the outcome of our ability to deal with the universe within us. [12]

It is interesting that Guillaume supported a quite radical view on “the given and the represented” duality.

I never see anything but mental inwardness realized mentally. If instead of this view of what is realized mentally—a view excluding any other—I had a direct view of the real, I would not be a human being.  To do a way with a human being’s view of reality through the compulsory medium of the image of reality that he carries within him would be to do away with the human being, to descend from the human to the animal. To replace an animal’s direct view of reality by a view which is the result of treating an image of reality carried within, would be to promote the animal to the condition of man, in other words, to deprive it of its immediate view of the universe and substitute a mediate view through the channel of a prior mental representation. Possessing one state entails losing the other …[12] (p. 142)

Therefore, amplifying in his way the Platonic view, Guillaume states that reality exists for humans only mentally, and it is an essential human property, distinguishing them from animals, who are unable to mediate nature and have to interact with it immediately.  (Subjective idealism would be an interesting prism for media ecology’s exploration of the digital world). Yet many other thinkers have contributed to the definition of this “the given and the represented” dichotomy. Perhaps, a quote by Alexander Luria, a Soviet neuropsychologist and a leader of the Vygotsky Circle, can summarize well these efforts of collective thought:

The huge benefit of humans’ possession of developed language relates to the doubling of their world. Without word, humans would be able to deal only with those things that they can see directly, and which they could personally manipulate … Word doubles the world, and allows a human to operate with things mentally, even in the absence of the things. [13]

Thus, the symbolizing capacity of thought/word creates a second world, in addition to the natural, sensible one. The materialists and the idealists argue over which one is real or primary above the other. For media ecology, as well as for the developing of McLuhan’s prompts, it is more substantial to differentiate these two worlds, the given and the represented, as two environments for human habitat, or, in the words of McLuhan, two “spaces”. It is worth noting that the idea of doubling the world by means of the word (alphabet) was expressed also by McLuhan himself. And he did that precisely in the area of psychology, and even psychiatry. In Gutenberg Galaxy, in a chapter titled “Schizophrenia may be a necessary consequence of literacy”, McLuhan stated that the introduction of the alphabet provided an ancient literate man with the ability to create the other world, and afterwards such a man became “divided” and “schizophrenic”. Marshall McLuhan wrote:

From that magical resonating world of simultaneous relations that is the oral and acoustic space there is only one route to the freedom and independence of detribalized man. That route is via the phonetic alphabet, which lands men at once in varying degrees of dualistic schizophrenia.[14]

In his Playboy interview, McLuhan returns to this idea with a small addition:

When tribal man becomes phonetically literate, he may have an improved abstract intellectual grasp of the world, but most of the deeply emotional corporate family feeling is excised from his relationship with his social milieu. This division of sight and sound and meaning causes deep psychological effects, and he suffers a corresponding separation and impoverishment of his imaginative, emotional and sensory life. He begins reasoning in a sequential linear fashion; he begins categorizing and classifying data.  < … > Schizophrenia and alienation may be the inevitable consequences of phonetic literacy [4].

The development of the inner vision, on the base of the alphabet, has pulled humans out of theaudile-tactile space of oral culture and placed them in visual space. The represented has not killed the given but overshadowed it. Although different views on the concurrency of the given and the represented exist, the most common approach sees the given, the physical reality of nature, as the basic, primary habitat of humans, while the represented, the ideal “visual space” of culture, is seen as the secondary space of the higher level; as such it has been the historical sequence of things.

Not without reason being called a futurist, McLuhan discerned new tectonic shifts related to the advent of electric media. He described this movement as the returning of humans from visual into audile-tactile space, to the tribal state. Signs of this returning are obvious and well known; however, itis also clear that the new space, shaped by electric and now digital media, will not be the good old physical reality. This movement is spiral, and goes rather forward to some new state than backward towhat has already once passed.

From the reality of  the represented, humans are moving to a reality that is very similar to the given, except it is not natural. It is artificial, developed out of the represented. It is the induced; the next stage of the evolution of the interplay of reality, media, and the sensorium.

2.3. Synesthesia and the Induced Reality

In his article “Hypermedia and Synesthesia”, James Morrison wrote:

“ … it is clear that McLuhan (1964) saw the connection between digital representations of reality and a heightened ability to involve all the senses, but in a way that returns modern consciousness to a preliterate mode of awareness” [15].

Electric media, as McLuhan put it, returns us from the visual space to the audile-tactile space,that is to say, from mainly cognitive perception to mainly sensory perception. However, the realityof digital media is absolutely virtual and by itself has nothing in common with the primary physical reality. The internet is still perceived mostly visually, though it obviously shapes the audile-tactile-like space of panoramic simultaneity.

The capability of electric media to induce audile-tactile space relates to the phenomenon of synesthesia, which plays a significant part in McLuhan’s theory. As James Morrison also wrote:

Synesthesia is a central conception in Marshall McLuhan’s exploration of the relationship  between media, culture, and the human sensorium … McLuhan’s notion of synesthesia as the simultaneous interplay of the senses in a ratio fostered by the particular medium or media involved is missing in the theoretics of hypermedia, which relegates all sensory  phenomena to visual terms and overlooks the interplay between orality and literacy. Research into synesthesia in art, culture, language, and cognition supports McLuhan’s conception of it as the normal process by which the brain reaches a new equilibrium whenone of its functions is outered in a technology [15].

Robert Logan also underlines that synesthesia (a concept introduced by McLuhan under the influence of symbolists’ poetry) allows electric media to engage the entire sensorium:

According to McLuhan all of the effects of the Gutenberg press reverse with electric media as we return to an emphasis on the audile-tactile part of our sensorium that he suggests involves the interplay of all our senses. McLuhan is suggesting that with electric media one has an experience of synesthesia [5] (Kindle Locations 522–525)

Infact, the capacity of the senses to induce each other is augmented by the capacity of the cognitive pathways of perceptions to induce senses, when “the mind coordinates the interplay of the senses”,as Morrison put it [15].

The ability of symbolic representation to evoke senses gave the ground for Dr. Danko Nikolic of the Max Planck Institute for Brain Research in Frankfurt to develop the concept of  ideasthesia:

We have conducted a number of studies conjointly indicating that synesthesia is not asensory-sensory phenomenon, as it has been largely held. Instead, this is a semantic-sensory phenomenon in which the meaning of the stimulus induces perception-like experiences. Hence, I proposed that a more accurate name for the phenomenon is ideasthesia, whichis Greek for “sensing concepts”. The theory of ideasthesia is based on arguments for introducing semantic component and on a proposal how the semantic system contributesto the phenomenon [16].

The symbolic representations substitute and at the same time enforce (McLuhan would say“extend”) the sensory perceptions of the world. Thanks to print media, humans have obtained anenvironment that is expanded far beyond their physical surroundings. (As Clay Shirky wrote inhis Cognitive Surplus, “Media is how you know about anything more than ten yards away” [17].)This environment, which is a media environment, has overlaid the physical surroundings in terms of its significance for everyday life. The media environment is filled with symbolic representations no less than with sensory stimulations. It is the phenomenon of ideasthesia that “helps” humans to experience the media environment almost physically. In his The Shallows … , Nicholas Carr, quotingElizabeth Eisenstein, writes:

It’s no exaggeration to say that the writing and reading of books enhanced and refined people’s experience of life and of nature. “The remarkable virtuosity displayed by new literary artists who managed to counterfeit taste, touch, smell, or sound in mere words required a heightened awareness and closer observation of sensory experience that was passed on in turn to the reader,” writes Eisenstein. Like painters and composers, writers were able “to alter perception” in a way “that enriched rather than stunted sensuous response to external stimuli, expanded rather than contracted sympathetic response to the varieties of human experience.” The words in books didn’t just strengthen people’s ability to think abstractly; they enriched people’s experience …[18]

The phenomenon of ideasthesia/synesthesia is obviously related to the phenomenon of neuroplasticity. Introducing the concept of neuroplasticity in media research, Nicholas Carrdemonstrates that the impacts of digital media are not limited by merely a changing of habits. It isabout the physiological rebuilding of brains: 

Neuroplasticity provides the missing link to our understanding of how informational media and other intellectual technologies have exerted their influence over the development of civilization and helped to guide, at a biological level, the history of human consciousness [18] (p. 44)

Thanks to the physiological compensatory mechanism of neuroplasticity, the human brain is capable of accepting any reality, “as given to us in sensation”. Ideasthesia and synesthesia unfold neuroplasticity at the level of emotions and sensations; they represent the plasticity of sensorium. Ideasthesia enables all-senses engagement in the media environment, based on symbolic representation (McLuhan’s “visual space”). Synesthesia enables all-senses engagement in the electric and now digital media environment (McLuhan’s “audile-tactile space”).

The ideasthesia/synesthesia digression is called on to illustrate how the media environment can compensate for its lack of physiological stimuli. Thanks to synesthesia, electric media are capable of inducing a natural-like reality, which is fully artificial and has nothing to do (so far) with the physiological stimulation of body sensors.

3. Altering Human Biology

By shaping the media environment, media are able to tune the human sensorium according to their “bias”. Equipped with ideasthesia/synesthesia, the sensorium follows the environment. In its turn, thanks to neuroplasticity (and ideasthesia/synesthesia), the sensorium is able to adapt humans to any media environment. Media always probe the sensorium; the sensorium always adjusts in orderto unfold all capacity of media, and reach their limits and their demand for new experience. This interplay between the sensorium and media lies in the foundation of media evolution. In the process of adaptation, for the sake of better experience, the sensorium sooner or later employs all capacity of any new media.

The ideas of evolving of media environment were expressed by McLuhan, for example, in John Culkin’s famous paraphrase, “We shape our tools, and thereafter our tools shape us.” The very formulation of McLuhan’s Laws of Media, that he and his son Eric McLuhan call the Tetrads,as well as the terms “new medium” and “old medium”, also represent the idea of the media environment’s dynamics.

The evolutionary approach to media ecology gives us an opportunity to speculate about contemporary trends in the interplay between the sensorium and media, and to chart these trends ahead in the future.

If the represented reality (visual space) compensates for the lack of physiological sensory stimulation by engaging ideasthesia, the induced reality has to develop new senses, since this reality does not represent the reality given to us in sensation, but creates a new reality in a new, virtual space.

In the beginning, the induced reality follows the norms of the physical reality, “after the image and likeness”, since the creator just does not have any other reality to have experienced. But afterward,the induced reality may and has to transcend the rules and establishments of the physical reality. Indeed, why should the digitally induced reality have to be a double of the physical world, if digital media creates its own space, which has no physical limits?

The represented reality of literate media has already freed human beings from physical reality, yet just symbolically, in human imagination. The induced reality can capture humans without any use of their imagination, literally, as a surrounding environment.

On its way from the given to the represented and then to the induced, media evolution has to modify the sensorium, first on the foundation of “likeness”, then, in some other way, under its ownlaws. In this context, we can search for some indications of enhancing “natural” senses and then of transcending them (as this metaphor was used by Ray Kurzweil in the title of his book The SingularityIs Near: When Humans Transcend Biology).

Here is a possible list of such improvements of the sensorium by technologies. The list is not complete, but is indicative.

3.1. Artificial Tastes, Artificial Smells, Artificial Sounds

Technologies in culinary work, perfumery, and music have aimed to evoke enhanced sensations.Any attempts to improve natural sensation, in fact, have been leading to the creation of artificial substitutes. Certain logic can be found in such a tendency. Natural tastes, smells, or sounds are too regular, too indistinguishable for distinctive sensory experience (that most often can be described as pleasure) to be had. Strange as it may seem, purification of sensations has always had to do with artificial stimuli.

The history of nutrition gives us a good example. People are capable of processing food before digesting. The ability to cook is one of the traits that differentiates humans from animals. Throughout the entire course of history, by purifying the taste sensation, humankind has been trying to obtain flavours that do not exist in nature. Flavour additives and enhancers also make food cheaper and more storable. But initially, they aimed to make food tastier. Historically, salt and sugar, along with a huge variety of spices and condiments, played precisely the same role as contemporary artificial flavours: to improve and enrich the taste qualities of food, simultaneously having made it, in fact, unnatural.

Media ecologists should pay particular attention to the phenomenon of artificial flavours. “Old”and “new” flavours invisibly reshape the environment pretty much in the same way that media do.For example, a marketing trick with “tomato-flavoured potato chips” aims to recall the natural taste of tomatoes as something valued. It makes sense for those familiar with the original tomatoes’ taste, but makes no sense for the many children who have simply not been made familiar with the taste of real tomatoes. Moreover, if they happened to try a real tomato, they would recognize its taste only because they are familiar with an artificial tomato flavour. The taste enhancer absolutely detaches the reality given to us in induced sensation from “the reality given to us in sensation”. Only one question remains: why do we still need tomatoes? The enhanced taste still relates to the natural environment, but with decreasing necessity.

Same analysis can be applied to the millennial efforts of people to purify, enrich, and enhance smells.  Fragrances of all sorts and fresheners of all sorts aim to improve the perception of surroundings.They act absolutely similarly to artificial flavours: being in essence unnatural, they fake some natural properties and eventually withdraw the human sensorium from the natural environment into the“better”, induced environment.

The development of the “use” of other senses can be analyzed in the same media-ecological way. For example, all smartphones are designed to produce a clicking sound when taking a photo. This sound obviously imitates the noise of the mechanical shutter in the old types of camera. The clicking smartphone is a “mechanically flavoured” digital device. However, today’s majority of smartphone users have never used a camera with an actual mechanical shutter. For them, this sound means nothing except the sound of a smartphone taking a picture. This is another example of the continuing detachment of our sensorium from a “natural” environment.

In a certain meaning, similar to artificial flavours, music and poetry have been developed to purify specific human sensations. In this case, it is the sensation of the others, experienced via sounds. Primitive rhythms were used to coordinate people’s locations in space and people’scollective efforts in time in the era of hunting-gathering. Rhythm lies in the foundation of group cohesion. It is not for nothing that McLuhan, when speaking about the capacity of radio to reverse humans from individualism to collectivism, compared radio to the “tribal drum” [7] (Chapter Radio:“The Tribal Drum”).

Nowadays, precisely like artificial flavours, most sounds produced by people and sensations induced by these sounds have little to do with the natural environment. People now live in a constantly collapsing audile space, whose implosion shapes a sound cocoon around everyone. The state of alienation experienced by an individual with ears corked by earphones makes this audile cocoon almost visible. Earphones drastically increase the amount of time spent by one in the induced sound environment, which aims both to alienate and to please. Another significant trait: while detaching people from the physical surroundings, the audile cocoons attach their inhabitants to one another in the induced reality of music, radio, and phone conversations. The reality of an individual cocooned by earphones is a space that is physically individual but virtually shared.

It is quite safe to say that humankind has always been seeking ways to induce better sensations.The contemporary trends of consumption of organic or natural goods reflect some fears and some resentment, but in general, the induced has always been perceived as something more valuable (enhanced) than the given. Such speculation may be concluded with the thesis that our entire civilization is the movement from the natural to the artificial, which means from the given to theinduced. This movement was drastically boosted by the introduction of electricity, which promised to become the main supplier of sensation.

3.2. Augmented Sensorium: Artificial Senses

During World War II, the Soviet neurolinguist Alexander Luria was the head of a neuro surgery evacuation hospital. He treated hundreds of brain-injured soldiers. In particular, he was workingto invent a method of rehabilitating patients with dynamic aphasia, who were unable to deliver utterances sequentially. Luria forced them to pick up cards sequentially, which through exercise gradually restored their speech ability [19]. This method shows how a verbal function that is lost because of injury to one brain region can be compensated for and then restored by the training of another brain region, which is thought to be initially responsible for physical, not verbal, activity.

Luria’s invention shows that disrupted brain abilities can be compensated for by the activity in other brain regions. The same is applied to “disrupted” senses. This is the gift of neuroplasticity represented, at the level of the sensorium, by synesthesia. As Nicholas Carr put it:

Thanks to the ready adaptability of neurons, the senses of hearing and touch can grow sharper to mitigate the effects of the loss of sight. Similar alterations happen in the brains of people who go deaf: their other senses strengthen to help make up for the loss of hearing. The area in the brain that processes peripheral vision, for example, grows larger, enabling them to see what they once would have heard [18] (p. 25).

Today, gadget developers try to exploit the phenomenon of synesthesia in order to help people with disabilities. For example, for visually impaired people, a device has been developed that can transmit the spectrum of colors and lighting around a person, along with spatial orientation, into the mouth cavity, by means of a lollipop-shaped device, and using slight electric stimulation [20].

Slight electric stimulation can be used not only for compensation of impaired senses but also for inducing senses that we are not certain are or were inherent to human beings. German scientists have developed a new device, the feel-space belt, which allows the wearer to feel the Earth’s magnetic field and be oriented in the four winds, just like birds and bats are [21].

In another case, a Spanish avant-garde artist, Moon Ribas, has gotten a subdermal cybernetic implant that allows her “to feel” every earthquake on Earth in real time. In fact, the implanted device just receives “data from a custom iPhone app that aggregates seismic activity from geological monitors around the world. She describes the physical sensation as akin to having a phone vibrate in yourpocket. The stronger the quake, the stronger the vibration”, the report says. Ribas’ new ability is called“the seismic sense” [22].

So far, such manipulations with the sensorium do not amount to a truly new sense. The feel-space belt just transforms the magnetic currents into vibrations that the body can easily perceive; the seismic implant does the same. In reality, the devices produce just a cognitive effect induced by the physical impact on receptors of the “old” sense, which is tactility. It is safe to say that this transition of meaning of one “sense” via the other sense is symbolical. It requires time and effort to recognize and learn the“content” of the  signals, while the real, natural senses are immediate for perception, as they require no symbolic interpretation.

More interestingly, these experiments allegedly restore to humans the senses of the magnetic field and seismic activity that are presumably inherent to biological beings.  These sensorium augmentations just improve human physiology (the report calls Ribas’ new seismic-feeling ability “a superpower”).

However, electricity allows a pushing of the boundaries of the human sensorium, or even an exceeding of them. An electronic bracelet called the Pavlok punishes the wearer with a slight electric shock (they call it a “zap”) in case the wearer passes a deadline, or smokes when having pledged to quit, or breaks some other rules established by themselves (so far just by themselves). The device isdesigned to facilitate the fight against bad habits [23].

In fact, these slight irritants induce a fear of punishment that fosters a sense of guilt. Maybe this can be described as a new type of synesthesia, something opposite to ideasthesia, because in this case the sensory stimuli evoke cognitive experience. For now, the punishing bracelet has been  being  programmed  by  the  owner  for  certain  displays of bad behaviour to get a negative reaction. Becoming more sophisticated, such a device could take upon itself more responsibility in making decisions on what is bad and good for a human, finally ending up in violation of Asimov’s First Law; the subjugation of humans for the sake of their well-being is one of the alleged scenarios of the rebellion of the machines.

The electrical extension of the sensorium cannot but will go further. Moscow engineer VladZaitcev has inserted a payment chip under his skin to pay subway fare. He also was reported to beplanning to insert a bank card chip into his other hand [24]. Zaitcev has become one of the hundreds of today’s real cyborgs [25]. Sooner or later, the development of payment implants has to bring to bionic people the sensory perception of a bank balance. Heating or vibration could indicate the state of account, similarly to what the feel-space belt does. Then, thanks to synesthesia or because of the development of cognitive interfaces, people may learn direct, not just symbolical ways of experiencing their financial state (or whatever will exist in place of finances).

The acquisition of this financial sense would well correspond to the logic of media evolution. It is the same for other, for now unknown senses, which still have to appear in order to further extend the sensorium in the digital environment.

3.3. Immersive Media

In August 2015, the beer company Stella Artois constructed “a big white dome” named “Sensorium” in downtown Toronto. Here is a description of the project:

A multi-course dining experience with beer and food pairings where each dish will be inspired by one of the five senses—sight, sound, taste, touch & aroma. Within our sensorial dome, guests will be immersed in a 360 degree experience, surrounded by video and interactive elements that will engage and amplify all of the senses throughout the night [26]. 

Brands and entertainers seek to immerse consumers in the experience of artificial reality entirely. Today, 4D and 5D movie theatres (even 7D movie theatres exist) offer an almost full package of sensorium stimulation. “Spectators” are being shaken, touched, blown with hot or flavoured air, poured on or sprayed with water, and moved down and up according to what is going on onscreen. Artfully combined and synchronized, these impacts together create the effect of being present in animaginary world created by the movie. The effect of presence or co-sensation—this is what arts, or literature, or movies, or media have always been seeking to achieve.

However, 3D, 7D—or speaking precisely, 5-Senses (5S) simulation — is just an exercise in shifting human perception from the real world to an artificial one. This exercise is in an interim stage, which nevertheless shows the direction of media evolution. The 5S simulation still uses the physical stimulation of nerve endings. It is still as biological as in the real world, even though the reality of 5S immersive media is artificially induced. Observing other oncoming digital media technologies, we can say that the time is coming for the stimulation of nerve “beginnings”, not just endings.

3.4. Augmented Reality

Improvement of the “natural” sensations, followed by an augmenting of the sensorium with new electrically induced senses, logically leads to the development of the phenomenon of augmented reality. From enhancing and augmenting senses, media evolution has to move toward enhancing and augmenting surroundings. The trend is obvious—creation of a new capacity of the body is not enough, since the creation of the entire world in the digital space has become affordable. Instead of representation of reality in the human mind, media evolution leads to the representation of the human mind in the induced reality. Video games and social media have paved the way. They insert “a representative” of the user into the reality of the game or social interaction. The augmented reality technologies facilitate this process at the level of the sensorium. As Wikipedia puts it:

Augmented reality is a live direct or indirect view of a physical, real-world environment whose elements are augmented (or supplemented) by computer-generated sensory input such as sound, video, graphics or GPS data [27].

For a McLuhanist, augmented reality can be seen as the further extension of the central nervous system, but with a new, significant trait. For the first time in the entire evolution of sensations’ mediation, the improvement has neither been done on the side of human, nor been attached to acertain sense. With augmented reality technologies, the improvement entirely occurs “on the side” of the reality (or at least somewhere between the sensorium and reality). McLuhan’s extension of the human body starts transcending the bounds of body and transiting into the surroundings. Everything described before has related to the augmented sensorium; now it comes to augmentation of reality itself.

According to McLuhan, Innis, and other media determinists (even if they rejected this title), any media (better to say mediums) are able to shape environment, but they do this just metaphorically or via some physiological, social, or cultural impacts. With augmented reality, media starts shaping environment literally, directly, and immediately. At today’s stage, this is just the addition of some induced objects or data into the picture of the surroundings. The next stage of media evolution, the technologies of virtual reality, combine the immersive media idea of full sensational immersion with the augmented reality idea of digitally shaped reality.

3.5. Virtual Reality

Media evolution leads us to gradual resettling from the physical world to the “best” one, whichis the virtual one; from the given, through the represented, to the induced. Along the way, mediaevolution sentences us to be entirely immersed into this new environment with all our five (or more)senses, just as we have existed in the real world, until now. 

In the present day, the most advanced technologies that can implement these ideas are technologies of virtual reality. They are already capable of resettling us into the induced world without any real world “earthing”. As Wikipedia puts it,Virtual reality, also known as immersive multimedia or computer-simulated reality, is acomputer technology that replicates an environment, real or imagined, and simulates a user’s physical presence and environment in a way that allows the user to interact with it. Virtual realities artificially create sensory experience, which can include sight, touch,hearing, and smell [28].

Interestingly, classical dictionaries fail to define fast-emerging  phenomena  of  this  kind, relinquishing this function to Wikipedia. People who develop the technologies also hardly worry about solid definitions. But even Wikipedia, that tremendous enterprise of collective thought, is notable to cope with the nuances of newly arising technologies.  Thus,  Wikipedia tries to present the concepts of virtual reality and immersive multimedia as synonymic, which is obviously not the case. Immersive media (or multimedia), such as the Stella Artois sensorium dome or 5D movie theatres,clearly differ from such technologies as virtual reality headsets. To distinguish immersive media fromvirtual reality, it may be said that the immersive media technologies create the induced reality for thehuman body, while the virtual reality technologies create the induced reality for the human mind. Indeed, immersive media together with all previous technologies of enhancing sensations induce new sensations of reality by stimulating nerve endings, while virtual reality induces an altered reality bystimulating nerve “beginnings” (almost; the full effect will come into play after a cognitive interface is developed as part of the achievement of a direct mind-machine wiring).

Virtual reality is most often used for play or training. Both of these sorts of activities are aimed at simulating a new reality for which humans should be prepared. In a more abstract and philosophical sense, the virtual reality technologies offer humans training for resettlement into an induced world.

4. Transcending Human Biology

People still act in virtual reality in a mostly natural way, as “physical beings”, which is obviously predefined by their (our) previous experience. Moreover, the content of the virtual reality is still physical reality.

This reflects McLuhanian ideas of interplay between the new and older media. “The content of anymediumisanoldermedium”, as Eric McLuhan put it in the preface to his and Marshall McLuhan’s Laws of Media: The New Science [29]. Marshall McLuhan himself declared that, “The content of the press is literary statement, as the content of the book is speech, and the content of the movie is the novel” [7](p. 267). Similarly, in the chapter devoted to the development of the phonograph, in Understanding Media, McLuhan described the expectations related to the phonograph in the late 19th century:

It was conceived as a form of auditory writing (gramma—letters). It was also called “graphophone,” with the needle in the role of pen. The idea of it as a “talking machine” was especially popular. Edison was delayed in his approach to the solution of its  problems by considering it at first as a “telephone repeater”; that is, a store house of data from the telephone … [7] (p. 305)

But afterwards, the phonograph ceased to be providing just an enhanced version of something performed by the older media. Developing this line of McLuhan’s thought, we can assume that it was the phonograph and its descendants (the tape recorder, etc.) that created the sound-recording industry, making their contribution to the emergence of show business and the entire pop culture with its cult of celebrity, which in turn changed culture, social life, and politics, as is masterfully exposed by Neil Postman in his Amusing Ourselves to Death: Public Discourse in the Age of Show Business (1985). (In the same chapter about the phonograph, McLuhanwrote : “… entertainment pushed to an extreme becomes the main form of business and politics” [7] (p. 306), as Donald Trump has demonstrated.)

Starting with satisfaction of old needs, a new medium creates a new environment that unfolds media capacity,  which is authentic specifically to this new medium. The environment always pays back. As for digital reality, inhabitants create a habitat and thereafter the habitat recreates its inhabitants, to make them compatible. It is not an opportunity, but a necessity.

Applying such McLuhanian speculations to the self-evolving interplay between media and the sensorium, we will come with necessity to the question: which new properties of the new environment will reshape which properties of human beings, how, and with what outcome? Thus, the McLuhanian approach allows us not just to explore but also explain and predict possible (in fact, inevitable) changes in the human sensorium. What ultimate conditions of the environment are thinkable, if this environment is “enhanced” so far that it can entirely and controllably be recreated inthe digital “space”?

Answering these questions, we will get a notion of the future human being. After all, it is not that difficult, since we already can trace existing and oncoming properties of the digital world. In terms of their impacts on humans, they lead to:

  • – escape from the given reality and, as a consequence, the abandonment of the body;
  • – transition from biological networking to social networking and development of the social sensorium instead of the biological one;
  • – escape from the “physical” time-space continuum, followed by the full liberation of time-space navigation.

Which possible, or, better to say, required properties of the sensorium can and have to support these conditions and requirements of the digital reality, if a person gets immersed in there entirely?What changes in senses may and have to happen? These questions also relate to the media and therefore belong to the set of questions that need to be answered “ … in order to understand how and why it is metamorphosing man”, as McLuhan said in the Playboy interview about media impacts ingeneral [4].

4.1. Angelism and Dismissal of Gravity

While media have had to do with the given reality, they have been expected to enhance the body’sperception of physical surroundings, as the feel-space belt does. But “electronic man has no physical body”, as McLuhan put it [30]. In an interview to Father Patrick Peyton in 1971, McLuhan said:

<Electric media> give you a sort of dimension of an angel, an almost supernatural being, a disembodied spirit. In the electric age, man becomes a kind of disembodied spirit [31].

This angelic condition of the digital human being, in fact, has to undermine this world’s physical basics, such as gravity, for example.

The absence of gravity is not unfamiliar to people, thanks to space exploration. However, the absence of gravity also can be created in the digitally induced reality of video games. After playing a 3D-flying shooter game for a long enough time, gamers may experience a sense of flight, as though it were real. In digital reality, the “movement” up and down has to be as easy as any horizontal movement.

The transfer of the gravity concept to the digital world still reflects the habits of physical beings and will be overcome completely, sooner or later. As physical weight is irrelevant in digital reality, gravity will not just be overcome—it will be completely dismissed.

In parallel, it is interesting to watch what happens to the metaphor of gravity in social relations. The “social gravity” of the pre-digital society created the structure of relations describable through the concept of a pyramid: the massive bottom, the authoritative top, somehow equalizing each other. The vertical, offline organization of authority clashes with the horizontal online organization of authority on the Internet, which again still reflects the “gravitational bias” of physical being. In fact,the Net shapes not the horizontal but the cloud-like structures of authority, with its heavy centers and dispersed peripheries. In the digital world, social coherence will be run by peer-to-peer authoritative gravitation, not by top-down authoritarian gravity.

4.2. Navigation in the Digital Space: From Physical to the Social Dimension

The digital space is filled not with physical objects but rather with humans themselves (and also with algorithms, many of which seek to act like humans). That is why digital reality will gradually have ceased attempts to simulate physical reality, and will develop its own characteristics; not time-space ones, but rather timing-spatial ones. It goes well for the concepts of gravity, of distance, of direction, of duration and timespans.

In digital reality, distance, directions, duration, and timespan turn from physical characteristics to social characteristics; they represent the distance between people (or their utterances), directions toward others or crowds, time passed after someone’s actions, etc.

It is interesting to note that the sense of the Net tends to be rather more temporal than spatial. The nearer one is to the source of significant information, the more efficiently one will get responses (in the form of shares, comments, etc.) Time is becoming a category of distance. Earlier means closer. Everyone has to share significant items as early as possible in order to be a part of society. Acting in this way, people socialize themselves and at the same time serve each other. Digital tools very much facilitate this human need, which is placed on the very top of Maslow’s pyramid.

Human perception of the digital space is mediated by other humans and algorithms. Being put into the digital space completely, the augmented reality turns into the augmented humanity, which is a nice term coined by Google CEO Eric Schmidt [32].

Not without reason, speaking of the “angelism” of humans in the electric environment, Marshall McLuhan related this angelism to humans’ shared omnipresence: “I don’t think our institutions have any way of coping with this new dimension of man … the angelic discarnate man of the electric age who is always in the presence of all the other men in the world” [31].

Paraphrasing other utterance of McLuhan’s, we can say that the best, ultimate extension of man is another man (until algorithms, on behalf of man, intervene and capture this function). In digital reality, humans are the best media for each other: homo homini media est. That is why the sensation of physical objects has to be replaced with the sensation of others of our kind in the environment that tends to be purely social, not physical. This is what has to reshape the human sensorium completely.

4.3. Social Dimension: The Sense of the Others

In the blogosphere and social media, we almost already experience a sense of social gravitation. This observation brings us to the conclusion that with the transfer from the given reality (through the represented reality) to the induced reality, we inevitably have to switch from the biologically-based sensorium to the socially-based sensorium.

In the digital reality, the need for social cohesion will provide people with a sense of social gravitation, by means of which they will learn how to sense the direction toward each other (or outof each other) in the socially networked space. Connecting to the social network, we will have to experience “sensually” the distance to those speaking or the currency of what is said. We will have to sensually perceive the massiveness, or virality, of a topic. We almost already can feel it now, looking at the number of likes and reposts, but in the future, it will have to be a particular sense, similar to how we feel the crowd at a stadium or in a subway; or how we feel the emptiness of an empty room. Such indicators as numbers of likes, shares, and reposts may turn to the sensors of the new, social-based sensorium.

The sense of social coherence will enhance the social–spatial orientation, but also will nurture the sense of social resonance, which will be subordinated to the timing of wave-shaped social activities. By the way, this wave-looking pattern of activity will form a “digital calendar” to replace the solar–lunar calendar (which has already been very much spoiled by electricity). 

The transformation of the biological sensorium into the social sensorium is worth  additional exploration. In the context of this paper, it is important to chart this tendency as a continuing and inevitable way for the sensorium to be adapted into the realm of digitally induced reality

The transformation of the biological sensorium into the social sensorium is worth  additional exploration. In the context of this paper, it is important to chart this tendency as a continuing and inevitable way for the sensorium to be adapted into the realm of digitally induced reality.

4.4. Social Dimension: The Thirst for Response

Marshall McLuhan used the myth of Narcissus to explain humans’ addiction to media. Accordingto him, “men at once become fascinated by any extension of themselves in any material other than themselves” [7] (p. 45).

As has already been said above, the best, ultimate material for man’s “extension” is another man. Many researchers note, for example, the narcissistic nature of the selfie, which looks very similar to the original myth. But in fact, the most important aspect of taking selfies is the subsequent sharing of it in the hope of getting responses from others. The phenomenon of the selfie does not exist without its publication. Reflection in others, not just on the screen of a smartphone—this is what the selfie is, in essence. Any human interaction may have its certain purpose, but interaction itself is not achievable without the exchange of reactions. Reacting to each other’s signals is essential for human enrolment, as well as being the basis for both individual and group survival. For the sake of socialization, people seek response and spend their talents, time, and effort in pursuit of better responses. This thirst for response helps human beings to be social being [33]. The thirst for response is the same driving force that Hegel called the “struggle for recognition”. In order to get a response, people choose to share the best of what they come across. It may be said that people experience the thirst for response on a sensual level. It is the sixth sense—the social sense. Sufficient or insufficient satiation of this thirst can prompt action and bring people stress or pleasure. The Internet provides new, quick, and inexpensive opportunities to satisfy this thirst. However, it is athirst that is never fully satiated, because socialization is not a product, but a process. If the sense of others allows the “feeling” of digital distance and direction toward significant people and events, i.e., allows orientation in the digital–social space, the thirst for response is a sort of inducement for people to act in induced reality.

5. Conclusions

By advancing the concepts of visual space and audile-tactile space, Marshal McLuhan created an intellectual space for explorations, probes, and speculations about the interaction between humans and media. Being sharp, sometimes controversial, sometimes provocative, and always thought-provoking, his ideas resonate with a huge number of theories in many others areas of human thinking. As mass media, to use a metaphor from Clay Shirky, is “the connectivet issue of society” [17] (p. 54), media in general have been the connective tissue for civilizations throughout time, space, and cultures. The history of humankind can be seen as a big journey along the waves of media technologies. TheMcLuhanian approach allows for a fuller study of this journey, and even a description of its future. Many arriving media technologies justify what McLuhan  witnessed, despite his having barely caught the first personal computers. Now media are not seen just as information carriers. Contemporary media literally create reality. They demonstrate this “assignment” unabashedly, even in name, as immersive media, or augmentedreality, or virtual reality. McLuhan described this phenomenon when it was not so obvious. Tracing the trends noticed by McLuhan into the future, we can separate several important areas of future research. The list of these, of course, is indicative, but not complete.

5.1. The Resettlement into the Digital World

As McLuhan stated, electric media return humans into the preliterate state of being within a natural-like environment. The trick is, it is not the natural environment; so, in fact, human kind moves to some next stage of media evolution. The reality of electronic media is not given. It is the induced reality, the digital world, in which humans are about to resettle completely. Thus, any media exploration, being done fairly enough and far enough, with necessity leads to the ideas of mind uploading, Transhumanism, and the Singularity [34].The great resettlement, or the new exodus, hovers behind any media study, be it devoted to the decline of newspapers, or media impacts,  or  media  literacy. The acceptance of this seemingly provocative thesis helps to explore and develop any media phenomena in the right light. The resettlement will be followed by drastic changes to human and social natures; among them the change of the sensorium represents only a tiny part of what is coming up. (An important note: any upcoming iteration of the future has to be linked to its time horizon. Things have to happen in the right order, timely, and should be perceived so, for the sake of psycho-hygiene.  Realizing proper sequences for the future can help prevent future shock, which is about the inevitable, due to increasingly accelerating historical time.)

5.2. Time-Managing Sensorium

Time is one-dimensional for a biological being, for whom it exists only in the form of  “now”. The sensorium has had to do with space mostly. Humans have had a notion of time projections of the past and the future, but these projections have all the same been represented only in the “now”—bymeans of the arts, imagination, memory, and grammar. As any time is “now” for the biological being, any space is “here” for the digital being.  Moreover, time has to be manageable for the digital being in the same way as space is manageable for the biological being. Humankind has already developed some capacity to make time more elastic: art, medicine, education, cosmetic surgery, finances (loans and derivatives), the entire subculture around aging, etc. But the real notion of manageable time has come with digital media, particularly video games. They do not just already dismiss gravity; they also are able to speed up, slow down, reverse, stop, skip, and repeat time. Of course, these properties of video games obviously link to the ideas of angelism and discarnate man, expressed by McLuhan in the 60 s. Electrical man has already achieved the God-likeability of omnipresence. The sensorium must perform this flip-flop soon, with the implosion of the spatial “everywhere” into “here” and the explosion of the temporal “now” into several time dimensions, with the different characteristics of velocity, flow, continuity, direction, etc. We are somewhere at the very beginning of this incredible shift. It is still hard to imagine what kind of adaptation will happen to the sensorium to fit the new time dimensions. But this is not about the far futuristic future; some things are already occurring. Time (attention span) already is the measure of value in the digital realm. The currency of future digital economics will be clearly related to time-spending.  Time compression, or extension, or repeating, or stopping, or reversing, or skipping will be the main goods in such an economy. Preliterate media are space-biased and time-ignorant. Alphabet-based media are time-space biased. Digital media are time-biased  and space-ignorant. These traits of theirs, by the way, are already causing not just changes in the sensorium, but also social unrest and intercultural clashes around theworld [35].

Conflicts of Interest: The author declares no conflict of interest.

References:

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